Ágatha e Duda vencem de virada e levam quinto título na temporada no CBVP, quarto consecutivo

Foto de capa: Ana Patrícia/Inovafoto/CBV

Por Armando Edra e Rodrigo Glejzer   

Entre os dias 18 e 21 de fevereiro, foi disputada a sétima etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia (CBVP) feminino. Mais uma vez, as melhores duplas ranqueadas, nacionalmente, se enfrentaram em busca de subir na classificação e lutar pelo título nacional. Todas as partidas foram disputadas sem a presença do público, obedecendo todos os protocolos contra a pandemia da COVID-19, na bolha montada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) no Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV) localizado em Saquarema, município pertencente ao estado do Rio de Janeiro.  

 
Como nas etapas anteriores, a sétima começou na quinta-feira (18) pela primeira fase classificatória, ou qualifying, com 24 duplas disputando 8 vagas e a chance de se juntarem às 16 melhores equipes ranqueadas atualmente.  A grande novidade desta fase foi o ressurgimento de duas jogadoras com currículo invejável dentro do circuito: Maria Clara e Maria Elisa. Campeã mundial sub-21, vice-campeã do Circuito Mundial, duas vezes vice-campeã brasileira e sem jogar, oficialmente, desde novembro de 2019, na etapa de Ribeirão Preto (SP), Maria Clara retoma parceria com Juliana Simões em busca de recolocar seu nome entre as grandes competidoras do CBVP. Já a bicampeã brasileira (2007 e 2017/2018), campeã mundial (2014) e nona colocada nas Olimpíadas de Londres, Maria Elisa volta a competir, depois de passar pela gravidez de seu filho Lucca, lado a lado com sua antiga parceira Talita, separadas desde 2012. Como Maria Elisa ainda preserva parte da pontuação que tinha antes da gravidez, algo previsto por regulamento, teve vaga garantida na chave principal e entrou em quadra apenas na sexta-feira (19). 

A volta da dupla Maria Elisa e Talita, separadas desde as Olímpiadas de Londres, foi uma das novidades da sétima etapa –  Foto: Ana Patrícia/Inovafoto/CBV

Após 20 partidas eliminatórias, as duplas Dany Neves/Thaís (MS/RJ), Flávia Moura/Bárbara Ferreira (RJ/RJ), Talita Simonetti/Victoria Strehl (CE/RS), Izabel/Teresa (PA/DF), Lucília Rosa/Alana (SP/SP), Thainara/Sandressa (RN/AL) e Ana Luiza/Tory Paranaguá (SC/CE), e Andrezza/Rosimeire Lima (AM/AL) conseguiram a classificação para os grupos. Apesar de começarem com o pé direito e vencerem a primeira partida por 2 a 0 contra Jaqueline/Carol (BA/PE), Maria Clara e Jaqueline Simões não foram páreas para Thainara/Sandressa e acabaram eliminadas depois de um disputado tie-break com parciais de 21/19, 14/21 e 11/15. As vencedoras agora teriam que enfrentar equipes do naipe de Ágatha/Duda (PR/SE) e Ana Patricia/Rebecca (MG/CE), líderes do ranking e já classificadas para as Olimpíadas de Tóquio, além das sempre regulares Bárbara Seixas/Carol Solberg (RJ), Josi/Juliana (SC/CE), Tainá/Victoria (SE/MS), Elize Maia/Thâmela (ES/ES), Talita/Maria Elisa (AL/RJ) e Andressa/Vitória (PB/RJ). Completaram a segunda fase classificatória Érica Freitas/Thati (MG/PB), Taiana/Hegê (CE/CE), Aline/Neide (SC/AL), Verena/Ângela (CE/DF), Carol Horta/Cacá Richa (CE/RJ), Val/Vivian (RJ/PA), Rafaela/Jéssica (PA/PA) e Solange/Fabrine (DF/BA). 

Na sexta-feira (19), deu-se início à fase de grupos durante a manhã e às oitavas de final pela tarde. Depois de serem eliminadas nas quartas de final da sexta etapa e verem suas rivais Agatha e Duda dispararem na liderança, Ana Patricia e Rebecca tiveram que mostrar o seu melhor jogo para se recuperarem na competição e ainda terem chances de título nacional. Não por menos, as duas dominaram suas partidas e não só garantiram as vitórias como também o melhor desempenho entre todas as equipes ao não cederem nenhum set e ainda marcarem a melhor PA (coeficiente entre pontos feitos e tomados que serve como parâmetro para desempate). Logo abaixo, Agatha e Duda não deixaram nada a desejar ao assegurarem o segundo lugar na classificação geral. Outra dupla que mostrou bom desempenho foi a de Maria Elisa e Talita que, apesar de perderem um de seus jogos, conseguiram um nono lugar e garantiram a passagem para as oitavas de final. As demais vagas foram preenchidas por Thamela/Elize, Taiana/Hege, Andressa/Vitória, Flavia/Barbara, Barbara Seixas/Carolina Solberg, Taina/Victoria, Fabrine/Solange, Val/Vivian, Verena/Angela, Carol Horta/Cacá Richa, Josi/Juliana, Rafaela/Jéssica e Andrezza/Rosimeire. 

As capixabas Thamela e Elize Maia foram as primeiras a entrarem em quadra para as oitavas contra Fabrine e Solange. Em uma partida tranquila, a dupla do Espírito Santo despachou as adversárias por 2 a 0 (21/11, 21/13) e continuou sua caminhada rumo ao pódio da etapa. Em seguida, foi a vez de Agatha e Duda eliminarem Josi e Juliana também por 2 a 0 (21/10,21/15) e manterem-se firmes na busca pela conquista do circuito. Assim como Ana Patricia e Rebecca que, ao derrotarem Rafaela e Jéssica sem ceder nenhum set, mantiveram sua caçada ao topo da tabela. O duelo mais interessante e disputado ficou por conta da recém-formada dupla Bárbara Seixas e Carol Solberg jogando contra Talita e Maria Elisa. Depois de um disputado set desempate terminado em 15 a 10 a favor das cariocas Seixas e Solberg, Maria Elisa viu seu retorno terminar de forma honrosa nas oitavas de final ao vender caro a derrota contra duas das principais jogadoras do CBVP. No mais, Tatiana/Hege venceram Andrezza/Rosimeire por 2 a 0, mesmo placar de Taina/Victoria, Carol Horta/Cacá Richa e Andressa/Vitoria contra, respectivamente, Verena/Angela, Val/Vivian e Flavia/Barbara.  

O dia seguinte, sábado (20), foi marcado pelas decisões das quartas de final pela manhã e semifinais à tarde. Novamente, Thamela e Elize Maia foram as primeiras a entrarem em quadra e voltaram a mostrar bom voleibol ao baterem Carol Horta e Cacá Richa por 2 a 0 (21/16, 21/11). Logo depois, foi a vez de as duplas olímpicas tentarem a classificação. Ana Patrícia e Rebecca não deram qualquer chance para Seixas e Solberg, fechando a partida sem perderem nenhum set e com parciais de 21/12 e 21/13. Duda e Agatha não fizeram diferente de suas principais concorrentes e também garantiram vaga na fase seguinte após derrotarem Taina e Victoria em um jogo de sets muitos distintos: no primeiro, um verdadeiro atropelo olímpico (21/9), e o segundo disputado ponto a ponto (21/19). Por último, Andressa e Vitoria confirmaram presença em sua segunda semifinal seguida após eliminarem Taina e Hege no tie-break (21/15, 19/21, 15/10).  

Cacá Richa e Carol Horta fizeram bons jogos e conseguiram chegar até as quartas de final – Foto: Ana Patrícia/Inovafoto/CBV

Sonhando com o título da sétima etapa, Ana Patrícia/Rebecca, depois de eliminarem Thamela/Elize (21/16, 21/17) na primeira semifinal da tarde, enfrentaram Duda/Agatha, vencedoras do segundo confronto contra Andressa/Vitoria (21/18, 21/12), pela quarta vez numa decisão do atual CBVP. Até então, as atuais líderes do ranking nacional (Agatha e Duda) se consagraram campeãs uma única vez em cima de suas arquirrivais, durante a quinta etapa, enquanto já amarguraram dois vices contra as mesmas, na primeira e terceira etapas. 

O dia decisivo da sétima etapa começou pegando fogo. Em grande partida, Elize e Thâmela (ES) conquistaram a sua segunda medalha de bronze na temporada, ao vencerem Andressa e Vitória (PB/RJ): 2 a 1 (23/21, 18/21 e 15/12). A partida foi controlada na maior parte do tempo por Andressa e Vitória, mas Elize e Thâmela tiveram paciência e foco para atacarem nos momentos certos e virarem a partida a seu favor. 

Elize e Thâmela conquistaram o segundo bronze na temporada em duelo disputado contra Andressa e Vitória – Foto: Ana Patrícia/Inovafoto/CBV

Elize desabafou, após o término da partida, sobre a falta que a torcida de sua filha fez na arena e sobre a atuação de sua companheira Thâmela, que foi eleita a melhor jogadora do confronto através de votação popular.  

“Primeiro tenho que agradecer minha parceira pela ajuda. Acho que um time é isso, quando uma está em dificuldade, a outra ajuda. Por isso que sou tão apaixonada pelo vôlei de praia. Foi uma etapa diferente porque é a primeira vez em que não trouxe minha filha de um ano e meio. Agradecer também à minha família pelo suporte. Tenho que agradecer também a toda equipe de profissionais que está com a gente, que está trabalhando tijolinho por tijolinho para construir um time forte e competitivo com muito carinho”, afirmou Elize Maia para a equipe de reportagem da CBV. 

Se a disputa do bronze já foi acirrada, a final com as duas duplas que vão representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio não podeira ficar para trás. Ágatha e Duda (PR/SE) conquistaram mais um título no domingo (21), de virada, ao vencerem Ana Patrícia e Rebecca (MG/CE) por 2 sets a 1 (17/21, 21/16 e 15/11), chegando ao quinto ouro da equipe na temporada, o quarto consecutivo.  

Com a conquista de mais uma medalha dourada, Ágatha e Duda somaram mais 400 pontos no ranking da temporada e lideram agora com 2.720 pontos, abrindo um pouco mais de distância na briga pelo título brasileiro. Ana Patrícia/Rebecca (MG/CE) permancem no segundo lugar com 2.360 pontos. 

Ágatha e Duda venceram seu quarto título consecutivo na temporada, totalizando cinco conquistas – Foto: Ana Patrícia/Inovafoto/CBV

Duda foi às lágrimas após o término da partida devido a fortes dores musculares, e sua companheira Ágatha, eleita a melhor jogadora da final, ressaltou a mentalidade vencedora da dupla, além da força que possuem para superarem as lesões e desgastes físicos decorrentes da longa temporada. 

“A gente tem um objetivo muito forte, o principal de todos, no meio do ano em Tóquio. Mas a gente resolveu esse ano trazer um pouquinho mais para perto a ideia do Circuito Brasileiro. A gente sempre teve o Circuito Brasileiro como um torneio muito forte em que se prepara para jogar o Circuito Mundial, mas esse ano não temos noção de como vai ser o calendário internacional. Então, com um caminho ainda tão incerto até os Jogos, nossa equipe colocou a meta de ser campeã brasileira. A gente sabe que não vai ser fácil. Estamos passando por momentos de superação para estar toda hora na final, no quarto ouro seguido. Vamos para o torneio muitas vezes com dor, com lesão às vezes, em outras chegamos de uma semana muito pesada de treinamentos e sabemos que tem que chegar aqui e performar, porque a gente colocou esse objetivo alto. Nossa equipe por inteiro, todo mundo está de parabéns por estar com essa mente tão forte, uma mente de vencedor mesmo, de querer ganhar tudo. E acho que chegar nessa mente, com essa confiança, é um trabalho a longo prazo, não é de um dia para o outro”, afirmou Ágatha ao Sportv. 

Cada etapa do Circuito Brasileiro distribui R$ 47 mil às duplas campeãs dos dois naipes, e todos os times na fase de grupos são premiados. Ao todo, são distribuídos, aproximadamente, R$ 538 mil por etapa. 

Após a disputa do torneio feminino nesta semana, o torneio masculino será realizado na sequência, entre os dias 25 e 28 de fevereiro, mais uma vez no CDV. 

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