Foto capa: Desfile de Michael Kors na NYFW/Reuters
Por Marina Campos
A nova política da CFDA coloca a NYFW ao lado de Londres e Copenhague na adoção de medidas contra o uso de peles. A decisão aumenta a pressão sobre outras grandes semanas de moda.
Em dezembro de 2025, a CFDA (Conselho de Designers de Moda da América), órgão responsável pela organização da NYFW, em parceria com a Humane World for Animals e a Collective Fashion Justice, adicionou uma nova diretriz à programação oficial: a proibição do uso de peles de animais.
Em dezembro de 2025, a CFDA (Conselho de Designers de Moda da América), órgão responsável pela organização da NYFW, em parceria com a Humane World for Animals e a Collective Fashion Justice, adicionou uma nova diretriz à programação oficial: a proibição do uso de peles de animais.
A diretriz proíbe o uso de peles de animais criados em fazendas ou capturados exclusivamente para esse fim, como coelhos, raposas, cães-guaxinins, chinchilas, cordeiros karakul e raposas-do-ártico, entre outros, com exceção dos casos em que as peles foram obtidas por comunidades indígenas por meio de práticas tradicionais de caça de subsistência. A medida entra em vigor em setembro de 2026, o que significa que a atual edição da semana de moda de Nova York já acontece sob a nova política no calendário oficial. O prazo dado pela entidade desde o anúncio foi pensado justamente para permitir que as marcas ajustassem suas coleções a tempo da temporada primavera/verão 2027. Ainda assim, essa transição já vinha se desenhando desde as coleções de outono/inverno de 2025, quando os materiais sintéticos ganharam força nas passarelas.

O CEO e presidente da CFDA, Steven Kolb, comunicou à Vogue que espera que a mudança inspire os designers americanos a refletirem sobre o impacto da indústria da moda sobre os animais, reforçando que já havia pouca ou nenhuma pele nas passarelas de Nova York, mas que a posição formal da entidade busca ir além do gesto simbólico.
O diretor de políticas de moda da Humane World for Animals, PJ Smith, afirmou aplaudir a CFDA por usar sua influência para promover um futuro sem peles, destacando que políticas como essa abrem caminho para inovações em materiais capazes de gerar uma indústria mais ética e limpa, sem comprometer a criatividade e a estética.

Com essa decisão, a semana de moda de Nova York se torna a terceira das principais semanas de moda a adotar uma política contra o uso de peles, depois de Londres e Copenhague. Londres já havia estabelecido uma programação sem peles em 2018, enquanto Copenhague adotou uma política de proibição em 2022. A lista de eventos menores que também já haviam adotado medidas semelhantes inclui Berlim, Estocolmo e Amsterdã, entre outros, reforçando que a decisão da CFDA acompanha uma tendência que já vinha avançando na indústria da moda.
Diversas marcas renomadas já haviam banido o uso de peles antes mesmo da diretriz da CFDA, como a Coach e a Michael Kors, que deixaram de utilizar o material em suas coleções. O mesmo movimento se repete entre veículos de mídia de moda, como Vogue, Glamour, Elle e vários outros que não empregam mais esses materiais em seus editoriais, movimento que ganhou força ainda em 2025, quando a Condé Nast, grupo que controla essas publicações, anunciou o banimento de peles em conteúdo editorial e publicitário.

A diretora fundadora da Collective Fashion Justice afirmou esperar que semanas de moda como Paris e Milão sigam esse exemplo, uma vez que as peles ainda não foram banidas nesses eventos.
A semana de moda de Nova York acontece entre os dias 10 e 15 de setembro de 2026. A adoção da nova política pela CFDA amplia a pressão sobre outras semanas de moda internacionais e reforça uma discussão que vem ganhando espaço na indústria: o futuro do uso de peles nas coleções e nos conteúdos relacionados à moda.
