Galliano recusa e cancela retrospectiva planejada pelo Met para 2027

Foto capa: Kevin Tachman / MG19 / Getty Images for the Met Museum

Por Marina Campos

Na manhã da última segunda-feira, dia 31 de agosto, John Galliano anunciou em suas redes sociais que o Met Gala e a exposição no Metropolitan Museum of Art não acontecerão como previsto. O estilista iniciou sua declaração agradecendo aos atuais curadores do evento e explicou que após diálogos com a equipe do Met, considerou melhor recusar o convite para ser o tema da retrospectiva. A exposição “John Galliano: Horizons” traria a trajetória do estilista desde seu icônico desfile de formatura na Central Saint Martins até seu último desfile à frente da Maison Margiela.

“Sou profundamente grato ao Metropolitan Museum of Art e em particular, a Max Hollein, Andrew Bolton e Anna Wintour, pela extraordinária honra de propor uma exposição dedicada ao meu trabalho”.

Foto: Victor VIRGILE/Gamma-Rapho/Getty Images

Galliano seria o 3° designer homenageado pelo evento em vida e o 4° contando todos os designers, mas a escolha do tema levantou discussões entre o público depois dos acontecimentos de 2011, quando o estilista foi considerado culpado diante do tribunal francês por “insultos públicos baseados em origem, filiação religiosa, raça ou etnia”.

Na época veio a público um vídeo divulgado pelo tabloide britânico The Sun, mostrando o designer embriagado e proferindo comentários racistas e antissemitas. Em resposta, a Dior grife onde Galliano estava a frente da direção criativa, o demitiu poucos dias antes do desfile outono-inverno da marca, encerrando uma parceria de 15 anos, ele também foi afastado de sua própria grife que havia sido adquirida pelo grupo LVMH.

“Permaneço plenamente consciente da dor causada por minhas palavras e ações no passado, especialmente da dor que causei às comunidades judaica e asiática, e sinto um profundo arrependimento. Entendo que meu momento de reconhecimento profissional não ocorreu por meio de uma exposição, de uma homenagem institucional ou de um gesto público. Isso é uma responsabilidade contínua, demonstrada por meio de escuta, aprendizado e ações concretas ao longo do tempo”.

Foto: Former Dior designer John Galliano arrives at the Paris courthouse on Wednesday. Thibault Camus / AP

Após a condenação, Galliano ingressou em reabilitação devido a uma tripla dependência química que atribuiu à pressão da indústria da moda e permaneceu afastado dos holofotes por três anos, até retornar em uma colaboração pontual com Oscar de la Renta em 2013, mas a sua volta oficial veio em 2014 quando assumiu a direção criativa da Maison Margiela, permanecendo no cargo por até 2024, um período marcado por suas coleções aclamadas pela crítica e por um crescimento expressivo nas vendas da grife. Atualmente, o estilista tem uma parceria criativa bianual com a fast fashion Zara.

Anna Wintour, a diretora global de conteúdo da Vogue e curadora do evento, comentou descrevendo a decisão como extremamente corajosa por parte de Galliano. Ainda assim, o designer concluiu que seria melhor que a exposição não seguisse.

Foto: Anna Wintour and John Galliano at the Musée Rodin 2026 – Swan Gallet/PMC

“Não quero que o debate em torno da exposição coloque o Met em uma posição difícil ou desvie a atenção do extraordinário trabalho do Costume Institute. Também reconheço e respeito que uma exposição celebrando meu trabalho seria dolorosa para algumas pessoas”.

Por enquanto, o Met segue sem tema estabelecido para 2027. Espera-se que o novo anúncio seja divulgado nas próximas semanas

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