Retrospectiva carioca no Brasileirão 2020: Flamengo campeão e Fluminense na Libertadores

Foto de capa: Reprodução/Bolavip Brasil

Por Rodrigo Glejzer

Flamengo e Fluminense podem se orgulhar dos resultados obtidos no Brasileirão 2020: a equipe tricolor conseguiu a classificação para a Copa Libertadores da América, algo que não acontecia desde 2012. Já o Flamengo pode comemorar cinco títulos na temporada: a Taça Guanabara, a Super Copa do Brasil, a Recopa Sul-Americana, o Campeonato Carioca e o seu oitavo título do Campeonato Brasileiro. 

Flamengo

Campeão brasileiro e da Libertadores em 2019, o Flamengo teve, em 2020, a responsabilidade de continuar a sequência de títulos mediante os investimentos milionários que o Rubro-negro fez em seu elenco. Ainda comandados por Jorge Jesus, o time da Gávea exerceu seu direito de compra e adquiriu os direitos do artilheiro Gabriel Barbosa, o Gabigol, por 17 milhões de euros (quase 90 milhões de reais). Além disso, conseguiu as contratações, por empréstimo, do atacante Pedro, pagando inicialmente um milhão de euros com valor de compra fixado em 14 milhões de euros, e, em definitivo, dos zagueiros Léo Pereira e Gustavo Henrique e do ponta Michael. No entanto, o clube não ficou sem perdas para a temporada já que Pablo Marí, um dos destaques do ano anterior, optou por jogar no Arsenal-ING, enquanto Leo Duarte e Reinier rumaram, respectivamente, a Milan-ITA e Real Madrid-ESP. 

O calendário do Flamengo se mostrou cheio com o Carioca, a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana como as primeiras competições do ano. O início não foi dos melhores, com os jogadores do sub-20 empatando em 0 a 0 com o Macaé pelo Estadual, mas, aos poucos, o Rubro-negro foi se acertando e não só conseguiu o primeiro lugar de seu grupo na primeira fase do Carioca, como também derrotou o Athletico-PR pela Supercopa e venceu o Independiente Del Valle durante a Recopa. Para coroar ainda mais o início de ano, o “Mais Querido” ainda conquistou a Taça Guanabara depois de vencer o Boavista na final por 2 a 1. Pela Taça Rio, a segunda fase do Carioca, o Flamengo não se mostrou menos avassalador e conquistou três vitórias seguidas nos primeiros jogos, com direito a bater o Botafogo por 3 a 0, ao mesmo tempo em que fazia as partidas em seu grupo na Libertadores, vencendo as duas primeiras. O ano se mostrava tão vencedor como o passado até a paralisação dos campeonatos, por três meses, por causa da pandemia de Covid-19.  

Em julho, depois de as competições já terem voltado e após conquistar o Estadual em cima do Fluminense, a direção do Flamengo confirmou algumas importantes saídas. Primeiro que Jorge Jesus pediu para ter seu vínculo encerrado, já que decidiu se juntar ao Benfica, mesmo depois de renovar seu contrato, um mês antes, até meados de 2021. Segundo que o lateral Rafinha, uma das lideranças do time, também decidiu deixar o clube e fechar junto ao Olympiacos-GRE. Para o lugar do treinador português, ídolo da maior torcida do país, a direção rubro-negra trouxe o catalão Domènec Torrent, enquanto o chileno Mauricio Isla foi o substituto escolhido para a lateral-direita.  

Conhecido por ter sido auxiliar de Pep Guardiola, técnico multicampeão na Europa, Torrent teria a difícil missão de substituir um dos trabalhos mais vitoriosos e bem-sucedidos que a Gávea teve nos últimos tempos. Não por menos, o Flamengo começou mal o Brasileirão, iniciado em agosto: nas cinco primeiras partidas, perdeu as duas primeiras, empatou outras duas e venceu apenas o Coritiba, por somente 1 a 0 e com os curitibanos tendo um jogador expulso. Para piorar, o catalão ainda veria seu time ser goleado pelo Independiente Del Valle por 5 a 0, a maior goleada sofrida pelo Rubro-negro em Libertadores. O começo claudicante colocou Torrent em uma constante berlinda perante uma torcida habituada a vencer e conquistar títulos.  

Apesar de ter estado ao lado de Guardiola em times como Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City, Torrent não conseguiu mostrar muito de seu trabalho no Brasil – Foto: Luciano Belford/Agência o Dia 

A trajetória do catalão durou apenas três meses já que o mesmo não conseguia padronizar o estilo de jogo da equipe, mesmo tendo disponíveis alguns dos melhores jogadores do país. Foram 24 jogos no comando do time carioca, tendo conquistado 14 vitórias, quatro empates e seis derrotas, disputando a parte de cima da tabela. Porém a goleada sofrida contra o Atlético-MG no Brasileirão, um acachapante 4 a 0, foi suficiente para a diretoria do clube optar por trocar o comando técnico do profissional com poucos meses de trabalho. Para o lugar de Torrent, optaram por uma solução nacional e escolheram Rogério Ceni, em ascensão no Fortaleza, apesar do fraco desempenho no Cruzeiro no ano anterior, para dar seguimento às competições.  

Ídolo do São Paulo, Ceni já começaria com duas difíceis missões pela frente: teria que enfrentar o Tricolor paulista pelas quartas de final da Copa do Brasil e o Racing-ARG em confronto das oitavas da Libertadores. Infelizmente para a torcida rubro-negra, o novo treinador teve um início conturbado e acabou eliminado de ambas as competições. Com apenas o Brasileiro como torneio a ser disputado, tanto a comissão técnica como os jogadores se encontravam em pressão por melhores resultados.  

Sem nunca ter de fato convencido a crítica esportiva sobre o estilo de jogo implementado na Gávea e tendo diversos embates com jogadores divulgados pela imprensa, Ceni ainda conseguiu emplacar alguns bons resultados e chegar à última rodada disputando ponto a ponto o título brasileiro com o Internacional. Na última partida, teve novamente o São Paulo pela frente e, outra vez, foi derrotado, agora por 2 a 1. Como os gaúchos do Beira-Rio, até então em segundo lugar com uma diferença de apenas 2 pontos, também não conseguiram vencer seu derradeiro jogo, empatando em 0 a 0 com o Corinthians, o bicampeonato seguido, e o oitavo no total, veio para os cariocas da Gávea.  

Mesmo com as trocas de comando e o futebol abaixo do apresentado em 2019, o Flamengo conseguiu vencer, novamente, o Brasileirão e levar o octa para a Gávea – Foto: Marcos Ribolli 

Fluminense

O ano de 2019 foi difícil para o Tricolor das Laranjeiras. Sem conquistar títulos e terminando apenas em 14ª lugar, a diretoria, comandada pelo presidente recém-eleito Mário Bittencourt, precisava reformular o futebol. Aproveitando-se do rebaixamento do Cruzeiro e da tentativa desesperada dos mineiros de diminuírem suas dívidas, o Fluminense conseguiu captar alguns jogadores como Egídio e Henrique, além de convencer Fred, um dos maiores nomes tricolores da última década, a retornar ao Rio de Janeiro. Junto ao “Rei dos Stories” também voltou ao clube a antiga promessa de Xerém, Wellington Silva. Completaram os principais reforços: o lateral Danilo Barcelos (ex-Vasco), o meia Hudson (emprestado pelo São Paulo) e o atacante Felippe Cardoso (empréstimo junto ao Santos). 

O artilheiro voltou à sua casa! Fred veio para ser a referência de um time jovem, mas com bons veteranos para darem cobertura nos tempos de crise – Foto: Lucas Merçon/Fluminense 

A primeira competição do “Pó de Arroz” foi o Carioca. Assim como Vasco e Botafogo, o Fluminense encontrava-se na sombra do milionário e multicampeão time do Flamengo. Além do mais, assim como os dois primeiros citados, também vivia graves problemas financeiros com dívidas acumulando e dificuldade em honrar compromissos, como salários de jogadores e funcionários. Sob a batuta de Odair Hellmann, o time não sentiu os problemas externos e emplacou cinco vitórias em seis jogos da Taça Guanabara, a primeira fase do Estadual, vencendo Botafogo e Flamengo e perdendo apenas para o Boavista. Apesar de perder a semifinal para os flamenguistas, o Tricolor mostrou que, ao menos, na competição não sofreria muito.  
 

A Taça Rio, a segunda fase, chegou, e os tricolores não diminuíram o ritmo. Venceram três dos seis jogos disputados e garantiram-se em mais uma semifinal. Dessa vez, conseguiram passar para a final, depois de vitória sobre o Botafogo, e tiveram sua revanche contra o Flamengo ao baterem os adversários nos pênaltis. Como teve uma das melhores campanhas do campeonato, o time de Laranjeiras iria, novamente, enfrentar o Rubro-negro em dois “Fla-Flu” que valeriam o título regional. Ambos os jogos foram favoráveis à equipe da Gávea: 2 a 1 o primeiro e 1 a 0 no segundo. 

Com o Campeonato Brasileiro começando só em agosto devido à pandemia do novo coronavírus, e basicamente seguido do Carioca, que terminou em julho, o Tricolor carioca teve, mais ou menos, um mês para se preparar. Apesar de ter ido até a final do Estadual e conseguido uma campanha bastante regular, o técnico Odair Hellmann, muitas vezes, teve sua forma de jogo, considerada reativa demais e pouco criativa, criticada tanto pela imprensa como pela torcida. A primeira rodada do Brasileirão não ajudou muito, com o Fluminense sendo derrotado pelo Grêmio por 1 a 0. Mesmo em meio à pressão, Bittencourt manteve o comando técnico e apostou suas fichas na continuidade do trabalho de Hellmann. Os resultados viriam a aparecer nas rodadas seguintes. 

O time se manteve estável na parte do meio da tabela e, aos poucos, conseguiu subir alguns degraus a ponto de sonhar com uma vaga na Libertadores. Jovens jogadores, como o lateral Calegari, o atacante luso-brasileiro Marcos Paulo, o zagueiro Nino e o goleiro Marcos Felipe, passaram a conseguir bastante destaque ao mesmo tempo em que veteranos do calibre de Fred, Nenê, Egídio e Hudson se mostravam boas lideranças. A mescla entre juventude e experiência do elenco tricolor funcionava mesmo com as turbulências em volta do clube, como a falta de quitação dos vencimentos dos atletas e algumas saídas conturbadas, a exemplo de Dodi, um dos destaques da temporada e que preferiu não renovar com o time para ir jogar no Japão. O maior baque em si foi o pedido do próprio Hellmann para ser desligado do clube. Desgostoso com as constantes críticas, principalmente pela eliminação da equipe na primeira fase da Sul-Americana e na quarta etapa da Copa do Brasil, mesmo com a boa colocação no Brasileiro (até então quinto colocado), o treinador aceitou a proposta do Al Wasl-EAU. 

Sem recursos para trazer um nome consagrado ou mais caro no mercado, a direção tricolor optou por deixar Marcão comandando a equipe até o fim do campeonato. Ex-jogador, ídolo e atualmente auxiliar técnico permanente, o novo treinador já havia assumido a função em outra oportunidade, em 2019, antes de o próprio Odair assumir de vez o time.  

O primeiro jogo do novo corpo técnico foi, justamente, o clássico carioca contra o Vasco da Gama, terminado em 1 a 1. Depois o time conseguiu emendar seis vitórias, uma delas importantíssima contra o Flamengo por 2 a 1, quatro empates e três derrotas, com direito a uma dolorida goleada de 5 a 0 sofrida contra o Corinthians. Apesar de não possuir o melhor plantel, o clube teve forças para segurar a maior parte de seus principais jogadores e suportar a pressão da torcida a ponto de manter Odair Hellmann independente de a fase estar boa ou ruim (até o treinador optar por sair). Os resultados foram uma vaga na Liberdades e a sensação de que tempos melhores podem estar a caminho na próxima temporada.

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