PETA interrompe desfiles da H&M em NY e Londres e reacende debate sobre a lã na moda 

Foto Capa: reprodução/Getty Images

Por Marina Campos e Maria Luisa Marques

Neste domingo, 4 de outubro, é celebrado o Dia Mundial dos Animais, data criada para ampliar a conscientização sobre o bem-estar e a forma como os animais são tratados. Na moda, a relação entre animais e vestuário é um debate antigo, mas ganhou novos capítulos durante as semanas de moda de Nova York e Londres, realizadas em setembro. 

Durante os eventos, manifestações da organização de defesa animal PETA interromperam apresentações de marcas ligadas ao grupo H&M. O alvo das ações foi especificamente o uso de lã, material que, apesar de ser considerado uma fibra natural e renovável por parte da indústria, passou a ser questionado por grupos de direitos animais. 

Em Nova York, no dia 13 de setembro, ativistas interromperam o desfile da COS, marca pertencente ao H&M Group. Os manifestantes entraram na passarela carregando mensagens contra o uso de lã e protestando contra as condições de criação e tosquia das ovelhas. A manifestação ganhou grande repercussão depois que Steven Kolb, então presidente e CEO do Council of Fashion Designers of America, o CFDA, interveio fisicamente para retirar dois dos manifestantes da passarela. O episódio foi registrado em vídeo e rapidamente circulou nas redes sociais. 

(créditos: reprodução/Instagram)

Poucos dias depois, a manifestação atravessou o Atlântico. Em 17 de setembro, durante o desfile da H&M em Londres, no Kensington Olympia, três apoiadores da PETA interromperam a apresentação em momentos diferentes. Os manifestantes carregavam cartazes com a frase “H&M: Wool is bloody cruel. Drop it!”, pedindo que a marca deixasse de utilizar lã. Cada um caminhou pela passarela antes de ser retirado pela segurança, em um episódio que a imprensa descreveu como mais pacífico do que o ocorrido em Nova York na semana anterior.

Os episódios chamaram atenção justamente porque aconteceram dentro das próprias apresentações de moda, deslocando parte dos holofotes das coleções para a discussão sobre a origem dos materiais utilizados pela indústria. A estratégia de interromper desfiles não é nova para a PETA, que há décadas realiza ações contra o uso de peles e outros materiais de origem animal. A novidade desta temporada foi o foco direcionado especificamente à lã. 

O debate, porém, não é simples. Enquanto organizações de defesa animal defendem a substituição da lã por materiais que não envolvam animais, parte da indústria argumenta que a lã pode ser produzida sob padrões de bem-estar e certificações específicas. Além disso, especialistas também apontam que substituir uma fibra natural por alternativas sintéticas pode trazer outros impactos ambientais. 

A discussão também acontece em um momento de mudanças nas próprias semanas de moda. Em Nova York, a partir de setembro de 2026, o CFDA passou a proibir peles de animais obtidas por criação ou caça nas coleções apresentadas no calendário oficial. A lã, entretanto, não está incluída nessa restrição, deixando espaço para que o material continue sendo alvo de debates e manifestações. 

Mais do que interromper alguns minutos de um desfile, os protestos colocaram uma questão maior no centro da temporada: quais materiais a moda está disposta a manter e quais está disposta a repensar? No Dia Mundial dos Animais, a pergunta ganha um novo contexto, mas a discussão começou muito antes da data e deve continuar muito depois dela. 

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