Ser ou não ser número 1? Documentário mostra luta de Guillermo Vilas para provar que foi o melhor do mundo no tênis

Por Lucas Furtado Isaias  

Guillermo Vilas escreveu um capítulo marcante e importante no tênis argentino e sul-americano na década de 1970 com sua vitoriosa e marcante trajetória nas quadras. Entretanto a ATP, em seus rankings, nunca o reconheceu como número 1 do mundo, o que sempre foi motivo de muita frustação para o tenista, tendo todos os pedidos de revisão do resultado negados pela associação.  

Em 2007, a WTA reconheceu que Evonne Goolagong, campeã de sete Grand Slams, foi a número 1 do ranking durante duas semanas de 1976 à frente de Chris Evert, 18 vezes vencedora dos quatro principais torneios e um dos maiores nomes da história do tênis, e isso instigou o jornalista Eduardo Puppo a investigar todos os resultados e rankings entre 1973 e 1978 para tentar fazer uma reparação histórica. A investigação durou 12 anos e virou um documentário da Netflix, lançado em outubro de 2019, intitulado “Guillermo Vilas: Esta Vitória é Sua” (Vilas: Serás Lo que Debas Ser o Serás Nada) e dirigido por Matías Gueilburt. 

Trailer oficial do documentário sobre Guillermo Vilas na Netflix

Durante a investigação, foi descoberto que Vilas teve sua liderança negada por diversas oportunidades neste período, além de falhas e omissões nos rankings da época que ainda eram divulgados de maneira esporádica. Como exemplo, no ano de 1975, quando Vilas deveria ficar na liderança durante cinco semanas, de 22 de setembro até 20 de outubro, e por duas semanas em 1976 (5 e 12 de janeiro), mas os rankings não foram publicados nestes períodos, deixando Jimmy Connors na sua frente durante as sete semanas nas quais o argentino teria sido hegemônico.  

O documentário conta com depoimentos de lendas do tênis como Boris Becker, Rod Laver, Gabriela Sabatini, Björn Börg, Rafael Nadal e Roger Federer. Além de mostrar todo o processo de investigação do jornalista Eduardo Puppo, que contou com a parceria do matemático e programador romeno Marian Ciuplan, mostra também a trajetória do tenista com entrevistas, documentos e gravações em áudio que Vilas fez durante o seu auge profissional, de 1973 a 1979.  

O relatório conta com mais de 1.200 provas em mais de 22 mil jogos apurados e foi entregue ao então presidente da ATP, Chris Kermode, que averiguou a investigação, mas decidiu negar o pedido de reconhecimento, pois isso poderia causar uma avalanche de pedidos semelhantes e seria “reescrever a história”, como afirmou ao The New York Times em 2015. A associação não questionou os resultados da investigação do jornalista, apenas admitiu que os sistemas da época eram limitados e incompletos, porém reforçou que eram exatos. Puppo ficou desapontado com a decisão, já que, segundo ele, estaria faltando um pedaço da história e os argumentos da ATP eram “insuficientes”. Diversos atletas se pronunciaram de maneira contrária à decisão da associação.  

O documentário resgata e mostra ao mundo a história de um dos ídolos do tênis de um país em que a paixão por seus ícones é grande. Dono de 62 títulos profissionais, entre eles quatro Grand Slams (Roland Garros US Open em 1977 e Australian Open em 1978 e 1979), Vilas inspirou muitos atletas com o seu jogo envolvente e, mesmo 29 anos após deixar as quadras, continua inspirando muitos tenistas. O documentário mostra também um grande trabalho jornalístico de investigação em prol da preservação da memória, tão importante em qualquer setor das sociedades pelo mundo, e que histórias podem mudar fatos e alimentar debates, mesmo que isso ocorra depois de décadas.  

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s