Como projetos sociais no esporte transformam o futebol  

Por Daniel França 

Os projetos sociais na área do esporte oferecem oportunidades para pessoas que teriam pouco ou nenhum acesso a práticas esportivas. Indo além da competição e do entretenimento, o desporto se consolida como uma grande ferramenta de transformação popular, principalmente quando ligado a ações comunitárias. Crianças e jovens com baixas condições financeiras encontram nessas iniciativas um ambiente acolhedor, onde podem superar desafios, desenvolver habilidades e criar novas perspectivas para o futuro, fazendo do esporte um meio de redução das desigualdades sociais e promovendo inclusão, educação e saúde. 

Essas ações sociais oferecem também uma alternativa saudável e estruturada para o tempo livre dos jovens, afastando-os de situações de risco, como violência e envolvimento com drogas. “Onde existem programas de apoio ao esporte para crianças e adolescentes, observa-se uma queda anual de 30% da criminalidade”, afirmou o coordenador do escritório da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, Pedro Lessa. Ou seja, a prática esportiva pode fazer com que crianças e jovens criem uma rotina disciplinada, reduzindo a vulnerabilidade a influências negativas e incentivando um estilo de vida mais seguro, saudável e produtivo. 

Um dos grandes exemplos de projetos sociais no Rio de Janeiro é a “Taça das Favelas”, um campeonato que mobiliza jovens, promovendo a inclusão social através do futebol. O evento, organizado pela Central Única das Favelas (CUFA), foi criado em 2012 e hoje é considerado o maior torneio de futebol entre periferias do mundo. Seu objetivo é dar visibilidade a jovens talentos que não tiveram oportunidades, seja por baixa condição financeira ou falta de estrutura. Além da competição, a Taça das Favelas desempenha um importante papel social, incentivando crianças a seguirem um caminho no esporte. Muitos jogadores que passaram pelo torneio conseguiram oportunidades em clubes profissionais, mostrando o grande impacto transformador do campeonato para o esporte. 

Moquiço campeão da Taça das Favelas. Créditos: ge.globo 

Um dos mais famosos a sair da Taça das Favelas é o jogador Patrick de Paula. Em 2017, Patrick foi destaque jogando pelo Complexo Santa Margarida, na zona oeste do Rio de Janeiro, e, após as boas atuações no torneio, o Palmeiras acertou sua contratação quando ele já tinha 18 anos. Pelo Verdão, foi campeão da Copa do Brasil e bicampeão da Libertadores, atuando por pouco mais de duas temporadas no alviverde. No começo de 2022, foi vendido para o Botafogo por 6 milhões de euros (R$ 33 milhões na época), tornando-se a contratação mais cara da história do Glorioso até aquele momento. 

Patrick de Paula. Créditos: Vitor Silva 

Outro nome, menos conhecido, revelado pelo torneio é o jogador Matheus Alessandro. Na primeira edição, em 2012, Matheus, com 16 anos, jogou pela equipe de Vila Vintém, uma favela da zona oeste do Rio, e foi o destaque do time naquele ano, o que acabou chamando a atenção do Fluminense. O Tricolor Carioca contratou o garoto para integrar o time sub-17 e, em 2017, ele foi lançado ao futebol profissional. Matheus Alessandro esteve vinculado ao Fluzão até 2020 e ainda teve passagens por clubes como Fortaleza, Ponte Preta, Volta Redonda e Santa Cruz. Atualmente, encontra-se no Boavista-RJ. 

Matheus Alessandro, créditos: ge.globo 

Investir em projetos sociais na área do esporte é uma estratégia eficiente para transformar vidas e comunidades. Eles oferecem muito mais do que lazer e diversão, proporcionando novas oportunidades, melhorando a saúde, incentivando a educação e contribuindo para a construção de um futuro melhor. Apoiar e expandir essas iniciativas é fundamental para uma sociedade mais justa e inclusiva. 

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