Foto Capa: reprodução/exame
Por Arthur Líbero
No dia 18 de julho é celebrado mundialmente o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data criada em novembro de 2009, marca o registro de homenagens ao homem que mudou a história da África através de sua luta.
Quem foi Nelson Mandela?
Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em Mvezo, uma vila na África do Sul, em 18 de julho de 1918. Ele pertencia a uma família da nobreza thembu, povo da etnia xhosa, seu pai era o herdeiro do trono thembu e chamava-se Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela e possuía quatro esposas. Nelson Mandela era filho dele com Nonqaphi Nosekeni, a terceira delas.

Como a mãe de Mandela sempre foi cristã metodista, o jovem também manteve um forte contato com o cristianismo durante toda a sua infância. Seu pai faleceu quando ele tinha 9 anos de idade e, então, Nelson Mandela foi entregue por sua mãe para Jongintaba Dalindyebo, o próximo sucessor do trono thembu. Mandela sempre disse que foi muito bem tratado por seu novo tutor e a esposa dele.
O nome “Nelson” foi atribuído à Mandela ainda durante a sua infância, pois era costume de os ingleses atribuírem nomes de suas origens para os habitantes da colônia, já que não conseguiam pronunciar o nome de origem.

Ao terminar a escola, Nelson Mandela se matriculou no curso de Direito na Fort Hare, uma universidade sul-africana de prestígio e exclusiva para alunos negros. Porém, ao se juntar a movimentos estudantis e promover manifestações, acabou sendo expulso. Logo, se mudou para Johanesburgo e se matriculou na Universidade de Witwatersrand, onde além de cursar Direito, fez um bacharel em Artes na Universidade da África do Sul.
Foi em Johanesburgo que Mandela mudou sua visão de mundo e passou a ter contato diário com as desigualdades enfrentadas pelos negros como ele. Foi então que fundou Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), em parceria com alguns amigos na década de 1940. A Liga fazia parte da ala jovem do Congresso Nacional Africano, que era um movimento político criado na África do Sul, na década de 1910. Ao ganhar relevância dentro do movimento, ele foi eleito presidente do CNA em Transvaal, uma província da África do Sul, e se transformou no segundo homem mais importante desse movimento político.

A Prisão de Mandela
Em 1948, portanto, com a eleição de Daniel François Malan pelo Partido Nacional de extrema-direita, foi criado um regime de segregação que tirava vários direitos da população negra, ficando conhecido como Apartheid.
No início da década de 1950, Mandela se tornou o principal inimigo do governo e, junto ao CNA, passou a liderar lutas de resistência a partir da desobediência civil e sem o uso de armas. Porém, a repressão policial era extremamente forte e rigorosa, e acabou reprimindo qualquer ato contra o Estado. Foi então que Nelson Mandela decidiu abandonar a resistência pacífica e aderir ao caminho da resistência armada, mas foi preso sob a acusação de ter organizado uma greve e sair do país sem autorização em uma viagem para países como Inglaterra, Marrocos e Etiópia, onde buscava apoio contra o Apartheid e passou por treinamento militar.

Já preso, Mandela foi condenado à prisão perpétua, porém chegou a receber negociações para ser solto em troca de abandonar sua luta contra o Apartheid, mas negou. Ele ficou 27 anos vivendo longe do que mais defendia, a liberdade.
A soltura de Mandela
Em 1989, a presidência da África do Sul passou a ser de Frederik de Klerk, que entrou em uma encruzilhada com a pressão internacional e o risco de uma guerra civil em seu país caso o regime de segregação racial continuasse. Foi então que, em 1990, Nelson Mandela foi solto e se juntou à Klerk para que, juntos, pudessem trabalhar na reconstrução de seu país e dar fim ao Apartheid. Em 1993, os dois receberam o prêmio Nobel da Paz pela luta contra a desigualdade, mas essa não chegou a ser sua única conquista ao sair da prisão.

Em 1991, Mandela se tornou presidente do CNA e, em 1994, se tornou o primeiro presidente negro da história da África do Sul. Ele governou o país até 1999, quando se retirou da política. Em 2004, se afastou da vida pública e faleceu em 5 de dezembro de 2013 em Johanesburgo por problemas respiratórios.

Seu legado se mantém vivo mesmo onze anos após a sua morte e Nelson Mandela se tornou símbolo da luta contra a desigualdade social, que ainda é atual no mundo inteiro, mas sua vida dedicada à luta inspira a resistência de milhões de pessoas, pois como ele mesmo diz, “Eu não tive vontade de nascer livre. Eu nasci livre. Livre em todos os sentidos possíveis”.
