Resistência e coragem das mulheres no jornalismo esportivo

Foto Capa: David Kuster

Por Esther Verta

Na tarde da segunda-feira, dia 05/05, às 14h, uma das salas da UNIFACHA recebeu uma palestra transformadora. A mesa “Mulheres no Jornalismo” reuniu nomes como Martha Esteves, Aline Pacheco, Danielle Esperon e Denise Lilembaum, jornalistas com trajetórias marcadas pela luta dentro de um dos meios mais resistentes à presença feminina: o jornalismo esportivo.

Durante o encontro, o que era para ser um relato profissional se transformou em uma linda conversa com experiências vivas da força de mulheres que abriram caminhos em um cenário historicamente dominado por homens.

(créditos: David Kuster)

Assédio silenciado e naturalizado, “a gente não chamava de assédio, porque não existia essa palavra pra nós naquele tempo”, relembrou Aline Pacheco. “Nosso mecanismo de defesa era ser abusada. Passamos esse perrengue pra que o espaço fosse melhor, mas mesmo assim, não é”.
Martha Esteves compartilhou a sua triste realidade invisível por muito tempo, “sofri muito assédio moral. Sexual… eu fazia a tonta, deixava passar, mas sofri muito assédio moral”. Em tempos em que não havia suporte, nem referências femininas no jornalismo esportivo, suportar era a única forma de continuar, segundo essas pioneiras.

Diante disso, para estar ali, foi preciso se impor. “Sempre fui muito arrumadora de confusão porque eu sabia onde era o meu lugar”, afirmou Martha. “Eu tinha noção do lugar que eu tinha que ocupar, porque eu tenho o direito de estar aqui. Trabalhei pra estar aqui”. Mesmo sem apoio, essas mulheres decidiram não recuar, e se mantiveram firmes em busca dos seus sonhos. Danielle Esperon contou sobre os desafios de assumir funções múltiplas com poucos recursos. “Você acha que não vai dar conta, mas eu, vascaína, passei três horas e meia falando de Flamengo com o Zico e dei conta”, disse. “Às vezes, seus sonhos vão mudando com a sua trajetória”.

Apesar dos desafios externos, foi o comportamento de outras mulheres que despertou atenção. “A maior crítica da mulher é a própria mulher. A gente precisa se ajudar, dizer parabéns”, defendeu Aline Pacheco. Entre julgamentos e comparações, o apoio mútuo foi apresentado como ferramenta essencial para fortalecer a presença feminina na profissão.

Profissionalismo e ética em tempos digitais
Em tempos de redes sociais e conteúdo voltado para nichos de torcida, o alerta foi bem preciso, “você precisa ter profissionalismo e ética, independente da mídia que você está inserida”, destacou Danielle. A imparcialidade, para Martha Esteves, é inegociável, “um repórter que não consegue ser imparcial está morto. Precisamos ser imparciais o tempo inteiro. Se não, vocês não são jornalistas”. Ela ainda reforçou, “quem tem um diploma tem uma obrigação”. Em um cenário onde influenciadores e jornalistas muitas vezes se confundem, Denise Lilembaum alertou, “jornalista não pode fazer propaganda. E é por isso que estamos cheios de influencers”.

(créditos: David Kuster)

As falas foram carregadas de emoção, força e coragem. O reconhecimento do caminho que foi percorrido não apagou a consciência de que ainda há muito a conquistar. No entanto, como pontuou Aline, “tá com vontade de fazer, faz! Tudo vai ser experiência e vai valer”.

O encontro não foi apenas uma conversa, foi um chamado. Um lembrete de que a mulher no jornalismo esportivo não é exceção, é resistência, é coragem, é transformação. E agora, mais do que nunca, é voz que se recusa a ser silenciada.

O congresso de jornalismo da UNIFACHA vai até terça-feira, dia 6 de maio com palestras e oficinais incríveis. Acesse a programação no site oficial.

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