Por Ágatha Araújo. Foto de capa/Reprodução: Agência Brasil.
Origem da data
Criado em 31 de março de 2009, o Dia da Visibilidade Transgênero tinha como objetivos celebrar a vida das pessoas trans e suas contribuições para a cultura e aumentar a conscientização pública sobre a discriminação sofrida por elas ao redor do mundo. Idealizada pela ativista trans Rachel Crandall, essa data servia como uma reação à falta de reconhecimento que pessoas transgênero recebiam em vida, uma vez que o único dia voltado para elas era o Dia Internacional da Memória Transgênero, em que se relembra o assassinato da mulher trans Rita Hester, brutalmente esfaqueada em seu próprio apartamento. “Eu queria um dia em que pudéssemos celebrar os vivos, e queria um dia em que em todo o mundo pudéssemos estar todos juntos”, afirmou Rachell ao portal de notícias independente The 19th Newsletter.

Para Crandall, a data era tão necessária para outras pessoas como era para ela mesma, cuja transição como pessoa trans culminou na perda de seu casamento e de seu emprego como psicoterapeuta. Atualmente trabalha como palestrante, educadora e está escrevendo um livro sobre ser uma terapeuta trans.
No Brasil, essa data é comemorada no dia 29 de janeiro. Ela foi criada mediante pressão das pautas e demandas voltadas para a realidade da população trans no Brasil e o cumprimento de seus direitos. Cerca de 30 mulheres trans e travestis ocupavam o Congresso Nacional para apoiar a campanha “Travesti e Respeito”, criada pelo Ministério da Saúde no governo do PT.

Presença trans no audiovisual
A luta pelo reconhecimento não se reduz ao uso burocrático e documental da identidade, antes se expande para a esfera da representatividade, do imaginário coletivo, do literário e, principalmente do visual. Historicamente, pessoas trans foram retratadas de forma pejorativa ou inferior com relação a outros personagens, geralmente escaladas a papéis secundários ou ligados à prostituição. Essa representação contribuiu no estigma e inúmeros preconceitos acerca da diversidade sexual e de gênero.
Apesar da narrativa de violência ainda ser bastante presente nas telonas, os papéis de personagens trans são menos estereotipados e mais comprometidos em mostrar anseios e desejos e trazer profundidade para variadas facetas humanas que os compõem.
PALOMA (2022):
Longa/ficção
Direção: Marcelo Gomes
Disponível na Globoplay
Sinopse: Paloma é uma mulher trans obstinada a realizar o seu sonho de casar-se na igreja. Nessa jornada ela sofre diversas violências, tanto do seu entorno rural quanto do padre, que recusa seu pedido. Porém, ela permanece determinada a conquistar o que quer.

BIXA TRAVESTY (2018)
Documentário
Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman
Disponível na Globoplay
Sinopse: Linn da Quebrada conta sua trajetória na busca por espaço na cena musical em São Paulo.

MANHÃS DE SETEMBRO (2022)
Série
Autores: Josefina Trotta e Marcelo Montenegro
Disponível na Prime Video
Sinopse: a vida de Cassandra fica de cabeça para baixo após a chegada de Gersinho, o que faz com que ela reencontre o pai Lourenço depois de dez anos.

TRANSGENTE (2019)
Série/documentário
Direção: Adriana L. Dutra, Malu de Martino
Disponível na Globoplay + canais
Sinopse: a produção mostra, em seis episódios, o cotidiano de seis pessoas transgênero brasileiras, visitando lugares, ouvindo suas histórias e entrevistando pessoas marcantes em suas vidas.

