Foto capa: O Tempo
Por Mariana Silvestre
Na eleição de 2022, o atual presidente Lula (PT), partido de centro-esquerda a esquerda, ganhou com 50,90% dos votos, uma diferença de 1,8% comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), partido de extrema direita. Na eleição de 2026 a extrema-direita venceu a esquerda no primeiro turno com uma diferença de 1,87% de votos, com o candidato Flávio Bolsonaro (PL) vencendo com 47,03% dos votos, enquanto Lula teve 45,16%.
O número de deputados eleitos da direita também superou o da oposição, ocupando 276 cadeiras, repetindo o resultado de 2022 e mantendo, assim, forte influência na política, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A conquista do apoio da classe operaria e dos jovens pela direita é o que pode justificar essa mudança de lado, influenciada por questões de desenvolvimento econômico, comunicação entre candidatos e eleitores e desânimo com cenários repetidos.
Empreendedorismo como novo ideal de vida
Cerca de 68% a 71% dos brasileiros apoiou o fim da escala 6×1 e, em paralelo a isso, 83% dos brasileiros não desejam ter patrão e 88% quer ter o próprio negócio. 66% acham que ajuda social deve ser dada apenas para quem trabalha, enquanto 30% acreditam que programas de governo só incentivam as pessoas a trabalhar menos. A maioria dos cidadãos médios não idealiza mais um trabalho formal CLT, e sim, o individualismo e o liberalismo econômico.
Embora ambos os candidatos tenham apresentado propostas voltadas ao empreendedorismo, a diferença entre suas abordagens gera uma preferência entre os eleitores: Lula defende uma atuação mais expressiva do Estado, com linhas de crédito, compras governamentais e fundos públicos, enquanto Flávio aposta mais na redução de impostos, da burocracia e das regulações. Essa última abordagem transmite uma sensação de liberdade ao microempreendedor que não deseja a interferência do Estado na abertura de seu próprio negócio, por acreditar que ela pode trazer mais prejuízos do que crescimento econômico, devido à criação de novos impostos ou ao aumento das exigências burocráticas.
As redes sociais como arma de comunicação
As redes sociais se tornaram a principal fonte de informação da sociedade. Desta forma, os veículos de comunicação têm passado por fenômenos de tiktokrização para se adaptar ao formato e ao ritmo das telas e alcançar um público cada vez maior. Na política, não seria diferente. As eleições de 2026 foram marcadas pela influência das redes sociais, nas quais candidatos e partidos utilizaram seus perfis para realizar campanhas. Especialistas apontam que a direita soube dominar essas ferramentas, enquanto a esquerda apresentou dificuldades, recorrendo mais a métodos tradicionais e menos estratégicos de campanha, o que teria prejudicado sua comunicação com o público mais jovem.
“Se a esquerda não dominar as redes sociais, perde” – Ana Elisa, recém-eleita deputada de Minas Gerais pelo PT que começou sua carreira como influenciadora de política.
A ânsia por novidade e o desânimo com cenários repetidos
Nesta eleição, houve 4,77% de votos nulos, uma leve alta em comparação com as eleições de 2022, quando esse percentual foi de 4,41%, além de mais de trinta milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno. Apenas 14 de 32 candidatos ao Senado foram reeleitos, e o candidato à Presidência que se manteve à frente no primeiro turno nunca havia concorrido ao cargo anteriormente. Esses fatores apontam que a população já não se satisfaz com as mesmas disputas e busca novos personagens. Além disso, o crescimento das abstenções demonstra que outra parcela do eleitorado está desanimada com as opções disponíveis. Após escândalos e mandatos considerados insuficientes para a recuperação da economia e a redução da violência e da desigualdade, consolidou-se um sentimento coletivo de desesperança.
