Foto capa: Revista África e Africanidades
Por Laryssa Leite
O Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente, comemorado em 24 de janeiro, é uma data que marca a valorização das culturas africanas e das populações afrodescendentes ao redor do mundo. Instituída pela UNESCO em 2019, essa celebração busca reconhecer e promover a contribuição dos povos africanos e afrodescendentes para a história global, além de reforçar a importância da preservação de suas tradições e da luta contra o racismo e as desigualdades que ainda persistem.
Essa data não é apenas um marco de celebração, mas também um convite à reflexão sobre a importância de respeitar e valorizar as culturas negras, reconhecendo as suas profundas influências nas sociedades contemporâneas. Além disso, busca estimular a luta contra o racismo estrutural e garantir os direitos dos afrodescendentes em todo o mundo.
A cultura africana é um vasto e diversificado conjunto de tradições, religiões, expressões artísticas, linguísticas e sociais que variam de região para região, mas que compartilham uma profunda conexão com a natureza, a coletividade e a espiritualidade. Quando os africanos foram forçados a deixar suas terras durante a escravidão, suas culturas resistiram e se transformaram ao longo do tempo, gerando um legado cultural único e poderoso.

A música, a dança, a culinária, a religião e as manifestações artísticas são apenas algumas das áreas em que a contribuição africana e afrodescendente é notável. Estilos musicais como o samba, o jazz, o funk, o blues, o reggae, a hip hop, entre outros ritmos, têm raízes profundas na cultura africana e afrodescendente. Da mesma forma, a literatura afrodescendente, com autores que exploram a identidade, a memória e a resistência, continua a expandir suas fronteiras e a influenciar gerações.
Ao longo da história, diversos indivíduos desempenharam um papel fundamental na luta pela igualdade e pelos direitos dos negros, deixando um legado importante para as futuras gerações.
Zumbi dos Palmares: Líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi é um dos maiores ícones da resistência negra no Brasil. Seu nome representa a luta pela liberdade, contra a escravidão e a opressão.

Machado de Assis: Um dos maiores escritores da literatura brasileira, Machado de Assis, apesar de ser filho de ex-escravizados, foi um marco na literatura mundial. Sua obra abrange críticas sociais profundas, abordando questões de racismo e identidade.

Carolina Maria de Jesus: Escritora e poeta, autora do livro “Quarto de Despejo”, deu voz à realidade de muitas mulheres negras periféricas, apresentando a vida nas favelas e a luta pela sobrevivência.

Cláudia Silva Ferreira: Uma mulher negra, assassinada de forma brutal pela polícia no Brasil, simboliza a resistência contra a violência racial e a discriminação. Sua morte gerou uma mobilização por justiça e direitos humanos.

Além desses nomes, podemos destacar também personalidades do movimento negro internacional como Nelson Mandela, que lutou pela liberdade e igualdade na África do Sul, e Martin Luther King Jr., que protagonizou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
O Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente é uma oportunidade para revisitar e reconhecer a importância das contribuições desses povos em diversos aspectos da sociedade. Além das manifestações culturais, a data também promove discussões sobre o enfrentamento das desigualdades raciais e a valorização da identidade negra.
Eventos, festivais culturais, exposições e rodas de conversa são algumas das formas de celebrar e refletir sobre a cultura afrodescendente. O Brasil, por exemplo, possui uma enorme riqueza cultural herdada dos africanos, que pode ser vivenciada e promovida através da música, dança, culinária, literatura e outras formas de expressão.

Em um cenário onde as questões raciais continuam sendo um dos maiores desafios das sociedades contemporâneas, a celebração desse dia é uma forma de garantir que as vozes dos afrodescendentes sejam ouvidas e que suas culturas sejam respeitadas e valorizadas.
Essa data de hoje nos convoca a refletir sobre a importância da resistência, da memória e da celebração da riqueza cultural dos povos africanos e seus descendentes. Ao recordar nomes importantes como Zumbi dos Palmares, Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus, entre outros tão importantes, somos lembrados de que a luta pela igualdade, pelo respeito e pela valorização da identidade negra é contínua e deve ser abraçada por todos, independentemente de sua cor ou origem.
Por meio da educação, da cultura e do reconhecimento, podemos construir uma sociedade mais justa e inclusiva para todos.
