Foto capa: Giovani Dietrich
Por Giovani Dietrich
Na manhã desta quinta-feira (5), estudantes e convidados se reuniram na sala Hélio Alonso, durante o UniFACHA Festival, para uma conversa sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na construção de suas carreiras. Ao longo do encontro, foram compartilhadas experiências e reflexões sobre as barreiras sociais e profissionais que ainda fazem parte da realidade feminina, além de estratégias para conquistar autonomia, reconhecimento e espaço no mercado de trabalho. A palestra contou com a participação de Thalita Gonçalves, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e colaboradora da Laboratoria, e Ana Clara Canellas, coordenadora de programas e aprendizagem.
Um dos pontos destacados foi a necessidade de as mulheres reconhecerem seu próprio valor e desenvolverem habilidades de negociação. As participantes ressaltaram que as mulheres não devem receber menos do que os homens pelo exercício de uma mesma função e que a construção de uma carreira também passa pela capacidade de reivindicar oportunidades e melhores condições de trabalho.
Outro assunto abordado foi a desigualdade de oportunidades entre mulheres de diferentes realidades sociais. A palestra trouxe reflexões sobre o que significa ser uma mulher negra na sociedade e sobre os obstáculos adicionais enfrentados por quem precisa disputar vagas com candidatos que tiveram acesso a melhores condições financeiras e educacionais.
As convidadas também chamaram a atenção para a chamada tripla jornada feminina, marcada pela necessidade de conciliar carreira profissional, responsabilidades domésticas e cuidados com a família. A situação é ainda mais desafiadora para mães solo, que precisam administrar essas demandas com menos apoio. Nesse contexto, foi levantada uma reflexão importante: nem todas as pessoas dispõem das mesmas 24 horas para construir suas trajetórias profissionais.

Mulheres e os desafios do mercado de trabalho
A representatividade feminina também ganhou destaque, especialmente no setor de tecnologia. Durante a palestra, foi mencionado que as mulheres representam aproximadamente 20% dos profissionais da área, enquanto a participação de mulheres negras é ainda menor.
As convidadas também discutiram a vulnerabilidade feminina em momentos de instabilidade profissional, destacando que as mulheres, principalmente as negras, estão entre os grupos mais afetados pelos processos de demissão.
Outro ponto importante foi a pressão social sobre a maneira como as mulheres se comportam no ambiente profissional. A necessidade de preservar a própria imagem, controlar a expressão da raiva e desenvolver jogo de cintura diante de situações de machismo foi discutida como mais uma exigência imposta às mulheres no cotidiano corporativo.
A palestra também abordou a relação entre as mulheres e a inteligência artificial, destacando a importância de compreender e utilizar a tecnologia como ferramenta de desenvolvimento profissional.
A construção da própria narrativa
Além dos obstáculos, o encontro trouxe orientações sobre como as mulheres podem fortalecer suas trajetórias. Entre os conselhos apresentados estiveram a importância de desenvolver a comunicação, exercitar a criatividade, ler livros, trabalhar a imaginação e reconhecer as próprias conquistas.
As convidadas ressaltaram que cada mulher precisa construir uma narrativa que valorize sua história, suas experiências e suas competências, sem permitir que padrões sociais ou preconceitos determinem seu potencial.
A idade também foi tema de reflexão. As participantes destacaram que não existe um momento único para alcançar o sucesso profissional e que a experiência pode representar uma oportunidade de maior autonomia e segurança nas decisões.

Entrevista ao Em Todo Lugar
Em entrevista ao Em Todo Lugar, as convidadas foram questionadas sobre o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho e se acreditam que, um dia, mulheres e homens alcançarão direitos iguais no ambiente profissional.
Na resposta, destacaram que a trajetória em busca da igualdade é marcada por avanços e retrocessos. Apesar do desânimo provocado por determinadas situações do mercado de trabalho, existe esperança na construção de um futuro mais igualitário.
As entrevistadas reconheceram que muita coisa já mudou, mas ressaltaram que ainda há um longo caminho a percorrer. Também destacaram que, conforme acumulam experiências e desenvolvem suas carreiras, as mulheres conquistam mais autonomia e passam a ter maior controle sobre suas próprias trajetórias.
Ao final, a palestra reforçou a importância do empoderamento feminino, da valorização das experiências individuais e da preparação constante. A mensagem central foi a de que reconhecer o próprio brilho, desenvolver habilidades e construir uma narrativa sobre a própria história são passos fundamentais para ampliar as oportunidades e transformar a presença feminina no mercado de trabalho.
