Foto Capa: Naomi Nicolau
Por Ellen Abreu
A Beija-Flor de Nilópolis mostrou mais uma vez porque é muito mais do que uma escola de samba: é um símbolo vivo de identidade, cultura e pertencimento. O desfile na Mirandela transformou a cidade em um grande palco popular, onde a comunidade não apenas assistiu, mas participou ativamente de cada momento.

Com o enredo “Bembé”, a escola trouxe para a Baixada Fluminense a força do Bembé do Mercado, manifestação profundamente enraizada na cultura afro-brasileira e celebrada em Santo Amaro. Foi um encontro simbólico entre territórios e tradições, mostrando como o samba é capaz de conectar histórias e resistências.

Mesmo tendo ficado a apenas 0,1 décimo do título no Carnaval, a Beija-Flor reafirmou que, para sua comunidade, o resultado oficial pouco importa. O cuidado com cada detalhe, ainda que fora de competição, reforça o compromisso da escola com a excelência e, principalmente, com o respeito ao seu povo.

Um dos grandes destaques da noite foi a presença de Jessica Martin, apontada como herdeira do legado de Neguinho da Beija-Flor. Sua conexão com o público, especialmente com as crianças, mostrou que o futuro da escola já está sendo construído com carisma e talento. Ao lado de Ninno Abravanel, formou uma dupla afinada que conquistou a arquibancada.

Outro momento marcante foi a homenagem ao lendário casal Selminha Sorriso e Claudinho da Beija-Flor, referência de elegância e tradição no sambódromo, aplaudidos com emoção pelo público.

Com capoeira, fogos e uma bateria pulsante, o desfile terminou em clima de celebração coletiva, ecoando o grito “isso aqui vai virar macumba” um verso que já nasce com cara de clássico.

Mais do que espetáculo, o que se viu foi uma reafirmação cultural poderosa, onde a Beija-Flor não apenas desfila: ela ensina, emociona e mantém viva a alma do Carnaval carioca.

