Das páginas às telas: Diversidade em busca de seu espaço 

Foto Capa: irozhlas.cz

Por Malu Valle

Nos últimos anos, a visibilidade e a diversidade das produções LGBTQIA+ no audiovisual têm crescido, marcando uma transformação significativa na maneira como esses discursos são apresentadas. Esse crescimento anda de mãos dadas com a valorização da literatura LGBTQIA+, que vem, proporcionalmente, aumentando cada dia mais. 

O interesse crescente do público e da indústria audiovisual por essas histórias também está relacionado ao impacto das redes sociais, especialmente o TikTok e seu espaço dedicado aos livros, conhecido como BookTok. Lá, leitores e fãs trocam recomendações, compartilham emoções e criam um verdadeiro movimento em torno de obras LGBTQIA+. Esse engajamento ajudou a colocar esses discursos no centro das atenções, fazendo com que essas vozes ganhem cada vez mais destaque e inspirem novas perspectivas sobre identidade, amor e diversidade. 

Com esse cenário em expansão, diversas obras LGBTQIA+ vêm conquistando espaço nas telas, sendo transformadas em filmes e séries que conectam ainda mais o público às histórias que antes estavam apenas nas páginas. Essas adaptações trazem à tona personagens complexos e histórias cheias de emoção, ampliando a representatividade e provocando debates essenciais. 

Algumas das principais obras LGBTQIA+ que foram adaptadas, histórias que saíram das páginas e conquistaram novos públicos nas telas, fortalecendo a presença da diversidade na produção audiovisual, são: 

Com Amor, Simon (2018), dirigido por Greg Berlanti e baseado no livro de Becky Albertalli, acompanha Simon, um adolescente que guarda o segredo de ser gay enquanto vive os dilemas típicos do Ensino Médio. Com leveza e sensibilidade, a trama explora o processo de aceitação e o primeiro amor, marcando um avanço na representatividade LGBTQIA+ no cinema teen. 

(créditos: reprodução/wp.up.ufpel.edu.br)

Heartstopper (2022), série dirigida por Euros Lyn e inspirada nos livros de Alice Oseman, traz uma história delicada sobre a amizade e o romance entre dois garotos, ao mesmo tempo que amplia o espectro LGBTQIA+ com personagens bissexuais e trans. Uma produção que conquistou público ao humanizar e celebrar essas vivências. 

(créditos: reprodução/companhia das letras)

Vermelho, Branco e Sangue Azul (2023), dirigido por Matthew López e baseado no livro de Casey McQuiston, conta o romance entre o filho da presidente dos Estados Unidos e o príncipe da Inglaterra. A trama mistura política, poder e emoção, explorando as complexidades do amor LGBTQIA+ sob os holofotes da mídia. 

(créditos: reprodução/primevideo)

Carol – The Price of Salt (2015), dirigido por Todd Haynes e baseado no livro de Patricia Highsmith, revela o romance intenso e proibido entre duas mulheres na década de 1950. Em meio a uma sociedade marcada pelo preconceito, a obra traz uma representação histórica e sensível do amor lésbico. 

(créditos: reprodução/audible)

A Garota Dinamarquesa (2015), dirigido por Tom Hooper e baseado no livro de David Ebershoff, conta a história da artista trans Lili Elbe, pioneira em cirurgia de redesignação sexual. O filme erra ao escolher um ator cis para o papel e ao simplificar a complexidade da vivência transexual, apresentando uma versão romantizada e apagando os desafios reais enfrentados pela comunidade. Embora tenha aberto caminho para discussões, reforça um problema do audiovisual: a falta de representatividade genuína e o apagamento das vozes trans. 

(créditos: reprodução/amazon)

Algumas histórias LGBTQIA+ que já conquistaram os leitores estão prestes a ganhar uma nova forma: 

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, será adaptado como filme pela Netflix. A história da atriz que decide contar sua verdadeira vida, e seu verdadeiro amor, é intensa, glamourosa e impossível de passar despercebida. A trajetória de Evelyn Hugo promete emocionar tanto quanto nas páginas. 

(créditos: reprodução/folhauol)

O livro nacional 15 Dias, de Vitor Martins, será adaptado pela Conspiração Filmes. A trama acompanha Felipe, um adolescente que precisa dividir as férias com sua antiga paixão secreta. Uma história sensível, divertida e real sobre descobertas e afetos que agora vai ganhar o cinema. 

(créditos: reprodução/cinebuzz)

O avanço da representatividade LGBTQIA+ no audiovisual e na literatura é ascendente e cada vez mais presente, mas ainda há um problema grave, a predominância quase exclusiva de personagens gays. Essa visão limitada silencia outras identidades da comunidade, reforçando invisibilidades e apagamentos históricos. Enquanto o mercado segue focado em um único discurso, outras partes da comunidade continuam sem voz. É urgente que as produções abram espaço de verdade para toda a diversidade LGBTQIA+, porque sem pluralidade, não há representatividade real. 

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