Jornalismo em ritmo de samba debate a cobertura do Carnaval ao longo do ano na UNIFACHA

Foto Capa: reprodução/FachaHub

Por Arthur Líbero

No dia 7 de abril, em celebração ao Dia do Jornalista, o Centro Universitário Hélio Alonso promoveu a mesa de debate “Carnaval o Ano Inteiro: A Cobertura Jornalística da Folia”, reunindo estudantes e profissionais para discutir a importância e os bastidores da cobertura de uma das maiores manifestações culturais do país.
A mediação ficou por conta da jornalista Bárbara Mello, que é formada (acho que ela não se formou só estudou na Facha) pela própria instituição, já foi assessora de imprensa da escola Acadêmicos do Salgueiro e atualmente chefe de redação do portal OnBus. A abertura destacou o caráter coletivo do jornalismo e a relevância da data, celebrando a nova geração de comunicadores. “O trabalho de jornalismo é um trabalho em conjunto, a gente não faz nada sozinho”, foi ressaltado na apresentação de Ivana Gouveia, coordenadora do curso de jornalismo, que também agradeceu aos alunos envolvidos na organização do evento.

Ao lado da mediadora, participaram da mesa os jornalistas Anderson Baltar, Rangel Andrade e Sena da Silva, que compartilharam experiências e trajetórias ligadas à cobertura carnavalesca. Anderson, doutorando em jornalismo, destacou a relevância acadêmica do tema e a renovação do interesse entre jovens. “Fico muito feliz de ver que os universitários, os jovens, aos poucos estão voltando a descobrir o Carnaval das escolas de samba”, afirmou. Já Rangel relembrou a ausência desse debate nas universidades anos atrás e celebrou a mudança. “Nesse espaço de dez anos, a gente está vendo que aos poucos vem crescendo esse olhar dentro das faculdades”, disse.

Anderson Baltar, Rangel Andrade e Sena da Silva (créditos: FachaHub)

Representando uma geração mais jovem, Sena trouxe a perspectiva de quem construiu uma trajetória recente no jornalismo a partir da vivência com o Carnaval, especialmente na Baixada Fluminense. Ele destacou as dificuldades de acesso e a centralização das escolas de samba na capital, além do impacto pessoal da festa em sua vida. “A gente saiu de observador para desfilante, de desfilante para produtor de conteúdo, de produtor de conteúdo para jornalista em dois anos”, contou.

Como sempre acontece nas mesas de debate da UNIFACHA, a conversa se estendeu para a plateia e os alunos tiveram a oportunidade de fazer perguntas e levantar questionamentos para os convidados. Um deles foi Bernardo Magno, estudante de Jornalismo, que trouxe uma perspectiva de estudantes que estão iniciando a sua carreira e veem a cobertura de Carnaval “dominada” por portais específicos. “eu vejo que minha geração está tendo uma dificuldade de criação de conteúdo porque nós não acreditamos que temos espaço”, falou. Em seguida, Rangel fez questão de reforçar a importância da insistência desses iniciantes, “o importante é começar e continuar, pois uma hora tudo vai acontecer”, e relatou momentos frustrantes vividos por ele até os dias atuais. “Não é porque o Carnaval é colorido que todo mundo é simpático. Tem assessor de imprensa que não te responde, tem carnavalesco que nunca quer dar entrevista. Mas eu não posso desistir por causa disso”, ressaltou ele.

Rangel Andrade responde pergunta de Bernardo Magno durante debate (créditos: reprodução/FachaHub)

No fim das contas, os convidados mostraram como o Carnaval é muito além dos famosos quatro dias de folia. “Muita gente não entende a importância dessa grande festa cultural, mas ela movimenta a economia do estado e precisa ser acompanhada pela imprensa”, pontuou Bárbara.

O encontro, que durou quase duas horas, reforçou a ideia de que o Carnaval vai além dos dias de folia e se consolida como pauta permanente no jornalismo, atravessando cultura, economia e identidade social ao longo de todo o ano.

Confira a mesa completa:

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