Foto Capa: reprodução/adorocinema
Por Arthur Líbero
Estreia nesta quinta-feira (18), o filme “Quinze Dias”. A adaptação do livro de mesmo nome escrito por Vítor Martins já conquistou o coração de milhares de leitores no brasil inteiro e, agora, promete conquistar o coração de cinéfilos em todo o país.
A história acompanha Felipe, um adolescente gay que sofre bullying por causa de seu peso e aguarda ansiosamente as férias de julho para se afastar dos problemas da escola. Seus planos de passar dias tranquilos lendo e assistindo séries mudam completamente quando sua mãe avisa que Caio, o vizinho por quem ele nutre uma paixão secreta desde a infância, ficará hospedado em sua casa durante quinze dias.
Ao longo desse período, os dois jovens desenvolvem uma relação mais próxima, levando Felipe a enfrentar inseguranças, medos e sentimentos que ele sempre tentou esconder. A história aborda temas como aceitação, autoestima, gordofobia, homofobia, bullying e a descoberta do primeiro amor.
Assim como no universo de Quinze Dias, outras histórias com a temática LGBTQIAPN+ também ganharam personagens reais, em carne e osso, que ajudam a contar trama. Conheça algumas delas:
1 – A Garota Dinamarquesa (2015)
“A Garota Dinamarquesa”, dirigido por Tom Hooper, é um filme de drama biográfico baseado no livro de mesmo nome escrito pelo autor norte-americano David Ebershoff e publicado no ano de 2000. Ele conta a história de Lili Elbe, uma das primeiras pessoas conhecidas a realizar procedimentos de afirmação de gênero. O longa acompanha a jornada de autodescoberta da personagem, que inicialmente vivia como o pintor Einar Wegener.

A história também mostra os desafios enfrentados por ela e sua esposa, a artista Gerda Wegener, em uma época marcada pelo preconceito e pela incompreensão em relação às identidades trans. Além de retratar uma história de amor, coragem e busca por autenticidade, a obra teve grande importância para a comunidade LGBT+ ao levar a trajetória de uma mulher trans pioneira ao grande público, ampliando o debate sobre identidade de gênero e visibilidade trans, embora também tenha recebido críticas por algumas imprecisões históricas e pela escolha de um ator cisgênero para interpretar Lili.
2 – Carol (2015)
“Carol”, dirigido por Todd Haynes, baseado no romance The Price of Salt, de Patricia Highsmith. Ambientado na década de 1950, o filme acompanha o relacionamento entre Carol Aird, uma mulher em processo de divórcio, e Therese Belivet, uma jovem aspirante a fotógrafa, que se apaixonam em um período marcado por forte repressão social às relações entre pessoas do mesmo sexo.

A obra busca retratar um romance lésbico com sensibilidade, profundidade emocional e sem recorrer aos estereótipos frequentemente associados a personagens LGBT+ no cinema. Por sua abordagem humanizada e pelo sucesso de crítica internacional, o filme tornou-se uma referência na representação lésbica nas telas, contribuindo para ampliar a visibilidade de histórias LGBTQIA+ e reforçando a importância da diversidade afetiva e sexual no audiovisual.
3 – Me Chame Pelo Seu Nome (2017)
“Me Chame Pelo Seu Nome”, dirigido por Luca Guadagnino, é baseado no romance homônimo de André Aciman, publicado em 2007. A história é ambientada no norte da Itália durante o verão de 1983, e acompanha o despertar amoroso de Elio Perlman, um adolescente de 17 anos, e seu envolvimento com Oliver, um estudante mais velho que passa uma temporada na casa de sua família.

Tanto o livro quanto o filme exploram temas como identidade, desejo, amadurecimento e a intensidade dos primeiros amores, conquistando reconhecimento internacional pela delicadeza com que abordam a relação entre os protagonistas. Para a comunidade LGBT+, a obra tem grande relevância por apresentar uma história de amor entre dois homens de forma sensível e universal, sem reduzir seus personagens à orientação sexual, contribuindo para ampliar a representatividade LGBTQIA+ na literatura e no cinema contemporâneos.
4 – Com Amor, Simon (2018)
“Com Amor, Simon” é uma comédia dramática romântica dirigida por Greg Berlanti e baseada no livro “Simon vs. a Agenda Homo Sapiens”, da escritora Becky Albertalli. A história acompanha Simon Spier, um adolescente que ainda não revelou sua homossexualidade para a família e os amigos, enquanto troca e-mails românticos de forma anônima pela internet com outro estudante gay de sua escola. Mas, quando seus e-mails caem nas mãos de um colega, Simon passa a lidar com ameaças e o medo da exposição que podem acarretar nos desafios que ele sabe que terá caso assuma sua sexualidade.

O filme foi um marco para a comunidade LGBT+ por ser uma das primeiras grandes produções de um estúdio de Hollywood a ter um jovem gay como protagonista de uma típica comédia romântica adolescente, oferecendo representatividade positiva para o público LGBTQIA+ e ajudando a normalizar histórias de amor entre pessoas do mesmo sexo no cinema comercial. O sucesso foi tão grande que ganhou uma série spin-off na plataforma Disney Plus, “Com Amor, Victor”, com três temporadas.
5 – Vermelho, Branco e Sangue Azul (2023)
Diferente das produções anteriores, “Vermelho, Branco e Sangue Azul”, dirigido por Matthew López, não foi exibido nos cinemas, mas chegou ao catálogo do Prime Video no momento em que as séries com a temática LGBTQIAPN+ se tornaram cada vez mais populares dentro dos serviços de streaming, como foi o caso dos títulos “Heartstopper”, “Euphoria” e “Young Royals”.
O longa é baseado no livro homônimo da escritora estadunidense Casey McQuiston, e narra uma história lúdica vivida pelo príncipe da Inglaterra, Henry, e pelo filho da presidente dos Estados Unidos, Alex. Ambos, que incialmente eram forçados a se encontrar em eventos de Estado, se odiavam mutuamente. Porém, a frequência desses encontros acaba despertando um amor que é colocado em risco caso a mídia e, principalmente, a família real descubram esse relacionamento.

Tanto o livro quanto o filme foram um enorme sucesso na era “pós-pandemia”, e reforçaram a força das obras com a temática LGBTQIAPN+, levantando discussões mais aprofundadas e, principalmente, normalizando a presença de personagens da comunidade em histórias fictícias, que trazem visibilidade e representatividade para milhares de pessoas.
