Foto Capa: reprodução/gettyimagens
Por Larissa Reyes
A escolha para o tema do Met Gala 2025 – organizado e presidido por Anna Wintour desde 1995 – tornou-se uma celebração anual da moda para arrecadar fundos para o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art. O tema atraiu muita atenção positiva pelo foco, após mais de duas décadas, em homens e um movimento cultural da população negra. O evento que aconteceu no Dia do Patrimônio Mundial Africano, teve como foco a celebração do Dandismo Negro, movimento cultural e estético que representa a elegância refinada e a autoafirmação da população negra. Esse tema reflete muito mais do que uma simples expressão de moda: ele simboliza a resistência e reinvenção na diáspora negra, que foi inicialmente imposto aos homens negros na Inglaterra do século XVIII, quando o comércio de escravos no Atlântico e uma cultura emergente de consumo visível geraram uma moda no negro dandificado. Por isso, as apostas para esse ano são de um tapete rico em referências, elegância e respeito.
Para celebrar esse movimento, os anfitriões da noite serão: A$AP Rocky, Pharrell Williams, Colman Domingo, Lewis Hamilton e a curadora vitalícia do Met Gala, Anna Wintour. Uma decisão com riqueza de variedades, unindo os mundos cinematográfico, musical e esportivo ao da moda. O jogador de basquete do Los Angeles Lakers e um dos maiores de todos os tempos em sua profissão, LeBron James, foi o escolhido para ser o presidente de honra desta edição, mas infelizmente não compareceu ao evento por uma lesão.

A motivação por trás do apuramento da temática
O maior evento de moda do mundo teve como inspiração para sua decisão o livro de Monica L. Miller: Slaves to Fashion: Black Dandyism and the Styling of Black Diasporic Identity. A obra é uma história cultural pioneira do dândi negro, desde seu surgimento na Inglaterra iluminista até suas encarnações contemporâneas nos mundos da arte cosmopolita de Londres e Nova York. Com interpretações e representações do dandismo negro em ambientes culturais específicos e textos literários e visuais, Monica L. Miller enfatiza a importância do estilo de alfaiataria para a formação da identidade negra na diáspora atlântica. A preparação para o evento está sendo feita de maneira minuciosa e cuidadosa. A autora alinhou as ideias com o curador oficial do Met Gala, Andrew Bolton, para destacar como elementos específicos da exposição se combinam com os principais temas de seu livro, participando ativamente das decisões feitas para uma celebração tão marcante.
Tendências e celebridades destaques no tapete de 2025
As expectativas de todos os especialistas estavam altas pelas trends que se espalhariam entre as celebridades na segunda-feira marcada pelo Met. Com um tema tão sofisticado, era previsto o retorno de elementos clássicos como a moda ballroom, ternos, maximalismo e peças feitas sob medida, além de maquiagens com tons avermelhados para os lábios e olhos vibrantes, com formatos ousados e metálicos.
As celebridades enriqueceram o tapete azul desta edição e superaram todas as expectativas colocadas no evento. Diante de um tema tão desafiador para se acertar e prestar respeito, o Met Gala 2025 entrou para a história como uma das cerimônias com as melhores referências e destaques dos últimos anos, que se concretizaram como básicos, mesmo com tantas oportunidades de exploração criativa.
Entre tantos nomes que passaram pelo tapete, quatro homens e quatro mulheres chamaram atenção por sua excelência nas escolhas de roupa e por adicionarem um traço de sua personalidade, acrescentando ainda mais significado ao dress code do ano.
A cantora e modelo Sabrina Carpenter impressionou ao aparecer com uma peça feita pelo anfitrião Pharrell Williams com a marca Louis Vuitton, arriscando em um terno vinho cavado que reforçou sua forte personalidade, sem excluir sua elegância.

A rapper Doechii, que rapidamente se tornou reconhecida no mundo da moda por sua identidade visual muito bem trabalhada, também se vestiu com a marca Louis Vuitton, optando por um terno mais tradicional e branco, com uma gravata vinho. A cantora detalhou sua maquiagem com o logo da LV, destacando ainda mais a quem estava representando.

Jennie e Rihanna, por mais que estivessem com roupas semelhantes às de outras celebridades, conseguiram se destacar por sua singularidade na decisão dos detalhes. Jennie, do BLACKPINK, equilibrou maximalismo e delicadeza, reinterpretando o traje masculino com um vestido e chapéu neutros da Chanel.

A icônica Rihanna chamou atenção não somente por sua gravidez revelada no tapete, mas também por sua junção de terno com vestido, adequando-se ao conceito do tema com sua própria identidade, em parceria com Marc Jacobs, sem deixar de fora um chapéu preto que escondeu seu cabelo, fechando a noite com maestria.

Um dos tópicos mais discutidos em todos os anos é a dificuldade para os homens presentes saírem do óbvio para explorar o mundo da moda, o que foi bastante discrepante neste ano, em que os homens puderam se arriscar sem sair por completo de suas zonas de conforto — os ternos. Os principais da noite foram: os anfitriões A$AP Rocky, Lewis Hamilton e Colman Domingo, além de Caleb McLaughlin e Khaby Lame.
O rapper e anfitrião A$AP Rocky encantou o público com a revelação de que idealizou seu traje inteiramente sozinho para o Met, com sua agência criativa, e mesmo assim utilizou uma roupa tão memorável diante de tanta expectativa por sua chegada. “Ah, essa roupa? Foi feita sob medida para mim, por mim”, o cantor declarou em uma entrevista, relembrando a todos sua genialidade não somente na música, mas também no mundo fashion.

Os atores Khaby e Caleb chamaram atenção por seus cuidados com os detalhes que compuseram suas roupas, arriscando em elementos diferenciados, como os relógios em meio ao terno de Lame e a variedade de cores nas luvas e colarinho de McLaughlin, que completou seu look com uma bengala.


O piloto Lewis Hamilton, que é constantemente aberto sobre sua vontade crescente de participação na moda, chegou ao evento com Anna Wintour e Colman, em um traje completamente bege e uma boina da mesma cor, pela marca Louis Vuitton. Mesmo simples, pode ser uma atitude arriscada, mas, como em todos os anos, tornou-se um dos destaques da noite. O ator Colman se vestiu com Valentino em uma homenagem a André Leon, primeira pessoa negra a servir como diretor criativo da Vogue. Sua capa azul recorda uma de suas roupas de 2011, em uma ocasião perfeita para honrar o estilista.

Importância do tema no Dia do Patrimônio Mundial Africano
A data, criada em 2015 para celebrar as heranças culturais e artísticas, é comemorada no dia 5 de maio, a primeira segunda-feira do mês, que todos os anos é marcada pelo Super Bowl da moda. A tradição já está enraizada e é conhecida por todos os famosos, que acompanham atentamente os detalhes do evento e fazem uma ampla busca relacionada ao tema do ano, em junção com as marcas de luxo que marcarão presença por meio de suas peças de roupa. Com a escolha da temática “Superfino: o estilo negro na alfaiataria”, o tapete estará repleto de uma moda que une identidade e resistência, o que ultrapassa o foco da disputa apenas pela roupa mais luxuosa da noite e engloba uma construção estética e política.

otíma matéria! muito bem escrita e muito interessante
CurtirCurtir