Foto capa: Da Cop à Copa; Divulgação/Gol Girls
Por Igor Serrano
Na última sexta-feira (7), o estádio Nilton Santos e a Nave do Conhecimento local foram palco do 2º Summit organizado pelo Instituto Gol Girls. Com o título ‘Da COP à Copa: como colocar as meninas no centro dos diálogos?’, o evento uniu a iminência de dois grandes eventos, a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Belém, nos próximos dias, e a Copa do Mundo de futebol feminino de 2027, que também acontecerá no Brasil.

Pela manhã, as meninas do Gol Girls conheceram o gramado da casa alvinegra e puderam participar de atividade recreativa com a equipe sub-20. Em seguida, tiveram a oportunidade de fazer perguntas para três atletas da equipe profissional feminina (Tipa, Jullia e Sassá), além da goleira Sarah do sub-20, em uma emocionante roda de conversa e troca de experiências. Em comum, as respostas focaram em conselhos para não se abalarem pelo machismo, infelizmente, ainda muito presente em nossa sociedade; que todas podem ser o que quiserem, ninguém deverá determinar por elas; e que persistam em seus sonhos, no futebol ou fora dele.

Além do campo e bola, foi possível também conhecer cada espaço do Niltão, como refeitório, vestiários e a sala de imprensa. Para muitas, foi o primeiro contato com um estádio de futebol. Caso de Lara, 15 anos, que sonha em ser jogadora de futebol ou estilista e era uma das mais entusiasmadas com o passeio. Já Bárbara, 12 anos, que também pretende se tornar atleta profissional de futebol ou juíza, foi quem mais aproveitou a experiência de ser entrevistada no mesmo local que os atletas e as atletas da Estrela Solitária vão após as partidas.

Após o tour, as meninas foram para a Nave do Conhecimento, do lado do estádio, para a programação da tarde. Lá, em evento aberto ao público, duas mesas com especialistas buscaram debater caminhos e alternativas para o presente e futuro da juventude feminina negra e periférica.
O primeiro painel contou com Amanda Storck (gerente de futebol feminino do Fluminense), Roberta Bezerra (gerente de futebol feminino do Botafogo) e Thaissan Passos (treinadora e fundadora do projeto Daminhas da Bola) e o tema ‘Como o Brasil e o Rio de Janeiro têm promovido a participação de meninas e mulheres no esporte?’.
Além de compartilharem suas trajetórias profissionais, Amanda, Roberta e Thaissan lembraram do momento do futebol feminino no país, em especial no Rio de Janeiro, onde há enorme dificuldade em recrutar e manter bons talentos, diante do campeonato e calendário paulista, bem mais organizados e com nível de infraestrutura superiores. Mesmo assim, os clubes cariocas vêm conquistando resultados positivos nos campeonatos de base e profissional.
O segundo painel focou na justiça climática e a educação ambiental, fazendo conexão com o conceito de racismo ambiental e a COP 30. Para tanto, Gisele Moura (cientista ambiental), Rafaela Siqueira (engenheira ambiental e diretora administrativo-financeira do Gol Girls) e Viviane Japiassú (engenheira ambiental) buscaram responder à pergunta: ‘Como as meninas se inserem no diálogo e nas práticas ambientais?’.
As palestrantes lembraram que mulheres, adolescentes e meninas negras são as mais impactadas com as mudanças climáticas recentes do planeta, no Brasil, em especial. E, portanto, fundamental que elas estejam sempre como protagonistas e interessadas no rumo das decisões que as afetarão e não apenas quando ocorrem as catástrofes ambientais.
Eleger mulheres alinhadas com essas pautas e a necessidade de dosar responsabilidade ambiental (não jogar lixo na rua e não desperdiçar água, por exemplo) com a não adultização da infância e da juventude foram os pontos mais destacados ao longo de suas falas.

Após o movimentado dia com muitas experiências, vivências e conselhos importantes de mulheres potentes e referências em suas áreas, as meninas retornaram para suas casas, mais do que nunca, certas de que nada, nem ninguém irá pará-las na busca por tornar seus sonhos em realidade.
Sobre o Gol Girls
O Gol Girls foi fundado por Renata Siqueira, “uma menina negra da favela do Rio de Janeiro que cresceu, venceu vários desafios e deseja facilitar, junto com outras mulheres, o acesso de meninas negras e faveladas a oportunidades e sonhos que, no Brasil, são barrados pelo racismo, machismo e a desigualdade social”.
A ideia de criar o projeto surgiu após a participação de Renata no Global Sports Mentoring Program, iniciativa do Governo dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade do Tennessee, que incentivava mulheres líderes no esporte em diferentes países a realizarem projetos em prol de outras meninas e mulheres.

O Gol Girls tem como objetivo promover o empoderamento de meninas negras e periféricas, usando o esporte como uma ferramenta poderosa para abrir portas e realizar sonhos, fortalecendo seus caminhos de descoberta do mundo, auxiliando na construção da autoestima e a ocupação de todos os espaços. As meninas participantes têm idades entre 12 e 17 anos, são moradoras de favelas, estudam em escolas públicas e precisam de mulheres modelos para se inspirarem e sonharem com muitas possibilidades de futuro.
Para mais informações sobre o Gol Girls, acesse o site e o Instagram.
