Foto Capa: reprodução/FachaHub
Por Arthur Líbero
Ao longo do debate, as duas contaram um pouco de suas experiências trabalhando na frente e atrás das câmeras e tendo um contato diário com seu público. Luana, que começou na Band ainda como estagiária, hoje é chefe de reportagem da rádio e falou sobre a falta de representatividade feminina em cargos de chefia, “nas redações, é comum vermos muitas mulheres trabalhando, mas como chefes elas são minoria”.

Já Ágatha, que apresenta o BandNews Rio – 1ª Edição ao lado de Rodolfo Schneider e Vinícius Dônola, falou sobre seu papel sendo a única mulher em um dos programas matinais de rádio mais ouvidos do estado, “meu jornal é apresentado por mim e mais dois homens, e quando eu não vou, normalmente a Luanna me substitui na bancada. A gente acha que é importante colocar as mulheres para falar sobre temas que só elas sabem o que passam. Quando a gente tem uma pauta de feminicídio, por exemplo, fica até feio não ter uma mulher para falar”.

Como chefe de reportagem, Luanna é quem escolhe qual repórter vai cobrir qual pauta e ela afirma que, nessa escolha, a identificação feminina com o tema também é um critério, “é fundamental que o jornalista se identifique com aquela pauta que ele está cobrindo e, no nosso caso, como mulheres, nós conseguimos imaginar a dor de uma mulher vítima de assédio ou violência porque, de certa forma, vivenciamos isso no dia a dia”.
Os alunos que estiveram presentes na palestra também levantaram debates importantes sobre o tema, trazendo suas próprias perspectivas para o centro do debate e abordando também algumas realidades centrais, como a falta de representatividade feminina e negra em bancadas de rádio. Wallace Nascimento, aluno do 7º período de jornalismo, falou sobre a baixa quantidade de mulheres negras como âncoras de programas de rádio e a coordenadora do curso propôs um desafio para o auditório: lembrar mulheres negras que são referência no radicalismo nacional, e a dura realidade foi mostrada quando poucos alunos lembraram apenas de um nome, Vivy Tenório, locutora do jornal O Dia.

Com muitas trocas e aprendizados tanto para quem estava na plateia, quanto para quem estava no palco, incluindo não só alunos, mas também professores, coordenadores e jornalistas com vasta experiência, todos saíram do evento com ainda mais informação e conhecimento que são fundamentais para dar o ponta pé inicial para uma mudança urgente e necessária.
