Foto capa: Mariana Silvestre
Por Mariana Silvestre
O cineasta Rodrigo Pinto estreou seu novo documentário ´Ninguém Pode Provar´, em setembro, na Estação Claro. O documentário foi feito em homenagem à memória do jornalista e diretor criativo Ezequiel Neves e a amizade entre os dois.
O projeto já existia a muitos anos, mas só começou a ser produzido quando Ezequiel Neves desenvolveu problemas de saúde (que levaram a sua morte em 7 de julho de 2010, aos 74 anos). Feito com base em conversas, entrevistas, momentos íntimos e pesquisas amplas sobre o trabalho do jornalista, o documentário busca mostrar Ezequiel para além de sua fama por ter descoberto Cazuza e Barão Vermelho, e apresentar ao público seu lado verdadeiro, porém pouco conhecido, abordando sua trajetória na arte, seu trabalho como jornalista musical, suas revoluções e seu lado polêmico relacionado as mentiras que era conhecido por contar.
Mais que admiração, uma amizade
Rodrigo e Ezequiel já eram amigos de longa data quando a ideia do documentário surgiu e que, segundo o cineasta, foi um pedido do próprio: “Eu conheci o Ezequiel como um amigo, e eu já fazia pequenos documentários para televisão, ele me via com a câmera e dizia ‘pô você não vai gravar nada comigo não’ e eu dizia ‘para de ser metido cara’… Eu sabia que tinham histórias muito legais dele e quando ele fez essa pergunta, se eu ia gravar, eu falei que ia combinar algumas coisas e fazer, e então comecei a fazer entrevistas com ele…’- Rodrigo Pinto.
Transparência como foco principal
O documentário se destaca por não mostrar apenas a excentricidade de Ezequiel, mas por mostrar também seu lado controverso, já que era conhecido por ser um grande contador de mentiras: “Ele é um cara que brinca com essa ideia de verdade, embora ele fosse muito fiel a realidade, ele fazia tão bem-feito que você achava que era realidade” – Rodrigo Pinto.
O uso de inteligência artificial
Uma característica original do filme foi o uso de IA para a montagem de algumas cenas, como entrevistas com personagens que já morreram ou narração de textos, o longa se destaca como um pioneiro na tecnologia pois sua produção foi feita antes da evolução das inteligências artificias. “Não imagine ver uma coisa visual completamente recriada que nunca existiu ou uma pessoa que é falsa, é um recurso a mais que a gente usou para preencher umas lacunas” – Kika Serra, roteirista de Ninguém Pode Provar Nada.
“Eu acho que ele gostaria, talvez ele dissesse ‘vamos fazer outro’, eu acho que ele talvez gostaria da ideia, ele nunca teve problemas com critica, transparência ou polêmica, ele até ria um pouco disso e não se levava muito a sério, isso eu acho bacana!” – Rodrigo Pinto quando perguntado o que Ezequiel acharia do filme.
