Foto capa: Reprodução/Instagram
Por Rafaella Gama
Entre os dias 30 de outubro e 8 de novembro, a Orla do Parque Nanci é palco da 11ª Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM). Com entrada gratuita e programação das 8h às 20h, o evento, realizado pela Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Educação e da Companhia de Cultura e Turismo (MARÉ), homenageia, este ano, a filósofa, escritora e professora Marilena Chauí, um dos nomes mais importantes do pensamento brasileiro contemporâneo. A abertura, na sexta-feira (30/10), contou com a participação remota da homenageada e com um encontro entre a jornalista Aline Midlej e a educadora Bárbara Carine sobre leituras negras. À noite, Os Garotin e o grupo Resenha do Charme encerraram o primeiro dia no Palco Principal.

A FLIM se espalha por diversos ambientes. Além do Palco Principal e da Feira do Livro, há a FLIMzinha, espaço infantil com apresentações de teatro, música e dança, e a Arena do Estudante, dedicada à participação estudantil, com debates sobre educação e representatividade jovem. Também fazem parte da estrutura a Rádio FLIM e o Papo FLIM/Língua ao Mar, que reúne vozes de países de língua portuguesa em encontros de literatura, poesia e música. A cultura gamer e geek também ganhou espaço com o Maricá Games, que promove torneios de eSports e concursos de K-pop e cosplay, uma forma de aproximar da literatura um público que nem sempre frequenta feiras de livros.
Na Feira do Livro, grandes editoras que compõem o cenário nacional, como Intrínseca, Companhia das Letras, Arqueiro, Globo Livros e Rocco, dividem o espaço com editoras locais e independentes, que aproveitam o evento para divulgar pequenos autores. Para facilitar o acesso, a Prefeitura distribuiu um vale-livro de R$ 300 para estudantes e profissionais da educação do município, creditado na moeda social Mumbuca e destinado à compra de livros durante a festa.

Falando em autores, Conceição Evaristo, Gregório Duvivier e Eduardo Spohr estão entre os convidados para palestras e sessões de autógrafos ao longo dos dias. A programação musical também chama atenção: Marina Sena, Delacruz, Baco Exu do Blues, BK, Gloria Groove e Criolo passam pelo palco. No domingo (1º), Boca Livre e Edu Lobo encerraram a programação com um show gratuito.
O público responde: nos primeiros cinco dias, a Prefeitura contabilizou uma média de 28 mil visitantes por dia, número que já supera o total de pessoas registrado em 2024. Em 2025, a 10ª edição havia reunido mais de 260 mil visitantes em dez dias, um recorde.
Eventos como a FLIM ganham ainda mais importância diante do cenário da leitura no país. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostrou que a proporção de leitores caiu de 52% para 47% entre 2019 e 2024 e que, pela primeira vez na série histórica, os não leitores passaram a ser maioria. Nesse contexto, uma festa literária que coloca livros, autores e debates no centro da cidade ajuda a aproximar a leitura do cotidiano de quem talvez nunca tenha pisado em uma livraria.
A gratuidade é parte fundamental dessa aproximação, porque derruba uma das primeiras barreiras entre o público e a cultura: qualquer pessoa pode entrar, circular entre os estandes, assistir às palestras e levar a família inteira sem pagar nada por isso. O vale-livro de R$ 300 para estudantes e profissionais da educação vai além do acesso e incentiva a formação de leitores dentro e fora da sala de aula, ao permitir que quem estuda e quem ensina monte a própria biblioteca. O interesse do público mostra que há leitores em potencial quando a literatura é oferecida de forma acessível, diversa e próxima da realidade das pessoas.

