Guia da temporada 2020/2021 da NBA – Conferência Leste/Divisão Atlântico

Por Armando Edra e Caio Moreno 

Nesta segunda parte do guia da temporada 2020/2021 da NBA, o foco recairá sobre a Divisão Atlântico, considerada a mais forte da Conferência Leste, além de, historicamente, ser considerada uma das mais equilibradas de toda a Liga. E ela tem tudo para permanecer com esse status, já que Boston Celtics, Brooklyn Nets, Toronto Raptors e Philadelphia 76ers possuem equipes competitivas e prometem uma briga acirrada pelas primeiras vagas da conferência para os playoffs. Já o “sempre em reconstrução” New York Knicks permanece sendo o patinho feio da divisão, mas com a esperança de que os jovens atletas desabrochem seus talentos nesta temporada. 

Apesar de não contar com um representante na final da NBA, a divisão dominou a conferência durante a temporada regular. Com a recuperação de Kevin Durant, o Nets chega forte na disputa pelo título. Os Celtics, com o ataque liderado pela dupla de armadores Tatum e Brown, prometem repetir a dose e chegar, novamente, às finais da conferência. Raptors e 76ers correm por fora, mas ainda assim possuem elencos qualificados o suficiente para darem trabalho aos melhores times da Liga. 

Boston Celtics (48-24) 

Tatum, Brown e Smart, trio dos Celtics, já mostraram que são eficazes, resta saber se conseguirão ganhar o 18º título de Boston – Foto: Reprodução/Celticswire

Potencial quinteto inicial

PG: Kemba Walker 

SG: Marcus Smart 

SF: Jaylen Brown 

PF: Jayson Tatum 

C: Tristan Thompson 

Finalista da Conferência Leste na última temporada, quando perdeu para Miami por 4 x 2, Boston chega ao primeiro dia de temporada como forte candidato a alcançar as finais, algo que a franquia não consegue desde 2010. Do fim da década de 1980 para cá, os Celtics só disputaram as finais em duas temporadas, ganhando do rival LA Lakers em 2008 e recebendo o troco dois anos depois. Feito modesto para uma organização tão importante. Por isso, o time foi reforçado na posição mais carente: a de pivô. Theis mostrou que pode contribuir de forma valiosa, mas Tristan Thompson vem para suprir duas necessidades do time, que são os rebotes e presença no garrafão. Ele não oferece a mobilidade, arremesso de média/longa distância e espaçamento de quadra do mesmo modo que Theis, mas o time ganha um brigador na tabela, um grande problema do time com Brad Stevens, além de alguém que sabe como contribuir para um grupo campeão. Enquanto Theis teve 2.2 rebotes ofensivos por jogo na última temporada, Thompson vem de duas temporadas seguidas com média de 4.0 ROPJ e anotando duplo-duplo (12 PPJ e 10 RPJ em 2019/2020).  

Outro problema a ser melhorado é o das assistências. Boston foi apenas o 19º em assistência por jogo na temporada regular e o 5º pior entre equipes que foram aos playoffs. Jeff Teague surge como um bom comandante veterano para a segunda unidade. Porém, após a mudança de Minnesota para Atlanta no meio da última temporada, ele colecionou números baixos, algo que não acontecia desde o seu segundo ano na Liga, em 2010/2011. Com os Hawks, foram apenas 7.7 PPJ e 4.0 APJ em 20 MPJ (minutos por jogo), sendo o reserva de Trae Young. Teague chega para ser substituto imediato do All Star Kemba Walker, podendo atuar juntos em determinadas ocasiões da partida. A expectativa é de que ele se reencontre em um bom time como o Boston.  

Algo que pode atrapalhar a franquia durante a temporada é a juventude e inexperiência da equipe. Dos 18 nomes que constam no roster, quatro são novatos, e seis são segundo-anistas. Kemba Walker, mesmo já estando em seu nono ano na NBA, só disputou os playoffs três vezes. Em compensação, Tatum e Brown ainda são novos, mas já possuem muita experiência, inclusive na pós-temporada. A expectativa segue altíssima e renovada no time 17 vezes campeão da NBA, e a tendência é de mais uma longa jornada de playoffs

Brooklyn Nets (35-37) 

Com a recente troca, Harden (centro) se junta a Durant e Irving, deixando os fãs dos Nets eufóricos ao verem o tão almejado título próximo – Foto: Reprodução/ClutchPoints 

Potencial quinteto inicial: 

PG: Kyrie Irving 

SG: James Harden 

SF: Joe Harris 

PF: Kevin Durant 

C: DeAndre Jordan 

Dizimado pelas contusões e casos de Covid-19 no fim da atípica última temporada, os Nets estão com a expectativa lá no alto para o próximo ano. Sem Kyrie Irving, Kevin Durant, DeAndre Jordan, Wilson Chandler, Spencer Dinwiddie e Taurean Prince, eram cotados para serem o pior time da bolha, porém conseguiram um 5 x 3 nos jogos restantes. Nos playoffs, foram dominados no primeiro round pelo até então defensor do título, Toronto Raptors. Alguns nomes surgiram como boas soluções saindo do banco. Tyler Johnson, que havia assinado apenas para a bolha, Luwawu-Cabarrot e Kurucs mostraram que podem contribuir com o ataque. Somando-se a Dinwiddie, Jordan, Prince e o recém-chegado Landry Shamet, havia uma rotação qualificada. 

Com a chegada de James Harden e o retorno de Durant após grave lesão, Irving terá dois excelentes parceiros para buscar o sonhado título. Além disso, temos a lenda Steve Nash, um dos maiores armadores da história e presente no hall da fama, treinando pela primeira vez uma equipe. Nash sabia como comandar e organizar um time dentro de quadra, resta ver se conseguirá fazer o mesmo fora dela tendo que lidar com três grandes estrelas da Liga.  

Entretanto, para chegar além do primeiro round, é necessário ser mais equilibrado, tanto no ataque, quanto na defesa. Brooklyn foi o 23º em tocos, 27º em roubadas de bola e 24º em turnovers cometidos. Além disso, tem péssimo aproveitamento das linhas dos três pontos e de lance livre. Os Nets foram a quinta equipe em cestas de três tentadas por jogo (38.1), sendo apenas a 27ª em aproveitamento (34.3%). Já nos lances livres, a nona em tentativas (24.1) e a 25ª em porcentagem de acerto (74.5%). No quesito rebote, mostra-se eficiente: é a segunda em rebotes por jogo, atrás somente dos Bucks. Nas assistências, aparece, exatamente, no meio da tabela. 

New York Knicks (21-45) 

As esperanças de New York estão todas depositadas no jovem promissor RJ Barrett, mas, sem um bom elenco de suporte, os Knicks devem ficar mais uma vez fora dos playoffs – Foto: Reprodução/Jumper Brasil

Potencial quinteto inicial: 

PG: Elfrid Payton 

SG: Alec Burks 

SF: RJ Barrett 

PF: Julius Randle 

C: Mitchell Robinson 

Mais uma temporada se inicia com os Knicks sendo um dos piores times da NBA. Essa não é uma novidade para os torcedores nova-iorquinos. A franquia é uma das mais bagunçadas da Liga, o que torna difícil atrair agentes livres. O último, talvez, tenha sido Carmelo Anthony. Sem grandes jogadores, a equipe aposta nos jovens. 

RJ Barrett foi selecionado na terceira escolha no Draft de 2019, mas ficou aquém do esperado no seu ano de calouro. A expectativa é de que ele tenha uma grande temporada. Nesta edição, a franquia apostou em Obi Toppin e Immanuel Quickley. Dennis Smith Jr. e Frank Ntilikina são outros dois jovens que foram selecionados em posições altas no Draft, porém ainda não corresponderam. Este núcleo ainda conta com Kevin Kxox e Mitchell Robinson. Será o ano em que eles terão que provar o seu real valor. Deve ser mais um ano de “tank” pelos lados de New York. 

Philadelphia 76ers (43-30) 

Joel Embiid e Ben Simmons são uma boa dupla, mas este é o ano limite para eles, pois um dos dois poderá ser trocado em caso de insucesso – Foto: Reprodução/Phillyvoice

Potencial quinteto inicial: 

PG: Ben Simmons 

SG: Seth Curry 

SF: Danny Green 

PF: Tobias Harris 

C: Joel Embiid 

Os Sixers vêm com um elenco bem modificado em relação à última temporada. O time titular deve ter duas mudanças. Horford e Richardson deram lugar a Curry e Danny Green. A franquia adicionou o que era sabido faltar: chutadores do perímetro. Harris deve ir para a posição antes ocupada por Horford, tornando a rotação mais móvel. Porém Danny Green precisa reencontrar os seus melhores arremessos. O ala foi muito criticado na última temporada por errar arremessos livres, inclusive na final. 

Philadelphia ainda adquiriu, via free agency, outro atual campeão, Dwight Howard, para preencher o garrafão, enquanto Embiid descansa. Ben Simmons precisa elevar o seu jogo. As suas estatísticas são as mesmas de quando entrou na NBA, ou seja, não são ruins, mas o time necessita de uma produção melhor dele. Alguns de seus números sofreram piora se comparados à temporada retrasada. A bola de três faz muita falta ao seu repertório e prejudica a equipe, já que os oponentes não se preocupam quando ele está atrás da linha. 

Toronto Raptors (53-19) 

A base do time que foi campeão em 2018/2019 permanece a mesma e, mesmo sem Kawhi Leonard, os Raptors mostraram ser competitivos o bastante para brigarem por títulos, com a liderança de Lowry e VanVleet – Foto: Reprodução/Sportshub

Potencial quinteto inicial: 

PG: Kyle Lowry 

SG: Fred VanVleet 

SF: OG Anunoby 

PF: Pascal Siakam 

C: Aron Baynes 

Campeão pela primeira vez há duas temporadas, o único time canadense na NBA quer repetir o feito. Para isso, abriu o cofre e pagou VanVleet, peça importantíssima do time. Toronto perdeu em uma série muito disputada contra Boston nos playoffs, em disputa só definida no fim do jogo sete. A defesa e o coletivo, marcas da equipe, seguem firmes para o próximo campeonato. A franquia perdeu o seu “garrafão titular”, mas Aron Baynes, após fazer uma boa temporada por Phoenix, é cotado para suprir bem a perda de Marc Gasol. Ibaka já havia perdido o posto de titular durante a última temporada, porém ainda era uns dos destaques da equipe, com produção melhor do que em anos anteriores. 

Toronto irá precisar, mais do que nunca, de boas atuações do banco, que protagonizou a melhor atuação de reservas na história da NBA na pós-temporada passada. No jogo quatro da série contra Brooklyn, os suplentes anotaram incríveis 100 pontos, maior marca já registrada. A unidade será comandada por Norman Powell, cujo papel é imprescindível para o time, e Chris Boucher, que deve ganhar mais espaço neste ano. 

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