Sydney Sweeney como modelo para casa de apostas: o corpo da mulher como estratégia de publicidade

Foto Capa: Divulgação/Novig

Por Luana Nascimento e Maria Luiza Massa

Lançada em 9 de setembro, a campanha da Novig chamada “Just Sports”, com Sydney Sweeney, rapidamente chamou atenção nas redes sociais e passou a ser criticada por atletas que consideraram a publicidade uma forma de sexualização do esporte feminino.

No comercial, a atriz aparece em diferentes momentos nua ou seminua posando com objetos esportivos como luvas de boxe, raquete, bolas e taco de golfe. A marca utiliza do corpo feminino para divulgar a plataforma, que permite aos usuários realizar previsões sobre acontecimentos relacionados a competições esportivas.

A escolha estética da campanha foi criticada por atletas, que questionaram o uso da sexualização feminina em uma peça publicitária diretamente relacionada ao esporte uma vez que, a luta pela inserção da mulher no mundo esportivo acontece há décadas para que seu desempenho, suas conquistas e suas trajetórias sejam valorizados para além da aparência física.

Divulgação/Novig

A resposta da atriz contribuiu para o aumento da especulação nas redes sociais. Rebatendo críticas, Sydney Sweeney publicou imagens de atletas como Serena Williams, Ronda Rousey, Sue Bird e Megan Rapinoe em ensaios sensuais. A publicação foi interpretada como uma forma de questionar por que sua campanha seria criticada enquanto outras mulheres do esporte também já expuseram seus corpos.

A questão, porém, vai além da liberdade individual. Embora uma mulher tenha autonomia sobre a própria imagem, a campanha também utiliza a sensualidade como estratégia comercial para promover uma plataforma de apostas esportivas. Por isso, o debate não se limita à escolha de Sweeney de aparecer nua ou seminua, mas à maneira como o corpo feminino é utilizado para atrair um público e vender um produto.

Mas porque essa propaganda se torna tão polêmica?

A obra publicitária da plataforma de apostas esportivas se utiliza de uma sexualização excessiva da mulher para vender os jogos de azar ao em vez de valorizar a questão atlética. O ato da atriz e da marca em usar acessórios esportivos para tapar seu corpo gera uma visão de como se essa fosse a retratação das mulheres nos esportes, definindo as mesmas pela sua aparência e não pelas conquistas esportivas.

Propagandas como essas incentivam a objetificação das mulheres no cenário esportivo além de influenciar negativamente meninas que estejam interessadas em investir em uma carreira atlética para a sua vida.

Divulgação/Novig

A atleta de futebol do Sub-20 do Vasco da Gama , Júlia de Sul, afirma: “Já lutamos muito para conquistar nosso espaço, seja como atletas ou em outras áreas, então é chato quando o nosso corpo acaba ganhando mais destaque do que o nosso talento e trabalho. As mulheres muitas vezes têm a aparência e o corpo mais destacados. Acho que a mulher pode ser valorizada pela sua beleza, mas sem deixar o talento e o desempenho em segundo plano.” – Disse a jogadora.

Uma mulher no esporte trabalha e luta para conquistar o seu lugar, e postagens hipersexualizadas, como a da Sydney Sweeney para a plataforma de apostas, resumem a mulher apenas pelo seu corpo. Sendo considerado pelas críticas e o público em massa nas redes sociais como um regresso após as lutas femininas por décadas para conquistar seu espaço na área.

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