Visibilidade Trans: 14 anos do feito de Rachel Crandall

Por Ágatha Araújo. Foto de capa/Reprodução: Agência Brasil.

Origem da data 

Criado em 31 de março de 2009, o Dia da Visibilidade Transgênero tinha como objetivos celebrar a vida das pessoas trans e suas contribuições para a cultura e aumentar a conscientização pública sobre a discriminação sofrida por elas ao redor do mundo. Idealizada pela ativista trans Rachel Crandall, essa data servia como uma reação à falta de reconhecimento que pessoas transgênero recebiam em vida, uma vez que o único dia voltado para elas era o Dia Internacional da Memória Transgênero, em que se relembra o assassinato da mulher trans Rita Hester, brutalmente esfaqueada em seu próprio apartamento. “Eu queria um dia em que pudéssemos celebrar os vivos, e queria um dia em que em todo o mundo pudéssemos estar todos juntos”, afirmou Rachell ao portal de notícias independente The 19th Newsletter

Rachel Crandall. Foto/Reprodução: The 19th Newsletter.

Para Crandall, a data era tão necessária para outras pessoas como era para ela mesma, cuja transição como pessoa trans culminou na perda de seu casamento e de seu emprego como psicoterapeuta. Atualmente trabalha como palestrante, educadora e está escrevendo um livro sobre ser uma terapeuta trans. 

No Brasil, essa data é comemorada no dia 29 de janeiro. Ela foi criada mediante pressão das pautas e demandas voltadas para a realidade da população trans no Brasil e o cumprimento de seus direitos. Cerca de 30 mulheres trans e travestis ocupavam o Congresso Nacional para apoiar a campanha “Travesti e Respeito”, criada pelo Ministério da Saúde no governo do PT.   

“Travesti e respeito: já está na hora dos dois serem vistos juntos”, campanha histórica de 2004. Foto/Reprodução: Associação Nacional de Travestis e Transexuais.

Presença trans no audiovisual 

A luta pelo reconhecimento não se reduz ao uso burocrático e documental da identidade, antes se expande para a esfera da representatividade, do imaginário coletivo, do literário e, principalmente do visual. Historicamente, pessoas trans foram retratadas de forma pejorativa ou inferior com relação a outros personagens, geralmente escaladas a papéis secundários ou ligados à prostituição. Essa representação contribuiu no estigma e inúmeros preconceitos acerca da diversidade sexual e de gênero. 

Apesar da narrativa de violência ainda ser bastante presente nas telonas, os papéis de personagens trans são menos estereotipados e mais comprometidos em mostrar anseios e desejos e trazer profundidade para variadas facetas humanas que os compõem. 

PALOMA (2022): 

Longa/ficção 
Direção: Marcelo Gomes 
Disponível na Globoplay 

Sinopse: Paloma é uma mulher trans obstinada a realizar o seu sonho de casar-se na igreja. Nessa jornada ela sofre diversas violências, tanto do seu entorno rural quanto do padre, que recusa seu pedido. Porém, ela permanece determinada a conquistar o que quer. 

Paloma. Foto/Reprodução: IMDB.

BIXA TRAVESTY (2018) 

Documentário 

Direção: Claudia Priscilla e Kiko Goifman 

Disponível na Globoplay 

Sinopse: Linn da Quebrada conta sua trajetória na busca por espaço na cena musical em São Paulo. 

Linn da Quebrada conta sua história em “Bixa Travesty”. Foto/Divulgação: Arteplex Filmes.

MANHÃS DE SETEMBRO (2022) 

Série 

Autores: Josefina Trotta e Marcelo Montenegro 

Disponível na Prime Video 

Sinopse: a vida de Cassandra fica de cabeça para baixo após a chegada de Gersinho, o que faz com que ela reencontre o pai Lourenço depois de dez anos. 

Liniker como personagem “Cassandra”. Foto/Reprodução: Correio Braziliense.

TRANSGENTE (2019) 

Série/documentário 

Direção: Adriana L. Dutra, Malu de Martino 

Disponível na Globoplay + canais 

Sinopse: a produção mostra, em seis episódios, o cotidiano de seis pessoas transgênero brasileiras, visitando lugares, ouvindo suas histórias e entrevistando pessoas marcantes em suas vidas. 

Transgente. Foto/Divulgação: Globoplay.

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