A cultura dos brechós na moda 

Foto de capa/Divulgação: Solutudo.

Por Esther Verta. 

Os brechós são lojas de comercialização de artigos usados, como roupas, calçados, bijuterias, obras de arte, entre outras coisas.  

Os seus consumidores, geralmente, são pessoas de baixa renda ou quem busca economizar nas comprar. Alguns artistas também procuram esse tipo de lugar, para achar peças exclusivas e únicas, algumas até colecionáveis.  

Os donos dos brechós, precisam ter tempo e disponibilidade para garimpar e conseguir filtrar as peças que serão vendidas.  

Apesar de parecer algo atual, esse tipo de comercialização já existe a um bom tempo. No Brasil, surgiu por volta do século XIX, devido a um mascate chamado Belchior, que era conhecido por vender itens usados no Rio de Janeiro. Os estabelecimentos que faziam esse tipo de venda passaram a se chamar “belchior” e com o tempo adaptados para brechós.  

Porém, essa prática de compra de produtos usados, já existia em outros lugares do mundo, principalmente na Europa. Em 1900, surgiram as famosas Feiras de Trocas, que eram lugares no subúrbio de Saint Queen, na França, que faziam esse tipo de negociação.  

Além dessas feiras, também existiu o chamado mercado de pulgas, que realizava a venda e compra de diversos produtos, sempre rodeado de animais, e por serem peças usadas, consequentemente tinham muitas pulgas, por isso o nome. Importante lembrar, que esse mercado surgiu por uma necessidade da época, devido à crise que as guerras mundiais causaram. 

Apesar da popularização do brechó, por muito tempo as pessoas tinham uma certa resistência a essas lojas. Havia um receio de comprar nesses lugares pois não se conhece quem usou as peças. Então, muitos acreditavam que apesar das roupas estarem lavadas e limpas, as sujidades ainda estariam ali. Hoje em dia, são poucas pessoas que acreditam nisso e deixam de fazer uso dos brechós por esse motivo. 

Outro ponto interessante é que o estilo de moda vintage tem estado cada vez mais em alta, então as roupas usadas e antigas se enquadram nesse padrão estético. Os brechós vintage também abrem uma porta para o resgate da cultura, que estava esquecida. E, além disso, por fazer a reutilização de peças usadas, tem uma vertente sustentável, ajudando a diminuir, por exemplo, o consumo de água, que é muito elevado nas indústrias. 

Contudo, atenção! Não confunda os brechós com o bazar, são conceitos distintos.  

O brechó é um lugar mais organizado, semelhante ao sebo que vende livros, possuindo peças selecionadas e com uma estrutura de loja. Já o bazar, pode funcionar em qualquer lugar, galpões, garagens, praças etc. Geralmente, não possui uma ordem e nem uma seleção, e por isso, as peças podem sair por um preço menor. 

Apesar de toda construção histórica, hoje os brechós estão à disposição de qualquer pessoa, independentemente da renda. Um exemplo disso, são os brechós online que fazem as vendas por meio da internet, e tem atraído um grande público. 

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