Foto capa: Divulgação/UNIFACHA
Por Sabrina Oliveira
Na quinta-feira (20/03), as cadeiras do auditório da UNIFACHA estavam ocupadas por estudantes envolvidos na história emocionante do filme “Kasa Branca”, em meio a momentos de risadas e silêncio atento, todos estavam concentrados na vida de Dé (Big Jaum), acompanhado de seus dois melhores amigos Adrianim (Diego Francisco) e Martins (Ramon Francisco), e sua missão de proporcionar momentos memoráveis para sua avó Almerinda (Teca Pereira) em seus últimos tempos de vida com o Alzheimer.

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Após a reprodução, Luciano Vidigal e Cavi Borges, respectivos diretor e produtor do longa, foram recebidos com aplausos para conversar sobre o processo de criação e suas trajetórias no cinema independente brasileiro, em comemoração aos 10 anos do curso de Cinema e Audiovisual da universidade.
Vidigal e Borges comentam sobre o senso de comunidade expresso no filme, a representação multidimensional da periferia, além da violência, e sobre as camadas existentes além da história do personagem interpretado pelo Big Jaum – a descoberta da sexualidade, um impasse amoroso, a vida de uma mãe solo que sonha em ser artista – que andam em sintonia para compor a obra cinematográfica.
“Eu acho que cinema também é psicanálise, então eu comecei a entender coisas do meu subconsciente que estavam no roteiro como a ausência paterna, isso é uma coisa da minha vulnerabilidade e queria que isso tivesse no filme. O senso comunitário, também, foi muito natural, o que é verdade, a favela tem isso, o coletivo é muito forte” discorre Luciano.
O debate percorre pela a construção do roteiro, inspirado em uma história real, a escolha do elenco, o papel indispensável da produção e até alguns perrengues por trás das câmeras, com muitas perguntas direcionadas aos debatedores, agregando conhecimento para os futuros cineastas. Luciano usa a frase de Mano Brown “tá bom, mas tá pouco” para chamar atenção para a importância do movimento negro dentro do cinema brasileiro, ainda que houve um avanço nessa representatividade, é uma luta ancestral e há a necessidade de afastar o olhar elitizado e abrir portas para a diversidade rica existente no Brasil.
Ao final do bate-papo, Cavi e Luciano motivam os alunos a cultivarem o cinema brasileiro, buscarem inspirações dentro desse mundo tão vasto e forte culturalmente.
