Copa do Mundo de 2026: Conheça o grupo F da competição

Foto capa: Juliana Queiroz e Marcele de Azevedo

Por David Küster

Prevista para iniciar no dia 11 de junho, a Copa do Mundo de 2026 será realizada
em três países da América do Norte e inaugurará o maior formato da história da
competição, que contará com 48 seleções e um total de 104 jogos.

Dando sequência à cobertura do Em Todo Lugar sobre o evento, confira a seguir o
Grupo F, formado por Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.

Holanda

Foto: Reprodução/Getty Images

A Holanda é uma das seleções mais fascinantes e, ao mesmo tempo, mais melancólicas do futebol mundial. Inventora do “Futebol Total” na década de 1970, a Laranja Mecânica construiu uma identidade ofensiva, coletiva e revolucionária que influenciou gerações. O maior símbolo dessa filosofia foi Johan Cruyff, mas, mesmo após sua era, os holandeses seguiram como protagonistas do futebol internacional. O grande paradoxo é que, apesar de toda a sua influência e qualidade, a Holanda jamais conquistou uma Copa do Mundo. A seleção soma 12 participações no torneio (1934, 1938, 1974, 1978, 1990, 1994, 1998, 2006, 2010, 2014, 2022 e 2026) e tem como melhores campanhas os vice-campeonatos de 1974, 1978 e 2010. Também alcançou o terceiro lugar em 2014 e o quarto em 1998.

Uma marca que reforça a consistência holandesa em Copas é o fato de a seleção nunca ter sido eliminada na fase de grupos. Em todas as suas participações, avançou ao mata-mata, tendo como piores campanhas três quedas nas oitavas de final. Nas finais perdidas, foi derrotada pela anfitriã Alemanha em 1974, pela anfitriã Argentina em 1978 e pela Espanha, na prorrogação, em 2010. Esse histórico consolidou a imagem da Holanda como uma das maiores seleções da história do futebol, mas também como uma das que mais conviveram com a frustração de bater na trave em busca do título mundial.

Após a eliminação para a Argentina na Copa do Mundo de 2022, a seleção iniciou um novo ciclo com a saída de Louis van Gaal e a chegada de Ronald Koeman ao comando técnico. Na Liga das Nações, os holandeses perderam a semifinal para a Croácia e, depois, a disputa pelo terceiro lugar para a Itália. Já na Eurocopa de 2024, estrearam vencendo a Polônia, foram derrotados pela Áustria e empataram com a França para avançar de fase. No mata-mata, eliminaram Romênia e Turquia antes de serem superados pela Inglaterra na semifinal. Nas Eliminatórias para a Copa de 2026, fizeram campanha segura: empataram os dois confrontos contra a Polônia, venceram todos os demais compromissos e confirmaram a classificação com uma goleada sobre a Lituânia.

O elenco holandês reúne experiência e talento em todos os setores. O capitão Virgil van Dijk lidera uma defesa sólida ao lado de Nathan Aké e Matthijs de Ligt. No ataque, Memphis Depay, maior artilheiro da história da seleção, divide os holofotes com Cody Gakpo. O meio-campo também chama atenção pela qualidade técnica, com nomes como Frenkie de Jong, Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders e Xavi Simons. Considerada por muitos a maior seleção que nunca venceu uma Copa do Mundo, a Holanda tentará novamente quebrar a sina que a acompanha desde os tempos de Cruyff. Embora chegue cercada por alguma desconfiança devido às atuações irregulares do ciclo, continua sendo uma equipe tradicionalmente forte em competições eliminatórias e capaz de desafiar qualquer adversário.

Principal jogador: Memphis Depay

Escalação base: Bart Verbruggen; Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke, Virgil van Dijk e Micky van de Ven; Ryan Gravenberch, Tijjani Reijnders e Frenkie de Jong; Cody Gakpo , Memphis Depay e Donyell Malen.

Desempenho no ciclo: 38 jogos – 21 vitórias, 9 empates e 8 derrotas

Japão

Foto: Reprodução

O Japão representa a grande revolução do futebol asiático nas últimas três décadas. De estreante em Copas do Mundo em 1998 a seleção capaz de derrotar potências como Alemanha e Espanha, os Samurais Azuis construíram uma identidade tática moderna, disciplinada e cada vez mais influenciada pelo futebol europeu. Atualmente, a maior parte dos seus titulares atua nas principais ligas do continente, refletindo a evolução do país no cenário internacional. Desde sua primeira participação em Mundiais, o Japão esteve presente em todas as edições da competição, consolidando-se como a seleção asiática mais consistente da era moderna.

Ao todo, os japoneses disputaram oito Copas do Mundo, incluindo a edição de 2026, e alcançaram as oitavas de final em quatro oportunidades: 2002, 2010, 2018 e 2022. Apesar da regularidade, a equipe ainda busca superar essa barreira e alcançar as quartas de final pela primeira vez. Em 24 partidas disputadas até o Mundial de 2022, marcou 27 gols e acumulou campanhas que demonstram sua evolução constante. O melhor desempenho de uma seleção asiática em Copas continua sendo a campanha da Coreia do Sul, semifinalista em 2002 atuando como anfitriã.

Na Copa do Mundo de 2022, o Japão protagonizou uma das histórias mais marcantes do torneio ao derrotar Alemanha e Espanha por 2 a 1, ambas de virada, graças às mudanças táticas promovidas pelo técnico Hajime Moriyasu. Nas oitavas de final, empatou por 1 a 1 com a Croácia, mas acabou eliminado nos pênaltis. Apesar da frustração, a campanha reforçou a percepção de que os japoneses já são capazes de competir em igualdade com as principais seleções europeias. O ciclo rumo a 2026 aumentou ainda mais a confiança da equipe, especialmente após uma histórica vitória em amistoso contra o Brasil. Nas Eliminatórias Asiáticas, os Samurais Azuis foram a primeira seleção a garantir vaga no Mundial entre os países não anfitriões, com uma campanha de 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

A atual geração japonesa é considerada a mais talentosa e internacionalizada da história do país. No ataque, os destaques são os pontas Kaoru Mitoma e Takefusa Kubo, jogadores capazes de decidir partidas com velocidade e qualidade técnica. Ritsu Doan também figura entre os principais nomes do setor ofensivo. No meio-campo, Wataru Endo e Daichi Kamada formam a espinha dorsal da equipe, oferecendo equilíbrio e experiência. O técnico Hajime Moriyasu acredita que o grupo pode alcançar feitos inéditos, e o otimismo dentro da seleção reflete a confiança em uma geração que reúne talento, maturidade e experiência internacional suficientes para sonhar com uma campanha histórica e, finalmente, superar o limite das oitavas de final.

Principal jogador: Takefusa Kubo

Escalação base: Zion Suzuki; Takehiro Tomiyasu, Ko Itakura e Hiroki Ito; Yukinari Sugawara, Wataru Endo, Hidemasa Morita e Kaoru Mitoma; Takefusa Kubo, Daichi Kamada e Takumi Minamino.

Desempenho no ciclo: 43 jogos – 33 vitórias, 5 empates e 5 derrotas

Suécia

Foto: Michael Campanella/Getty Images

A Suécia é uma das seleções mais tradicionais do futebol europeu e disputará a Copa do Mundo de 2026 pela 13ª vez em sua história. Seus maiores feitos no torneio ocorreram em 1958, quando foi vice-campeã jogando em casa, além das campanhas de terceiro lugar em 1950 e 1994. No entanto, a trajetória até o Mundial de 2026 foi bastante diferente da esperada. Em meio ao processo de renovação iniciado após a aposentadoria de Zlatan Ibrahimović, a seleção precisou reconstruir sua identidade e encontrou, nos últimos anos, uma nova geração capaz de devolver competitividade ao time.

O ciclo classificatório foi marcado por dificuldades. A Suécia terminou na última colocação de seu grupo nas Eliminatórias Europeias, sem conquistar uma única vitória e somando apenas dois pontos. Mesmo assim, a equipe encontrou um caminho alternativo para chegar à Copa do Mundo graças ao desempenho na Liga das Nações. Como líder de seu grupo na Liga C, garantiu vaga na repescagem europeia, mecanismo criado pela UEFA para premiar seleções que se destacam na competição. Na semifinal da repescagem, superou a Ucrânia em um confronto equilibrado e, na decisão, venceu a Polônia, resultado que também deixou o atacante Robert Lewandowski fora do Mundial.

A classificação coincidiu com a chegada do técnico Graham Potter, contratado em outubro de 2025 para substituir uma comissão que acumulava resultados decepcionantes. O treinador reorganizou rapidamente a equipe e conseguiu aproveitar a oportunidade oferecida pela repescagem. Sob seu comando, a Suécia passou a apresentar um futebol mais ofensivo e dinâmico, explorando ao máximo as características de seus principais jogadores. A mudança de estilo também simboliza a transição definitiva para a era pós-Zlatan, com um modelo mais coletivo e menos dependente de uma única referência técnica.

Os grandes nomes da seleção são os atacantes Alexander Isak e Viktor Gyökeres, dupla que concentra boa parte das esperanças suecas para a Copa do Mundo. Com força física, mobilidade e capacidade de finalização, ambos formam um dos ataques mais interessantes do torneio. A presença de Gyökeres, em especial, aumentou a confiança dos torcedores em uma campanha competitiva. Embora a Suécia chegue ao Mundial carregando o peso de uma campanha muito fraca nas Eliminatórias, o desempenho recente em partidas decisivas mostra uma equipe em ascensão. Em um grupo que tem Holanda e Japão como favoritos, os suecos aparecem como candidatos a surpreender caso sua dupla de atacantes mantenha o alto nível apresentado nos últimos anos.

Principal jogador: Alexander Isak

Escalação base: Robin Johansson; Emil Holm, Isak Hien, Victor Lindelöf e Gabriel Gudmundsson; Dejan Kulusevski, Jens Cajuste, Lucas Bergvall e Emil Forsberg; Alexander Isak e Viktor Gyökeres.

Desempenho no ciclo: 36 jogos – 19 vitórias, 4 empates e 13 derrotas

Tunísia

Foto: Getty Images

A Tunísia chega à Copa do Mundo de 2026 como uma das principais representantes do futebol do norte da África e do mundo árabe. Conhecidas como Águias de Cartago, as tunisianas construíram sua trajetória internacional com base em uma organização defensiva sólida e em equipes competitivas, mesmo diante de adversários tecnicamente superiores. O grande objetivo para esta edição é alcançar um feito inédito: avançar pela primeira vez à fase mata-mata de um Mundial. A participação de 2026 será a sétima da história do país, que já esteve presente nas edições de 1978, 1998, 2002, 2006, 2018 e 2022.

O retrospecto tunisiano em Copas do Mundo ainda é modesto, mas conta com um marco histórico importante. Em 18 partidas disputadas, a seleção soma três vitórias, cinco empates e dez derrotas, com 14 gols marcados e 26 sofridos. A vitória por 3 a 1 sobre o México, na Copa de 1978, entrou para a história por representar o primeiro triunfo de uma seleção africana em Mundiais. Apesar dessa conquista simbólica, a Tunísia nunca conseguiu superar a fase de grupos em suas seis participações anteriores, o que torna a campanha de 2026 especialmente significativa para o país.

O ciclo rumo ao Mundial foi extremamente positivo. A Tunísia terminou as Eliminatórias Africanas com a melhor campanha da competição, demonstrando amplo domínio sobre seus adversários. Invicta, a equipe conquistou nove vitórias em dez partidas e chamou atenção pela consistência defensiva, registrando uma sequência de seis vitórias consecutivas sem sofrer gols. O desempenho reforçou a confiança de uma seleção que chega embalada por resultados expressivos e por uma identidade de jogo muito bem definida.

Grande responsável por esse momento é o técnico Sami Trabelsi, que assumiu a equipe durante o ciclo e alcançou um feito histórico ao se tornar o primeiro tunisiano a participar de uma Copa do Mundo como jogador e treinador, após ter defendido a seleção no Mundial de 1998. Dentro de campo, Ellyes Skhiri segue como a principal referência de equilíbrio e inteligência tática no meio-campo, enquanto Ismael Gharbi desponta como o principal talento ofensivo da nova geração. Com uma combinação de experiência, disciplina tática e jovens promessas, a Tunísia acredita que pode finalmente quebrar a barreira da fase de grupos. Para isso, precisará manter a regularidade demonstrada nas Eliminatórias e confirmar sua evolução diante de adversários mais fortes no cenário mundial.

Principal jogador: Ellyes Skhiri

Escalação base: Aymen Dahmen; Wajdi Kechrida, Yassine Meriah, Montassar Talbi e Ali Abdi; Ellyes Skhiri, Aïssa Laïdouni e Hannibal Mejbri; Anis Ben Slimane, Youssef Msakni e Seifeddine Jaziri.

Desempenho no ciclo: 48 jogos – 23 vitórias, 14 empates e 11 derrotas

Calendário de jogos do grupo

14/06

  • 17h – Holanda x Japão – AT&T Stadium
  • 23h – Suécia x Tunísia – El Gigante de Acero

20/06

  • 14h – Holanda x Suécia – NRG Stadium

21/06

  • 01h – Tunísia x Japão – El Gigante de Acero

25/06

  • 17h – Tunísia x Holanda – Arrowhead Stadium
  • 17h – Japão x Suécia – AT&T Stadium

A Copa do Mundo de 2026 se estenderá até o dia 19 de julho, data da grande final. A atual campeã da competição é a Argentina, que levantou o troféu após derrotar a França na decisão da edição realizada no Catar, em 2022. O Brasil é o maior campeão da história do torneio, com cinco títulos.

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