O limite entre a ficção e a realidade na Bienal do Livro

Foto capa: Reprodução/Caderno Pop

Por Letícia Alves e Rafaella Gama

A Bienal do Livro de São Paulo 2026 aconteceu de 04 a 13 de setembro e contou com mais de 760 mil visitantes, se consagrando como a maior edição da história. Entre os mais de 800 autores convidados, grandes nomes como Carla Madeira, Conceição Evaristo, Lynn Painter e Raphael Montes marcaram presença entre os dias de evento e levaram uma série de fãs de livros de todos os estados do Brasil ao Distrito Anhenbi.  

Porém, não foram só as milhares de obras e os aclamados autores presentes que chamaram a atenção do público. Um episódio ocorrido durante o evento repercutiu negativamente nas redes sociais: imagens de pessoas interagindo de forma calorosa com um homem mascarado em um estande voltado para livros de dark romance.

Foto: Reprodução/TikTok

Após a repercussão do caso, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo se manifestou para esclarecer que o episódio ocorrido no espaço da editora Fruto Proibido não fazia parte de nenhuma ação ou publicação promovida ou autorizada pela organização. 

“A Bienal Internacional do Livro de São Paulo não compactua com condutas ou ações inadequadas dirigidas ao público e reafirma seu compromisso com a manutenção de um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos os visitantes, expositores, autores, profissionais e demais participantes do evento”, diz a nota enviada para o Estadão. A editora também afirmou não ter contratado o homem para nenhuma ação realizada no estande.

Mas afinal, o que é o dark romance? Criado em meados de 2016, é um subgênero literário que mistura narrativas românticas com temáticas pesadas, tensão psicológica, moralidade ambígua e relações de poder desequilibradas. Cenas +18 e personagens duvidosos são a marca registrada desse gênero tão polêmico que, graças principalmente às redes sociais, vem se popularizando tanto entre os jovens adultos nos últimos anos.  

O problema que está em discussão não é a simples existência desse subgênero literário, mas sim a normalização de comportamentos inadequados e às vezes até criminosos. É inegável que muitas das obras do dark romance romantizam a violência e a desigualdade de poder nos papéis de relacionamento, mas isso não significa que a leitura em si seja o problema, e sim a forma como essas dinâmicas escapam da página. 

É preciso entender que existe uma diferença entre consumir essa violência dentro da ficção e replicá-la fora dela, em um espaço público, diante de desconhecidos — em sua maioria menores de idade. Não é a personagem tóxica que preocupa; é o instante em que a fronteira entre fantasia e realidade se apaga o suficiente para que um homem mascarado, encarnando esse arquétipo, seja recebido com euforia coletiva.

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