Rebeldes por uma boa causa: O rock como instrumento de transformação que perdura há gerações

Por: Tássia Antunes

Imagem de capa: site Rock In Rio

O Rock é um gênero musical que teve sua origem nos anos de 1940 nos Estados Unidos e foi fortemente influenciado pelo Blues, Jazz e até mesmo pela música clássica. Além disso, por se tratar de uma combinação de ritmos, é considerado um gênero contracultural, onde não há barreiras. Esta inusitada composição também se desenvolveu fora do cenário musical, construindo um movimento social que influencia em diversos âmbitos, tendo um próprio estilo de vida, moda, atitudes e linguagem.  

Embora alguns historiadores indiquem a origem do gênero musical com o lançamento de That’s All Right (Mama) de Elvis Presley, há outras contribuições anteriores que podem ser consideradas como as precursoras do rock, como a música Strange Things Happening Everyday, cantava por Sister Rosetta Tharpe. A cantora, inclusive, é apontada como a mãe do rock ‘n’ roll, já que sua energia influenciou diversas outras lendas da música, como Little Richard e Chuck Berry. 

Nos anos 1960, muitos cantores entraram na nova onda desse gênero musical e passaram a ser reconhecidos como contestadores, já que muitas músicas iam para além do entretenimento e faziam alusões para causas do movimento dos direitos humanos. Ainda nessa época, surgiu o som da Motown, que abriu portas para artistas de renome e que foram introduzidos no Rock and Roll of Fame, como Stevie Wonder, The Supremes, Jackson 5, Marvin Gaye e The Four Tops.

Logo depois aparecem os Beatles, formada por jovens de Liverpool que movimentaram legiões de fãs e que até hoje se tornou a maior referência de muitos, já que é impossível pensar em rock sem pensar na banda. Rolling Stones, Pink Floyd e Bob Dylan são outros grandes nomes do rock britânico. Enquanto isso, nos Estados Unidos quem agitava o cenário musical eram The Doors, Janis Joplin e Jimi Hendrix.  

A partir da década de 1970 o rock se consolidou, atraiu um público mais abrangente e é exatamente neste momento que começaram a surgir os subgêneros, como o heavy metal, o punk e o glam rock. Nomes como Black Sabbath, Sex Pistols, Queen e David Bowie se tornaram conhecidos e começaram a dar mais fluidez e identidade aos fãs que aderiam aos seus estilos.  

O rock dos anos 1980 foi uma miscelânea de ritmo e atitude. O hard rock e o rock alternativo chegou a todo vapor, e bandas como AC/DC, Iron Maiden, Bon Jovi e R.E.M estavam entre as mais pedidas nas rádios. Além de agradar diversas tribos, foi uma época em que as pessoas tinham a liberdade de se expressar muito mais através da música. 

Os anos 1990 foram marcados pelo surgimento do movimento grunge, no qual a ordem era ser livre, adotando um estilo mais desapegado, com letras mais subversivas e uma guitarra mais presente em toda a canção. Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains são as mais queridas da época.  

Já a partir dos anos 2000, foi questionado se o rock perderia força, graças a popularidade do hip hop e da pop music. Entretanto, como a marca desse movimento é sempre encontrar um caminho para se fazer ser ouvido, o rock mais uma vez se reinventou. O nu metal surgiu, com bandas como Linkin Park, The Strokes e Foo Fighters em ascensão. Também foi a época em que surgiu o emo, que se popularizou entre os mais jovens com músicas mais reflexivas e mais lentas, com My Chemical Romance tendo um grande destaque nesse cenário.  

Apesar de ter inúmeras bandas ainda a serem citadas e que foram de muita importância para o rock, o que podemos concluir de toda essa trajetória é que sempre haverá espaço para que o gênero continue marcando gerações. O espírito da rebeldia e a vontade de quebrar os padrões continuarão existindo nos jovens, e enquanto isso acontecer, o rock continuará vivo.  

10 Bandas e artistas que são engajados em questões sociais

A revolta presente no rock sempre esteve atrelada à resistência em contestar as injustiças presentes no mundo. Com a energia de toda uma juventude, alguns artistas veteranos dão um show à parte quando o assunto é lutar por um mundo mais livre, limpo e respeitável para todos. Aqui vão algumas bandas e artistas que estão sempre se posicionando em favor de questões ambientais e direitos humanos e se empenham em conscientizar seu público a todo o momento.  

Dave Matthews Band

Arquivo: Rolling Stone

Desde o início de sua carreira, a banda se posiciona e se põe na linha de frente de diversos movimentos ambientalistas. Inclusive, em 1999 eles foram responsáveis por fundar a BAMA Works Fund, cujo objetivo era reforçar a arte e o humanitarismo, sem deixar de lado as pautas voltadas para o meio ambiente. Também possuem a marca de doar mais de US$14 milhões para a caridade ao longo dos anos.  

Paul McCartney 

Arquivo: Hypeness

O eterno Beatles sempre foi conhecido por sua inquietude, apesar de sempre evitar polêmicas. Porém, encontrou no ativismo das causas animais uma razão para lutar e se posicionar publicamente por diversas vezes. Esteve ao lado do PETA por diversas vezes, movimentando campanhas e defendendo uma alimentação sem carne, além de se condenar a caça de animais, como acontece muito com as focas. Em toda oportunidade, usa de sua popularidade e influência para alertar ao mundo sobre o quanto o vegetarianismo se faz necessário.  

Green Day 

Arquivo: G1

A banda é conhecida por sempre levantar questões importantes em suas músicas, com o intuito de fazer os fãs refletirem sobre diversas problemáticas da sociedade. Além disso, juntamente da National Resources Defense Council, vem encorajando seu público a exigir energia limpa e sustentável no Congresso dos Estados Unidos. Em 2006, uniu forças com a banda U2 para a arrecadação de verbas para a reconstrução de Nova Orleans após o furacão Katrina. 

U2 

Arquivo: Boomerang Music

Com o ativismo social fortemente presente em suas canções, a banda sempre buscou despertar a consciência em relação a diversos temas, como a política, a diversidade religiosa e como buscar pela paz em meio ao mundo que demonstra o contrário.  Além disso, o vocalista Bono Vox discute publicamente questões como a erradicação da pobreza mundial e ajudou a DATA, organização que se dedica a lutar contra a fome e o HIV na África.  

Patti Smith

Arquivo: Casa Vogue

A cantora tornou-se um dos nomes mais influentes do rock desde seu primeiro álbum Horses, de 1985, onde abordava temas feministas e intelectuais sem deixar o punk de lado. Além disso, suas músicas, em forma de poesia, são recheadas de críticas à sociedade e desabafos sobre o universo feminino, coisa que não era muito comum para sua época. Sua música de maior destaque é People Have the Power, na qual exalta o poder que o povo tem perante ao caos presente no mundo.  

Annie Lennox 

Arquivo: O Globo

A ex-vocalista da banda Eurythmics que movimentou os anos 1980, atualmente é defensora de diversas causas sociais e sempre faz questão de usar sua influência para combater o preconceito em todos os âmbitos. Ela possui uma ONG para pessoas com HIV na África, com a qual busca levar prevenção e tratamento adequado para a população afetada, com um foco maior em mulheres e meninas que se encontram nessa situação. Além disso, é conhecida por ser apoiadora dos direitos LGBTQIAP+.

Rita Lee 

Arquivo: Papel Pop

A cantora e compositora é conhecida como uma força da natureza no cenário musical brasileiro. A nossa rainha do rock ‘n’ roll construiu uma carreira sem pedir licença, e sua rebeldia é refletida em diversas músicas nas quais os temas vão de romances, emancipação feminina, sem deixar de lançar alfinetadas de maneira cômica e repleta de sarcasmo. Sua irreverência lhe trouxe uma legião de fãs, além de ter uma contribuição muito importante para a música popular brasileira.  

Pitty 

Arquivo: UCS FM

Conhecida e adorada até por quem não curte rock, a talentosa cantora sempre esteve empenhada em fazer do gênero musical um ambiente amistoso e inclusivo para todos. Principalmente por ser uma mulher baiana que nunca teve medo de falar o que pensa e reconhecer suas origens. Começou sua carreira com o punk rock, e atualmente transita por diversos subgêneros, sem abandonar sua raiz roqueira e contestadora.  

Mulamba 

Arquivo: Tenho Mais Discos Que Amigos

A banda é formada por seis mulheres que celebram suas diferentes cores e formas. Suas músicas estão comprometidas a dar voz a minorias que são constantemente silenciadas e sem direito de defesa, além de possuir letras impactantes, profundas e recheadas de reflexões sobre a sociedade atual. Em uma de suas canções mais populares, encontramos a frase “um homem não te define, sua casa não te define, sua carne não te define, você é seu próprio lar”. 

Crypta 

Arquivo: Wikimetal

A banda de death metal foi criada em 2019 e é formada apenas por mulheres. Apesar de ser recente, é formada por algumas ex-integrantes da banda Nervosa. Conta já com um clipe e tem seus primeiros shows planejados para 2022. Fernanda Lira, que é a vocalista, baixista e uma das fundadoras da banda, é grande defensora do veganismo e está sempre manifestando suas opiniões em favor das causas animais em suas redes sociais.  

Indicações de filmes marcados pela atitude rock ‘n’ roll   

O estilo audacioso e recheado de originalidade desse gênero também se faz presente na sétima arte. Para aqueles que desejam se inserir mais nesse universo, aqui vão sete indicações de filmes marcados pelo rock.  

1 – The Rocky Horror Picture Show (1975):  

É um musical de Jim Sharman, repleto de referências ao glam rock, muito comum nos anos 1970. Possui personagens que se vestem de maneira mais ousada, caprichando no couro e no excesso, assim como na maquiagem bem marcada e nas músicas com letras mais intrépidas. É uma crítica ao senso comum e explora com humor a liberdade feminina. Além disso, notamos muitas semelhanças na irreverência do Dr. Frank N Furter que nos remetem ao notório David Bowie. O filme possui características tão teatrais que é difícil defini-lo apenas em um gênero, transitando entre o terror e a comédia. Além da aura gótica que o filme possui, também notamos elementos surrealistas, parecendo que em alguns momentos os personagens estão sonhando ao invés de estarem vivendo aquela realidade. Somos constantemente confrontados com situações completamente fora da realidade conhecida, e é isso que nos instiga a continuar assistindo.   

2 – Rock Star (2001): 

O que acontece quando o maior fã de uma banda de heavy metal tem a oportunidade de se tornar vocalista dela? É com essa premissa que o filme dirigido por Stephen Herek inicia. Quando um técnico de máquinas de fotocópias e vocalista de uma banda cover da Steel Dragon tem a possibilidade de realizar seu maior sonho, ele se depara com um universo com o qual jamais imaginou. Apesar de ter em suas mãos tudo o que mais almeja, Chris Cole nos mostra que a fama e o status de rockstar muitas vezes anda lado a lado com a solidão.  

3 – Tenacious D – Uma Dupla Infernal (2006): 

Num misto de aventura, comédia e musical, o filme dirigido por Liam Lynch conta a história da banda Tenacious D da melhor maneira possível. Formada por JB (Jack Black) e KG (Kyle Gass), o épico e engraçado longa-metragem possui referências de outros filmes, como Laranja Mecânica, da cultura pop e de diversas músicas famosas no cenário do rock, dentre elas encontramos o clássico Stairway to Heaven, de Led Zeppelin. Além de contar com a participação especial de astros do rock e de clássicos da comédia, como Ronnie James Dio (Dio), Dave Grohl, Meat Loaf (que inclusive, também atuou em The Rock Horror Picture Show), Ben Stiller e Tim Robbins.  

4 – Across the Universe (2007):  

O filme de Julie Taymor é ambientado nos anos 1960, e nos apresenta um cenário repleto de lutas por um mundo mais justo, guerras e suas consequências, e, é claro, como o amor é capaz de curar algumas feridas. As músicas dos Beatles embalam toda a trajetória de um jovem casal que se apaixona em meio ao caos que o mundo vivencia na época. Além disso, conta com participações especiais de Bono Vox do U2, Joe Cocker e da atriz Salma Hayek.  

5 – Os Piratas do Rock (2009): 

Nesta comédia de Richard Curtis, podemos encontrar diversos clichês que secretamente adoramos assistir, como um jovem rebelde que é mandado para morar com seu tio em um lugar onde ele não se encaixa. Além de uma trilha sonora muito bem pensada e uma divertida aventura envolvendo família, rock ‘n’ roll e rádios piratas. A história de James nos prende do início ao fim e nos faz cair na gargalhada em diversos momentos da narrativa.  

6 – Rock of Ages (2012): 

O musical dirigido por Adam Shankman conta a história de dois jovens apaixonados por rock e de como eles tentam alcançar seus sonhos na badalada Hollywood, embalados pelos maiores sucessos do hard rock dos anos 1980. Conta com Tom Cruise, Catherine Zeta-Jones e Mary J. Blige no elenco, além de ter em sua trilha sonora as canções de Bon Jovi, Guns n’ Roses, Skid Row, dentre outras. Possui uma narrativa divertida e com reflexões interessantes sobre os caminhos que algumas escolhas que fazemos na vida nos levam.   

7 – Bohemian Rhapsody (2018): 

Não poderia encerrar a lista de indicações sem citar o filme cuja narrativa gira em torno da célebre banda de rock que entrou para a história. O longa-metragem de Brian Singer nos apresenta a Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, que nos anos de 1970 formaram a Queen e ao quebrarem padrões na música se tornaram amados por gerações. O filme carrega no título o maior sucesso da banda, e contou com membros da banda como produtores executivos. Além disso, em uma das cenas vemos a memorável apresentação de Love of my Life no Rock in Rio em 1985, quando 250 mil vozes cantam em uníssono com Freddie Mercury, deixando o cantor emocionado e nutrindo uma especial afeição pelos fãs brasileiros. Também é retratado o show mais histórico da banda, realizado no Live Aid, também em 1985.  

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