Você é o seu algoritmo: LinkedIn, reputação e influência na construção de oportunidades

Foto Capa: Giovani Dietrich

Por Giovani Dietrich

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e conectado, construir uma boa reputação profissional vai muito além de enviar currículos. É necessário saber comunicar habilidades, desenvolver relacionamentos e utilizar as plataformas digitais de maneira estratégica. Esse foi o ponto central da palestra “Você é o seu algoritmo: LinkedIn, reputação e influência na construção de oportunidades”, conduzida por Lilian Cidreira, Fundadora da Future Minds, empresa brasileira de consultoria e desenvolvimento de carreira. O bate-papo contou com mediação de Eduardo França.

O encontro teve como principal objetivo orientar os estudantes sobre como se posicionar profissionalmente, desenvolver uma presença digital relevante e aproveitar as oportunidades disponíveis no mercado de trabalho.

Durante a palestra, Lilian destacou que o LinkedIn deve ser utilizado como uma ferramenta estratégica de construção de carreira, e não apenas como um espaço para procurar emprego. A plataforma permite apresentar experiências, habilidades, projetos e interesses profissionais, contribuindo para que recrutadores conheçam melhor os candidatos.

Um dos pontos abordados foi a importância de identificar as próprias competências. O perfil permite cadastrar até 100 habilidades, mas a palestrante ressaltou que não basta preencher essa seção sem estratégia. É fundamental selecionar competências que realmente representem o profissional e estejam relacionadas às áreas em que deseja atuar.

O posicionamento profissional começa antes mesmo da candidatura.

Outro aspecto importante foi a construção de um perfil que tenha personalidade e autenticidade. Segundo Lilian, utilizar textos genéricos e reproduzir conteúdos que todo mundo publica pode dificultar a diferenciação entre os profissionais. A inteligência artificial pode ser uma aliada na produção de conteúdo, desde que seja utilizada com consciência e sem substituir a identidade de quem escreve.

A palestrante também incentivou os estudantes a produzirem publicações próprias, compartilharem experiências e desenvolverem o hábito de escrever pelo menos uma vez por semana. O uso de fotografias nas publicações, especialmente imagens que transmitam proximidade e espontaneidade, também foi apontado como uma estratégia para aumentar o alcance e a interação.

Outro recurso mencionado foi a utilização de métricas para demonstrar resultados e experiências. Apresentar números, indicadores e resultados concretos em projetos e publicações pode tornar o perfil mais atrativo e evidenciar a capacidade de realização do profissional.

Palestra ocorrendo no auditório da UniFacha (créditos: Giovani Dietrich)

Foto 1: Palestra ocorrendo no auditório da UniFacha

Estratégia na busca por oportunidades

A procura por emprego também foi um dos temas centrais da conversa. Lilian chamou a atenção para o fato de que apenas uma pequena parcela das oportunidades de trabalho estaria visível diretamente no LinkedIn, mencionando o percentual de 5% durante a palestra. Por isso, recomendou que os estudantes não se limitem às vagas anunciadas na plataforma.

A orientação foi pesquisar empresas de interesse, acompanhar oportunidades, salvar vagas compatíveis com seus objetivos e utilizar palavras-chave relacionadas às competências exigidas pelas organizações. Para quem está começando, procurar posições de analista júnior e oportunidades de estágio pode ser uma forma de direcionar melhor a busca.

A palestrante também destacou a importância de compreender os sistemas ATS (Applicant Tracking Systems), utilizados por empresas para organizar e filtrar currículos. Nesse contexto, adaptar o currículo às exigências de cada oportunidade e utilizar palavras-chave pertinentes pode contribuir para que as candidaturas sejam identificadas pelos sistemas de recrutamento.

Sobre os processos seletivos, Lilian reforçou que receber respostas negativas não deve ser motivo para desistir. Caso o candidato não avance na seleção, é importante avaliar o que pode ser melhorado. Se o currículo não estiver gerando entrevistas, pode ser necessário revisar sua apresentação e suas experiências. Já quando o candidato chega à entrevista, mas não consegue avançar, o desenvolvimento das habilidades de comunicação e preparação pode fazer a diferença.

Em entrevista ao Em Todo Lugar a fundadora foi perguntada sobre se é plausível pagar por planos no Linkedin.  Foi ressaltado que não é necessário investir em assinaturas de planos pagos para construir uma boa presença profissional: o mais importante é saber utilizar os recursos disponíveis de maneira estratégica. A mensagem foi de resiliência, paciência e disposição para aprender.

Visibilidade, relacionamentos e desenvolvimento profissional

Além das ferramentas digitais, a palestra destacou que a construção de uma carreira também depende das relações desenvolvidas durante a formação acadêmica. Lilian incentivou os estudantes a se conectarem com professores, participarem de projetos, envolverem-se em atividades voluntárias e aproveitarem experiências que contribuam para o desenvolvimento de novas habilidades.

A orientação foi clara: ser visto e participar do ambiente acadêmico pode aumentar as chances de ser lembrado quando surgirem oportunidades. Nesse sentido, o networking não deve ser entendido apenas como uma troca de contatos, mas como a construção de relacionamentos genuínos.

Outro ponto levantado foi a importância de produzir um press kit, material que reúne informações relevantes sobre a trajetória, os projetos, as habilidades e os trabalhos desenvolvidos por um profissional. Essa ferramenta pode ajudar a apresentar sua identidade e seus resultados de maneira organizada.

Lilian também incentivou os estudantes a estudarem inglês, considerando que empresas globais podem contratar profissionais que residem no Brasil. A ampliação do conhecimento em outros idiomas pode representar um diferencial em processos seletivos e no desenvolvimento da carreira.

Durante sua fala, a palestrante trouxe uma reflexão importante sobre a construção do conhecimento: “Ninguém no planeta Terra tem 100% de conhecimento de alguma coisa.” A declaração reforçou que o início da trajetória profissional deve ser encarado como um processo de aprendizado contínuo. O mercado não espera que um profissional júnior saiba tudo, mas que tenha disposição, vontade de aprender e capacidade de contribuir.

O poder de construir o próprio caminho

O mediador Eduardo França também compartilhou reflexões sobre carreira e desenvolvimento profissional, apresentando orientações para que os estudantes pensem estrategicamente sobre seus próximos passos. A conversa abordou a importância de identificar interesses, reconhecer habilidades e buscar soluções para transformar objetivos em oportunidades.

A palestra também incentivou os alunos a não se prenderem exclusivamente à remuneração nas primeiras experiências profissionais. Participar de projetos, desenvolver competências e adquirir vivência prática podem representar investimentos importantes para o futuro.

A ideia de que é possível mudar de rota também esteve presente na discussão. Escolher uma área de atuação não significa permanecer nela para sempre. A carreira é construída por etapas, experiências e descobertas, e cada oportunidade pode contribuir para novos caminhos.

Ao longo do encontro, Lilian Cidreira e Eduardo França também responderam às perguntas dos estudantes, promovendo um espaço de troca de experiências e aproximação entre os conhecimentos apresentados e os desafios enfrentados por quem está ingressando no mercado de trabalho.

Mais do que ensinar a utilizar o LinkedIn, a palestra trouxe uma reflexão sobre protagonismo profissional: não basta esperar que as oportunidades apareçam, é necessário construir uma presença, desenvolver habilidades e demonstrar aquilo que cada pessoa tem a oferecer.

A principal mensagem deixada aos estudantes foi que a trajetória profissional não precisa seguir o caminho de todo mundo. É importante ter objetivos, reconhecer o próprio potencial, agir com autenticidade e, principalmente, não desistir diante das dificuldades.

Afinal, construir oportunidades também é uma questão de atitude: poder é querer, mas querer exige movimento.

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