Foto capa: Reprodução/Mariapumar Indústria
Por Laryssa Leite
O som das orquestras ecoa pelas ruas, os passistas deslizam e giram com passos frenéticos, e uma explosão de cores toma conta das ladeiras de Olinda e das avenidas do Recife. O frevo não é apenas um ritmo: é um furacão de alegria, uma energia pulsante que toma conta de quem o vê, ouve e sente.
Nascido no final do século XIX, o frevo ferve — e não à toa seu nome vem do verbo “ferver”. Suas raízes misturam marchas militares, polcas e a agilidade da capoeira, resultando em uma dança desafiadora, cheia de saltos e acrobacias que desafiam a gravidade. Não há espaço para cansaço: quando o frevo toca, o corpo responde.

Os pequenos guarda-chuvas coloridos, marca registrada dos passistas, surgiram como um apoio improvisado para os bailarinos e, hoje, são símbolos incontestáveis da festa. Eles rodopiam, se agitam no ar e fazem parte da coreografia, transformando o frevo em um verdadeiro espetáculo.
O frevo se manifesta de três formas, todas vibrantes e inesquecíveis:
Frevo de Rua: Puro, instrumental, explosivo. As bandas arrastam multidões com suas melodias aceleradas e arrebatadoras.
Frevo de Bloco: Mais melódico e poético, embalado por corais e instrumentos de corda, tocando fundo no coração dos foliões.
Frevo Canção: Com letras que falam de amor, saudade e Carnaval, convida todos a cantar e se entregar ao ritmo.
Mais do que um ritmo, o frevo é uma identidade. Sua grandiosidade foi reconhecida internacionalmente, tornando-se Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2012. Para garantir que essa tradição nunca se apague, o Recife abriga o Paço do Frevo, um espaço dedicado à história, aos ensinamentos e às novas gerações de frevistas.
Seja nos braços de um passista experiente ou no coração de quem pisa no Carnaval pernambucano pela primeira vez, o frevo é um convite irrecusável: venha viver essa febre, venha sentir o calor da folia, venha ferver com Pernambuco.
