Por: Arthur Líbero. Foto da capa/Reprodução: Metrópoles
A jornalista do jornal O Globo, Paolla Serra, lançou na quinta-feira (07/09), o livro “Caso Henry – Morte Anunciada” na Bienal do Livro Rio. O lançamento oficial aconteceu em dezembro de 2021 e ganhou uma versão atualizada em 2022.
Paolla Serra foi quem divulgou o caso em rede nacional. Ela contou como teve a ideia de transformar esse caso em um livro, “comecei a pensar nele no decorrer da apuração das matérias. Comecei a perceber que a cobertura diária estava pequena para o tanto de informação que tinha, então decidi compilar essas informações de uma maneira mais detalhada e aprofundada contando a história com uma narrativa que envolve a história da família, o estudo de personagens e todo esse drama”.
A publicação ocorreu nove meses após a morte de Henry. Paolla também comentou sobre a forma como ele foi escrito, acarretando o tempo de seu lançamento, “a escrita se deu paralelo às apurações conforme o caso ia andando. Comecei a escrever quando o inquérito já havia sido concluído, mas estava no início do processo. O MP (Ministério Público) já tinha denunciado o casal, eles viraram réus e estavam no início da inscrição processual, então as histórias continuavam a acontecer. Demorei, no total, 2 meses para escrevê-lo, mas claro que a apuração foi mais robusta. Comecei as apurações logo após o falecimento do Henry, que se deu em março. Então posso dizer que já tenho 18 meses de apuração, sendo dois deles focados na escrita”.

Paolla também revelou as dificuldades pessoais e profissionais na hora de escrever a narrativa, “como jornalista, nós tentamos sempre não ter nenhum envolvimento com o caso e sempre manter uma imparcialidade. É preciso manter um distanciamento tanto dos personagens quanto da história. Mas, humanamente falando, em alguns momentos isso é impossível, pois somos pessoas, temos sentimentos, também sofremos ao ver o sofrimento alheio e a família enlutada por um drama tão cruel. No início, havia uma história que nasceu a partir de um acidente doméstico e, com o passar do tempo, descobriu-se que aquilo se tratava de um homicídio doloso. Então, muitas vezes eu parava emocionada e sensibilizada com todo esse drama dos familiares, como o próprio pai do Henry, que sempre lutou por justiça e cobrou investigação por parte das autoridades. Por isso, a maior dificuldade era equilibrar a responsabilidade jornalística com esse lado humano que todo mundo tem”.


A jornalista, que também é advogada e costuma trabalhar com justiça criminal, deu dicas para jornalistas que trabalham ou querem trabalhar na área investigativa, “uma coisa que costumo dizer é que nunca devemos menosprezar as fontes independente do potencial, pois todo mundo tem uma boa história. Não ouvir apenas delegados, promotores ou juízes, mas também pessoas que estão em volta, como advogados, agentes ou peritos, pois eles podem ter uma boa informação para te passar”.
A obra foi uma das mais vendidas da editora Máquina de Livros, conhecida por lançamentos sobre grandes reportagens e liderada por Luís André Alzer, jornalista formado pela Facha.
