Do pioneirismo de Celina Guimarães à defesa das urnas em 2026

Foto capa: Participação Ativa das Mulheres nas Urnas em 2026. Reprodução/TSE

Por Camilly Ayres

Neste dia 3 de novembro, data em que se celebra a instituição do direito de voto da mulher no Brasil, o Em Todo Lugar lembra como essa conquista começou: no interior do Rio Grande do Norte, em 1928. A professora Celina Guimarães Viana fez história ao se tornar a primeira mulher a votar não só no país, mas em toda a América Latina. Ela usou uma lei do estado que não proibia expressamente o voto feminino e exigiu o seu direito de eleitora. Embora o voto dela tenha sido anulado pelo governo na época, o recado já tinha sido dado. Pouco tempo depois, em 24 de fevereiro de 1932, o direito de votar e de ser votada virou lei federal para todas as brasileiras alfabetizadas, uma conquista que mudou os rumos do país.

Celina Guimarães votando em 1928. Foto: Acervo da Prefeitura de Mossoró

Mais de noventa anos depois do feito pioneiro de Celina, as mulheres conquistaram espaço nas urnas e hoje representam a maioria das eleitoras brasileiras, somando mais de 52% do eleitorado. No entanto, ainda ocupam pouquíssimos cargos na política. Nas eleições de 2026, a grande mobilização feminina teve como foco garantir que esses direitos continuassem protegidos e que as mulheres pudessem participar da vida pública com total segurança.

Mulheres em Luta pelo Brasil. Foto: PCdoB

Essa mobilização nas últimas eleições envolveu frentes decisivas para o futuro da cidadania. Uma das principais batalhas foi o combate direto à violência e ao desrespeito contra as candidatas, com a criação de redes de proteção contra ataques de ódio na internet, ameaças e preconceito de gênero. Ao mesmo tempo, o debate serviu para defender ativamente a preservação do direito ao voto e o fortalecimento da voz feminina nas urnas, mostrando que a democracia só é plena quando todas as mulheres têm o direito de escolher seus representantes de forma livre, consciente e sem pressões.

Outro ponto fundamental da disputa foi exigir o apoio real dos partidos às campanhas femininas. As eleitoras e lideranças cobraram a entrega correta dos recursos do fundo partidário e do tempo de televisão para as candidatas, combatendo a prática de usar mulheres apenas para cumprir cotas de fachada.

Lembrar a trajetória de Celina Guimarães Viana é essencial para valorizar o direito que existe hoje. Defender o voto feminino não é apenas olhar para o passado com admiração, mas garantir, no presente, que nenhuma mulher seja intimidada na hora de votar ou de se candidatar. A urna continua sendo a principal ferramenta do cidadão para construir um país mais justo, seguro e igualitário para todos.

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