Um dos esportes mais antigos do calendário olímpico, o Remo não deve render medalhas ao Brasil

Foto de capa: Rebeca Doin 

Por Rodrigo Glejzer 

O remo não é só um dos esportes olímpicos mais antigos das Olimpíadas, estando presente em todas as edições dos Jogos de Verão, mas também do mundo. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, há registros de competições entre barcos a remo desde 1274, com os relatos de disputas entre gondoleiros de Veneza. Inclusive a tradicional regata Oxford & Cambridge, conhecida como The Boat Race, que percorre 6,8 km do Rio Tâmisa, é um dos eventos esportivos mais antigos da humanidade, tendo a primeira competição ocorrido em 1829. 

Crédito: Clara Flávio

As disputas no Japão começam no dia 23 de julho, sexta-feira, com as baterias dos Skiffs Simples, Duplo e Quádruplo. As provas irão acontecer no Sea Forest Waterway, um complexo erguido em Tóquio para as Olimpíadas deste ano. O britânico Sir Steve Redgrave é considerado o maior remador da história, após conquistar nove campeonatos mundiais e sacramentar-se pentacampeão olímpico. O Brasil nunca conseguiu conquistar uma medalha na categoria, mas foi quarto lugar em três oportunidades (1924, 1932 e 1984) no masculino.  

Crédito: Clara Flávio

Regras 

Uma regata de remo olímpica é subdividida em diferentes fases (aquecimento, repescagem, quartas de final, semifinal e final), com o uso de variados tipos de barcos e disputadas por até oito remadores divididos em diferentes categorias de sexo, idade ou peso. Sempre devem ocorrer em raias de dois mil metros de distância, além das provas serem sempre realizadas a céu aberto. Além disso, o competidor pode usar somente os braços para mover o barco através de um ou dois remos para cada atleta. 

De acordo com a Confederação Brasileira de Remo, atualmente existem oito classes de barcos nas principais competições do esporte. Os chamados “palamenta dupla” — Skiff Simples (1x), Duplo (2x) e Quádruplo, (4x) — têm dois remos por atleta. Os barcos com um remo por atleta (“palamenta simples”) podem ser com ou sem timoneiro, à exceção do Oito, que sempre leva o responsável pelo leme: Dois Com (2+), Dois Sem (2-), Quatro Com (4+), Quatro Sem (4-), Oito Com (8+). Nas Olimpíadas, apenas a modalidade Oito Com é exercida em prova. A Dois e Quatro com timoneiro são mais praticadas em campeonatos regionais. 

Diferença em palamenta simples e dupla – Foto: Reprodução/FRERJ 

Classes 

Skiff Simples é formado por um único remador, manejando dois remos curtos em um barco de 8,20 m de comprimento e 14 kg. O Duplo e o Quádruplo seguem o mesmo princípio do Single, aumentando o número de atletas, o comprimento e o peso da embarcação de forma proporcional. Em 2016, a Oceania fez uma dobradinha com o neozelandês Mahé Drysdale e a australiana Kim Brennan no alto do pódio olímpico do Skiff Simples. No Duplo, os irmãos Martin e Valent Sinković da Croácia e Magdalena Fularczyk e Natalia Madaj da Polônia sagraram-se vencedores no Rio de Janeiro. Já pelo Quádruplo, os quartetos alemães venceram no masculino (Philipp Wende, Lauritz Schoof, Karl Schulze, Hans Gruhne) e no feminino (Annekatrin Thiele, Carina Bär, Julia Lier, Lisa Schmidla) na última Olimpíada.   

No Dois sem, os dois remadores, cada um com apenas um remo longo, competem em barcos medindo 10,4 m de comprimento e pesando cerca de 27 kg. No Brasil em 2016, os neozelandeses Eric Murray e Hamish Bond e as britânicas Helen Glover e Heather Stanning conquistaram a medalha de ouro.  

Crédito: Clara Flávio

Quatro sem segue o mesmo princípio da Dois Sem com quatro remadores, cada um com um remo longo, divididos em uma embarcação de 13,4 m de comprimento e 51 kg. Até as olimpíadas no Rio de Janeiro, o Quatro Sem era disputado apenas por homens e separado em dois modelos (Padrão e Leve). No Padrão, vitória do Reino Unido com Alex Gregory, Mohamed Sbihi, George Nash e Constantine Louloudis. Enquanto no Leve, os suiços Lucas Tramèr, Simon Schürch, Simon Niepmann e Mario Gyr levaram a melhor e venceram a competição. Em Tóquio, a categoria receberá novamente o Quatro Sem feminino, fora das Olimpíadas desde 1996, devido à vontade da Federação Internacional de Remo em igualar o número de provas entre homens e mulheres no esporte. 

Já o Oito com é a única disputa no remo olímpico que tem a presença de um timoneiro, sem remo, além dos oito remadores, cada um com um remo longo. É o maior e mais pesado barco da competição com 19,90 m e 96 kg. Na Olimpíada passada, a equipe britânica masculina (Paul Bennett, Scott Durant, Matt Gotrel, Matt Langridge, Tom Ransley, Pete Reed, William Satch, Andrew Triggs Hodge, Phelan Hill) fez jus a sua tradição e conquistou o ouro. No feminino, as remadoras dos EUA (Emily Regan, Kerry Simmonds, Amanda Polk, Lauren Schmetterling, Tessa Gobbo, Meghan Musnicki, Eleanor Logan, Amanda Elmore, Katelin Snyder) chegaram na final e subiram no lugar mais alto do pódio.  

O quatro sem feminino volta às Olimpíadas após 25 anos de ausência – Foto: Rowing Ireland 

Brasil 

Apesar de ser bem tradicional no Brasil, tendo suas práticas registradas desde 1851, o remo nunca conseguiu conquistar uma medalha olímpica para o país. Em 2016, com o evento em casa, os nossos remadores conseguiram no Duplo Skiff um décimo quarto lugar com William Giaretton e Xavier Bela Magi no masculino e décimo quinto lugar com Vanessa Cozzi e Fernanda Nunes no feminino. A última grande participação brasileira nos jogos de verão foi com Valter Hime Boares, Angelo Rosio Neto e Nilton Silva Alonço com um quarto lugar em 1984, nos jogos de Los Angeles, ainda na época em que o Dois Com era uma das classes olímpicas. Em contrapartida, nos Jogos Sul-Americanos deste ano, o Brasil conquistou o primeiro lugar geral com 24 medalhas no total. 

Para Tóquio, até o momento, apenas Lucas Verthein está classificado na categoria de skiff simples. O atleta foi bronze brasileiro do Mundial Júnior de remo, em 2016, e o bronze no skiff duplo masculino nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019. Em 2021, venceu o sul-americano de skiff duplo junto a Uncas Batista. É a primeira Olimpíada de Verthein, que não deve lutar por pódio.  

Lucas Verthein é o representante brasileiro no single skiff masculino — Foto: Miriam Jeske/CBR 

Calendário (dia e horários locais de Tóquio)

Crédito: Clara Flávio
Crédito: Thalis Nicotte

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