Foto capa: Hasnoor Hussain/Reuters
Por Marina Campos
Com chuva, a escolha dos pneus pode ser decisiva para o resultado de uma corrida. O GP do Bahrein, disputado excepcionalmente no Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, teve a largada atrasada por causa de uma forte tempestade e viu as equipes se dividirem entre pneus intermediários e slicks nas primeiras voltas.
Poucos elementos da Fórmula 1 influenciam tanto o resultado de uma corrida quanto os pneus. Em condições de chuva, essa importância fica ainda mais evidente. Enquanto, em uma pista seca, a diferença entre os compostos pode ser de apenas alguns décimos de segundo, em uma pista molhada ela pode chegar a vários segundos por volta. Em alguns casos, a escolha pode definir a diferença entre terminar nas primeiras posições ou não conseguir completar a corrida.
A Pirelli, fornecedora oficial de pneus da categoria, trabalha com três tipos principais para diferentes condições de pista. O slick é totalmente liso e desenvolvido para o asfalto seco, sem sulcos para retirar a água. O intermediário possui canais na superfície e é utilizado quando a pista está molhada, mas ainda não apresenta condições que exijam o pneu de chuva extrema. Já o pneu de chuva, conhecido como full wet, possui maior capacidade de escoar a água e é usado nas condições mais severas.
A função desses compostos é simples de entender, mas difícil de colocar em prática: retirar a água que fica entre o pneu e o asfalto. Quando essa camada não é eliminada de forma suficiente, o pneu perde contato com a pista e o carro pode começar a deslizar sobre a água. Esse fenômeno é conhecido como aquaplanagem. Com isso, a aderência diminui e o risco de acidentes aumenta, independentemente da habilidade do piloto.
Por esse motivo, em dias de chuva, decidir o momento certo para trocar os pneus se torna uma questão estratégica. As equipes não precisam pensar apenas nas condições da pista naquele momento, mas também no que pode acontecer alguns minutos depois, quando o novo pneu atingir a temperatura ideal de funcionamento. Esse período de mudança é chamado de crossover, quando um tipo de pneu passa a oferecer um desempenho melhor do que o outro.
No fim, a chuva não deixa a Fórmula 1 apenas mais imprevisível. Ela também mostra, de maneira mais clara, como o desempenho de um carro depende da combinação entre o tipo de pneu, a temperatura, a quantidade de água na pista e a leitura das condições do circuito. Acertar essa combinação pode ser tão importante quanto o talento do piloto que está ao volante.
