Foto capa: William West/AFP
Por Natália Magnani
Após três meses sem uma corrida de Fórmula 1, a categoria voltou com tudo para a primeira prova do ano no circuito de Albert Park, na Austrália. Com o novo ano marcado por uma das maiores mudanças de regulamento dos últimos tempos, George Russell conquistou uma vitória dominante, liderando a dobradinha das “Flechas de Prata” com o jovem prodígio Kimi Antonelli em segundo. A italiana Scuderia Ferrari consolidou-se como a segunda força, mas não teve ritmo suficiente para ameaçar a vitória do piloto britânico. O monegasco Charles Leclerc completou o pódio em terceiro, seguido de perto pelo heptacampeão, Lewis Hamilton.

Uma das melhores surpresas desse final de semana foi o desempenho de Gabriel Bortoleto e a reafirmação do porquê ele é uma das maiores promessas do grid. Em sua primeira corrida oficial como piloto da Audi, Bortoleto largou do meio do pelotão, evitou as confusões iniciais e manteve um ritmo constante. O brasileiro cruzou a linha de chegada em nono lugar, somando os dois primeiros pontos da equipe alemã na categoria e garantindo um resultado vital para a Audi em sua temporada de estreia. Também vale destacar a atuação do tetracampeão da categoria Max Verstappen, que largou na vigésima posição após uma batida no início da classificação e escalou o grid para terminar a prova em sexto lugar. O holandês foi eleito o piloto da corrida pelos fãs e não se pode subestimar a sua participação na disputa pelo título de 2026.
Além das grandes disputas, a confiabilidade foi uma das vilãs do dia para parte das equipes. O GP registrou cinco abandonos, com diversos carros sofrendo com o superaquecimento e falhas nos novos sistemas híbridos. Entre os que não completaram a prova estão Fernando Alonso, Valtteri Bottas e Isack Hadjar. No entanto, o momento mais chocante ocorreu antes mesmo das luzes se apagarem. O herói local, Oscar Piastri, sofreu uma batida a caminho de posicionar seu carro no grid. O australiano perdeu o controle da sua McLaren ao aquecer os pneus, colidindo contra o muro e deixando os milhares de torcedores em Albert Park em absoluto silêncio. O piloto alemão e companheiro de equipe de Gabriel Bortoleto, Nico Hulkenberg, também não largou devido a um problema hidráulico na unidade de potência identificado na volta de formação.

Apesar do drama mecânico, o GP da Austrália confirmou as expectativas mais otimistas da FIA e da Liberty Media: o novo regulamento aerodinâmico auxiliou mais disputas dentro de pista, com um total de 120 ultrapassagens em Melbourne – 75 a mais em comparação com 2025 – em um momento em que o circuito estava sendo alvo de reclamações por conta dos resultados previsíveis das edições anteriores. A expectativa para o restante da temporada é de corridas muito mais dinâmicas, com o gerenciamento inteligente da energia elétrica se aprimorando cada vez mais durante o restante da temporada.
O GP da China é a próxima prova da temporada, acontecendo já nas madrugadas dos dias 13, 14 e 15 de março, no horário de Brasília. Famoso por suas extensas retas, o circuito de Xangai deve favorecer ainda mais o sistema de ultrapassagens e proporcionar disputas por todo o grid. Em um campeonato que começou sem um dono claro, a China será o palco onde as estratégias de energia serão levadas ao limite.

