Foto Capa: reprodução/estádios.net
Por Ryan Leal
Segundo maior estádio da Copa do Mundo de 2014, o Estádio Mané Garrincha, localizado em Brasília, no Distrito Federal, vive o desafio de ser construído em uma região sem tradição futebolística forte, sem clubes locais capazes de justificar a capacidade de 72788 lugares. O Em Todo Lugar dá início a uma série de matérias sobre os estádios construídos para o Mundial que têm o seu uso questionado até os dias atuais.
Com a escolha do Brasil como sede para a Copa do Mundo de 2014, era natural que a capital do país fosse escolhida como uma das cidades do evento a ser realizado no país. No processo de planejamento da reforma do estádio, a ideia inicial era construir um estádio compatível com o contexto do futebol brasiliense, com 45 mil lugares para a Copa do Mundo, sendo 15 mil provisórios, totalizando 30 mil lugares para o estádio após a realização da competição.

Tirando o Mané Garrincha, os principais estádios do Distrito Federal são o Serejão (capacidade para 27 mil pessoas) e o Bezerrão (capacidade para 20 mil pessoas), usados respectivamente pelo Brasiliense e pelo Gama, maiores times do estado. O projeto de um estádio de Copa do Mundo com 30 mil lugares em Brasília seria uma forma de buscar desenvolver o futebol candango.
Porém, diante do impasse quanto à definição do estádio em São Paulo (havia dúvida se o Morumbi seria reformado ou se o Itaquerão seria construído), que foi apontada pelo Comitê Organizador da Copa como cidade-sede da estreia do Mundial, foi ventilada a possibilidade da abertura sair da capital paulista. Diante disso, Brasília começou a se ver como candidata a receber a estreia da Copa e descartou o projeto de 45 mil lugares, montando um projeto maior visando a inauguração do evento.
Junto à ideia de abertura da Copa, o governo do Distrito Federal tinha ideia de fazer Brasília como palco constante de grandes shows de artistas internacionais, que normalmente restringem suas apresentações em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. O bom momento econômico que o Brasil vivia no final dos anos 2000 também foi fundamental para a “empolgação” dos governantes na montagem do projeto dos estádios de diversas cidades do país.
Por fim, o Mané Garrincha foi reformado com mais de 70 mil lugares e custou um total de R$1,4 bilhão, sendo o estádio mais caro da Copa do Mundo no Brasil. Inaugurado em 2013, o estádio recebeu a estreia da Copa das Confederações daquele ano, mas não ficou com a abertura da Copa do Mundo no ano seguinte. Na disputa do Mundial, a arena recebeu sete jogos, incluindo a disputa do 3º lugar.
Desde a sua reinauguração, o principal uso do Mané Garrincha é em partidas pontuais de times do sudeste que vendem os seus mandos para jogarem na capital do país, onde costumam ter grande público. O Flamengo é o segundo clube com mais partidas no estádio, com 32, perdendo apenas para o Brasiliense, com 34 partidas. A seleção brasileira possui sete partidas na arena, incluindo a goleada sofrida para a Holanda na Copa de 2014.

Além da Copa do Mundo e da Copa das Confederações, também foi sede das Olimpíadas de 2016 e da Copa América de 2021. Seu jogo com maior público foi na fase de grupos da disputa do futebol masculino nos Jogos Olímpicos de 2016, no empate em 0 a 0 entre a seleção brasileira e a África do Sul, com mais de 69 mil pessoas presentes.
O estádio também é palco oficial da decisão da Supercopa do Brasil, realizada anualmente desde 2020 no início da temporada do futebol no país. Apenas em 2022 que o Mané Garrincha não recebeu a competição, em razão da alta taxa de casos de COVID-19 em Brasília.

Sem jogos regularmente, a solução encontrada pela administração do estádio foi transformá-lo em uma arena multiuso. São centenas de eventos diversos realizados por ano no local, além de diversos camarotes que foram transformados em espaços comerciais para prover a instalação de empresas na arena.
Atualmente o Mané Garrincha é administrado pela Arena BSB, que adquiriu a concessão do estádio por 35 anos em 2019, passando a ter o nome comercial de Arena BRB Mané Garrincha desde então. Antes, o estádio estava sob cuidados do governo do Distrito Federal.
