Libras, a Língua Brasileira de Sinais 

Foto de capa: reprodução, Signumweb.

Por Maya coelho

Pra começo de conversa, Libras é uma língua e não uma linguagem, é um idioma reconhecido por lei no Brasil, ou seja, não é universal, e sua história faz parte da história do Brasil. Sabendo disso, outro ponto importante sabermos, a expressão surdo-mudo é muito equivocada, pessoas com deficiência auditiva podem ou não sofrer da deficiência de mudez. O primeiro a utilizar essa expressão foi o famoso filósofo, Aristóteles, que acreditava que os surdos eram incapazes de raciocinar ou aprender. Essa crença, na época, fazia com que os surdos não recebessem educação, não tivessem direitos, fossem marginalizados e muitas vezes condenados à morte.  

Até o Séc. XV, os surdos eram mundialmente considerados como ineducáveis. A partir do Séc. XVI, esses conceitos foram se modificando na Europa, a ideia de que os surdos não podiam ser educados, foi sendo deixada de lado lentamente.   

A luta da educação para surdos no Brasil foi iniciada pelo educador francês, Edouard Huet. 

Eduard Huet: Cortesía Dr. Ch. Jullian M. Reprodução: culturasurda

Huet, nasceu em Paris, no ano de 1822, em uma família nobre na França, teve acesso às melhores educações da época, falava os idiomas português e Alemão, além do Francês. Com 12 anos teve sarampo e, devido a essa enfermidade, ficou surdo. Mesmo depois de surdo, conseguiu aprender o idioma Espanhol, e começou a estudar no Instituto Nacional de Surdos em Paris. Conquistou a formação de professor e também conquistou o cargo de diretor do Instituto de Surdos de Bourges. 

Huet apresentou o seu projeto de fundar uma escola de surdos no Brasil para o imperador, Dom Pedro II. Devido ao notável trabalho na área de educação de surdos, Dom Pedro II abraçou a ideia e em 1856 foi fundado o Imperial Instituto de Surdos Mudos. Conforme conversamos acima, esse termo “surdo-mudo”, saiu de uso por ser considerado incorreto, essa mudança só aconteceu em 1957, ou seja, um século depois, então a escola passou a se chamar Instituto Nacional de Educação de Surdos – o famoso INES, localizado no Estado do Rio de Janeiro, no Bairro de Laranjeiras.  

Escola INES. Divulgação/Reprodução: INES

Libras foi criada junto com o INES, uma mistura entre a língua Francesa de sinais e, de sinais já usados pelos surdos Brasileiros. Mas nem tudo são flores… Em 1880, um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das línguas de sinais no mundo, acreditando que a leitura labial era a melhor forma de comunicação entre os surdos. Os surdos não pararam de usar a língua de sinais e continuaram lutando pelo direito da língua por todos os países, mas a proibição fez com que houvesse uma lentidão nesse processo.  

A batalha continuou, somente em 1993 começaram a enfrentar os governos de frente novamente, iniciou-se um projeto de lei que buscava regulamentar o idioma no país. Somente quase 10 anos depois, em 2002, a Língua Brasileira de Sinais foi finalmente reconhecida como uma língua no Brasil. Vitória!  

A partir daí surgiram várias outras leis que se somaram à língua de sinais para garantir direitos à comunidade surda e todas as pessoas que se comunicam por meio dela. Alguns exemplos, em 2004, Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo; em 2010, foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras; em 2015, Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência), que trata da acessibilidade em áreas como educação, saúde, lazer, cultura, trabalho etc.; em 2016, Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por parte das empresas de telecomunicações. 

Mas, precisamos sinalizar que mesmo com todo esse avanço em nosso país, a Libras ainda é pouco conhecida e usada entre os ouvintes. Precisamos abraçar essa língua que é nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela.  

Que vivamos cada vez mais a inclusão e a diversidade em nosso país.  

Deixe um comentário