A nova era das substituições

Por Idries Bulkool Bernstein 

Devido a pandemia causada pelo novo coronavírus, a FIFA, em caráter provisório, passa a permitir outras duas substituições durante as partidas de futebol. Assim, fica a critério das federações a decisão, que, na maioria dos casos, passaram a adotar tal medida com intuito de diminuir os riscos de lesão e cansaço dos atletas. É uma medida interessante não só sob a justificativa da saúde, como também como uma forma de manter a competitividade no melhor nível possível. 

Um passeio pela história 

A possibilidade de substituir jogadores cansados ou machucados abriu um leque de oportunidades para que os treinadores tentem mudar o destino de um jogo de forma mais efetiva. Contudo, antes de entrar nos efeitos práticos do aumento para 5 substituições, permitido de forma provisória, vale ressaltar que essas trocas não são algo tão antigo como se pensa. Em termos históricos, seis décadas atrás não havia previsto nenhum tipo de substituição de jogador dentro das regras de futebol. 

Foi em 1958 que, pela primeira vez, se permitiu alterar um jogador de campo por alguém do banco de reserva, apenas em caso de alguma lesão por parte do titular. Caminhando para a Copa de 1970, no México, é que se oficializou duas trocas durante a partida, seja por conta de lesão ou por mudança tática. Finalmente, no ano de 1995 é que as três alterações, como conhecemos hoje, foi oficializada. Vale dizer que em 2018 foi autorizada uma quarta mudança, apenas em caso de prorrogação. 

Para os espectadores do futebol profissional, pode parecer incomum, mas a permissão de 5 substituições, em três paradas, durante uma partida já é um costume em categorias de base ao redor do mundo. Para os mais novos, já há um entendimento sobre uma melhor preservação da condição física dos jovens atletas ao ter um número maior de trocas durante o jogo. 

Vem para passar ou para ficar? 

Cabe analisar agora a repercussão dessa medida na esfera profissional. Sob a perspectiva da saúde dos atletas, não restam dúvidas que o aumento no número de trocas possa servir para amparar os times em caso de lesões. Isso antecipando o aumento no número de contusões dos atletas, que deve ser uma constante ao longo desse ano em que o calendário foi condensado. 

No que diz respeito ao jogo em si, ter a possibilidade de trocar mais vezes pode ajudar o espetáculo esportivo. Será possível manter um alto nível de competitividade por mais tempo, com mais variações táticas e menos perdas impulsionadas por lesão. Sendo assim, podemos esperar jogos com maior intensidade e, possivelmente, uma porcentagem maior de alterações no placar na reta final das partidas. 

Uma consequência direta dessa medida se dá nos bancos de reserva. Os substitutos já vêm ganhando importância para equipes que desejam manter um alto nível competitivo. Agora, com a possibilidade maior de uso dos mesmos, será ainda mais benéfico possuir um plantel recheado de bons jogadores não só em campo, como prontos para entrar, se for preciso. Contudo, por se tratar de uma medida provisória, talvez não gere grande repercussão a curto prazo, embora interessante caso se torne algo permanente. 

Olhando por determinado ângulo, tal medida não apresenta efeitos negativos, já que pode prevenir melhor lesões e elevar a competitividade dos clubes. Contudo, há quem diga que o mesmo pode ampliar ainda mais a desigualdade entre as equipes. Isso porque, ter mais possibilidades de alterar o time, implica em ter um maior poder aquisitivo. Assim, times que lutam para formar um time competitivo, nem sempre conseguem o mesmo nível no banco, tendo uma menor chance de desequilibrar nos duelos. 

O futebol está em constante mudança. A FIFA, antes mesmo da pandemia ser declarada mundialmente, já anunciava a realização de testes que possam alterar as regras do jogo. Dentre eles estava justamente a possibilidade de instalar um número ilimitado de substituições, assim como a possibilidade de cobrar um arremesso lateral com os pés, entre outros. Com a evidência prática, poderemos dizer melhor se tais mudanças favorecem ou não o jogo e o espetáculo para quem assiste. 

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