Dia da Revolução da Farroupilha: 191 anos do início da revolta que marcou a história do Rio Grande do Sul

Foto capa: Prefeitura de Canoas

Por Ana Carolina Magalhães

A história da Revolta

Após a abdicação de Dom Pedro I ao trono do Império em 1831 e a impossibilidade de seu herdeiro, Pedro II, governar, devido a sua idade, deu-se início ao Período Regencial brasileiro. Esse momento da História teve duração de 9 anos. No entanto, em decorrência de uma grande disputa pelo governo do Brasil, o período foi caracterizado por diversas revoltas e instabilidades políticas. Em meio a todos os conflitos, destaca-se a Revolta da Farroupilha.

Conhecida como a revolução mais longa do Período Regencial, a Guerra dos Farrapos ocorreu entre 1835 e 1845, no Rio Grande do Sul, em um contexto de insatisfação da elite comercial. Alguns grupos gaúchos, especificamente, donos de terra, reivindicavam questões econômicas imperiais ligadas a concorrência do charque, carne produzida na província. No entanto, a produção local enfrentava dificuldades relacionadas aos altos preços do alimento para o próprio país, fato que favorecia as vendas dos países concorrentes.

Foto: Wikipédia

A revolta teve início em 20 de setembro de 1835, com a tomada de Porto Alegre pelos farroupilhas, liderados por Bento Gonçalves. A partir desse dia, as elites começaram o processo de construir a República Rio-Grandense, ou República de Piratini, de modo a declarar separação total ao Império. A ampliação da revolta contou com participação forçada de homens negros e escravizados. O movimento espalhou-se e chegou em Santa Catarina em 1839, especificamente em Laguna, e houve declaração da República Juliana, que logo foi reprimida pelas forças imperiais.

Após quase 10 anos de conflito, o Império, governado por Dom Pedro II, chegou a uma negociação e, finalmente, ao fim da revolta em 1845. Para isso, foi assinado o Acordo de Poncho Verde, que ofereceu anistia aos guerreiros e vagas no Exército Imperial do Brasil. Ademais, foram negociadas as questões econômicas reivindicadas no início da revolução.

Como o conflito é visto nos dias de hoje

Atualmente, a história do conflito é analisada de diversas maneiras, principalmente, devido à maior incidência de debates ligados a escravidão. Além disso, o movimento reforça aos sulistas a identidade gaúcha e a autonomia regional, através do feriado do dia 20 de setembro, comemorado, anualmente, desde a década de 40. Ademais, existe a comemoração da Semana da Farroupilha, que começa no dia 13, e tem o objetivo de relembrar, homenagear e manter viva a memória dos líderes e dos participantes do movimento. Esse evento é caracterizado por desfiles, danças e vestimentas tradicionais do povo gaúcho durante toda a semana de comemoração.

Foto: Prefeitura Municipal do Rio Grande do Sul

Viviane Penso, formada em História pela UNISUAM (Centro Universitário Augusto Motta) e Doutora em Educação pela UFF (Universidade Federal Fluminense), foi entrevistada e disse um pouco sobre a percepção dessa revolta e como ela ainda impacta nos dias de hoje.

Questionada sobre as consequências que o conflito trouxe para o atual cenário brasileiro, Viviane diz: “Nós somos o resultado da nossa história”. A professora explica que, por se tratar de uma guerra elitizada protagonizada pelos proprietários de terra, a revolta foi um grande pilar para a maior incidência do preconceito regional no país. Isso porque, com a forte imigração europeia, impulsionada pelos governantes no início do Império, houve uma construção identitária regional excludente que se estende até dos dias atuais.

Além disso, a educadora traz como curiosidade a reprovação da população negra da região Sul em relação as homenagens feitas aos participantes da guerra na Semana da Farroupilha. Isso, de acordo com ela, ocorre porque os negros escravizados, na época do conflito, foram alvo de exploração por parte dos sulistas donos de terra e nunca retribuídos.

Foto: Conecta Parque

Em 2026, a Semana da Farroupilha apresenta programações do dia 8 a 20 de setembro, comemorando, a cada dia, uma entidade diferente. O tema escolhido para o ano foi “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”. Isso porque há 4 séculos é celebrada a fundação da redução de São Nicolau e o legado dos povos Guarino e das Missões Jesuíticas na identidade gaúcha.

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