Foto Capa: reprodução/instagram/@gresunidosdelucas
Por Bernardo Magno
Quarta colocada da Série Prata em 2024, a Unidos de Lucas, popularmente conhecida como Galo de Ouro da Leopoldina, ficou a apenas quatro décimos do título da Série Prata no último carnaval e para o acesso à Marquês de Sapucaí e a Série Ouro, algo que não acontece com a escola desde o carnaval de 1995.
A escola será a sexta a passar na estrada Intendente Magalhães no domingo de Carnaval (2/3/2025) com o enredo ‘As lambanças de dois cabras da peste, o testamento, alguns tostões e o livramento da Compadecida’’.
Na final, havia três obras com o desejo de serem entoadas pela comunidade amarela e vermelha da zona norte.
Já passavam das 4h30 da manhã, quando a voz de Vinny Machado, o intérprete da escola, anunciou o samba campeão.
Para Ricardo Ferreira, um dos compositores do samba campeão, foi “indescritível. Para mim e meus parceiros Erick e Kaíque, nossa estreia como compositores campeões será no Galo de Ouro; o restante da parceria já tinha sido campeão no Feitiço Carioca. Mas o sentimento de orgulho e realização pessoal em ter o nome na história de uma escola tão tradicional como a Unidos de Lucas é o mesmo para todos nós. Esse é só o começo da nossa trajetória nessa escola gigantesca no Carnaval carioca’’.
Enquanto Erick Marques explica o processo criativo na hora de compor, “desde o início era consenso entre a parceria de que o samba deveria ter uma melodia com pegada nordestina, por razões óbvias. Além disso, queríamos um samba leve, para cima, bem animado, pois o Auto da Compadecida, apesar de expor a vida dura do povo mais humilde do sertão, faz isso sempre com muito bom humor. A história é hilária! Isso pedia um samba também leve e alegre”.
“A primeira ideia que propus em relação ao refrão de meio era que ele faria referência aos animais da história: cavalo (bento), cachorro (que “deixou testamento”) e gato (que “descome” dinheiro). A galera topou. A partir dessa primeira ideia, veio o primeiro verso falando do cavalo bento e eu gostei da repetição de “vem Chicó”, achei melodicamente animado, dava uma alegria. Mas, por se tratar de um refrão, que é cantado duas vezes, a repetição de um verso significa que ele vai ser cantado 4 vezes. Achei exagerado. Pensei que seria uma boa solução manter só o “vem Chicó” e variar o início do verso”, explica o compositor.
Ele continua lembrando, “daí me veio à cabeça aquela canção do Alceu Valença, Anunciação, que tem o verso “No teu cavalo peito nu cabelo ao vento”. É linda essa imagem e remete imediatamente a alguém cavalgando, os cabelos esvoaçando. Assim que cheguei ao verso “Cabelo ao vento galopando vem Chicó”.

O samba que estará na passarela é de autoria dos compositores: Ricardo Ferreira, Erick Marques, Breno Medeiros, Haru Oliveira, Lucas Farias, Kaíke Rocha, Clara Vidal e Juan Reis.
Veja como ficou a letra:
Foi Mestre Suassuna quem contou pra mim
Não sei dizer, só sei que foi assim…
Unidos de Lucas, amor de uma vida
Vem celebrar o Auto da Compadecida!
De lá do meu Nordeste
Dois “cabra da peste” são inspiração
Falo de Chicó e João Grilo
Fiel espelho de um povo lutador
Na sacristia a ganância foi morar
Onde a fé e malícia sempre vão se encontrar
A cada passo a lambança sai pior
Vela o bicho em latim ou ligue a ira do Major
Cavalo bento na garupa vem Chicó
Cavalo bento na garupa vem Chicó
O testamento é do cachorro do padeiro
Pode acreditar, o gato descome dinheiro!
Cabelo ao vento galopando vem Chicó
Cabelo ao vento galopando vem Chicó
O testamento é do “cachorro do padeiro”
Pode acreditar, o gato descome dinheiro!
No rifle do bando de Severino se decide o destino
De toda a gente do lugar
Mas no calor do julgamento
A astúcia de João Grilo
Chama por Nossa Senhora
E o livramento lhe chegou em boa hora!
No sopro da gaitinha “o milagre aconteceu”
Com as bênçãos de Maria
Nosso herói sobreviveu
Riu na cara do Tinhoso
Debochou do “Cramuião”
Ficou rico, ficou pobre… Nas quebradas do sertão!
