Depois de primeira partida disputada, Taubaté vence Minas com tranquilidade e garante bicampeonato brasileiro

Formado por um elenco estelar de jogadores, o time do interior paulista se impôs diante da jovem equipe mineira e garantiu mais um título nacional para sua galeria de troféus 

Foto de capa: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV 

Por Rodrigo Glejzer 

A Superliga Masculina de Voleibol conheceu o seu campeão na última sexta-feira (16/04). A final precisou que apenas duas de suas três partidas fossem realizadas para o Taubaté bater o Minas e garantir o bicampeonato nacional. O levantador Bruninho foi eleito o melhor do jogo, enquanto o oposto Felipe Roque foi o responsável por marcar o ponto final em belo bloqueio. A final, assim como as demais partidas dos playoffs, foram realizados na ‘bolha’ criada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) em seu Centro de Desenvolvimento (CDV) em Saquarema-RJ. 

Primeiro Jogo 

Atual campeão e o segundo com melhor aproveitamento na fase classificatória, perdendo apenas dois de 22 jogos, o Taubaté era um dos favoritos a conquistar o troféu da atual temporada. Já o time de Minas vinha de uma grande seca de títulos nacionais, desde a temporada 2006/2007 não sabendo o que é ser campeão brasileiro, e de uma campanha mais irregular, terminando em quarto com 17 vitórias em 22 partidas classificatórias.  

Com um elenco estrelado formado por nomes como Bruninho, Maurício Borges, Maurício Souza, Riad e Lucão, todos com passagens marcantes pela Seleção Brasileira, o time do interior paulista teve que bater Montes Claros nas quartas de final e Vôlei Renata nas semifinais para voltar a ter a chance de conquistar o título nacional. Pelo lado mineiro, um elenco bem mais jovem, formado por muitos garotos da base local, mas liderados por um quarteto experiente composto por William Arjona, Gustavão, Maique Nascimento e Yadrian Escobar. Juntos conseguiram derrotar Blumenau pelas quartas e Itapetininga pelas semis para chegar à decisão, algo que não acontecia desde a temporada 2008/2009, quando foram derrotados pelo Cimed na final.  

Em partida realizada na última quarta-feira (14), que deu início à final do campeonato, Minas em nenhum momento deixou-se levar pela diferença de plantel e fez jogo duríssimo contra Taubaté. Tanto que, apesar de perder o primeiro set (25/18), os mineiros tiveram força para vencer os dois seguintes (22/25, 23/25) e botar pressão no time paulista. No entanto, a equipe de Bruninho e companhia não titubeou mais na partida e impôs-se no último set, vencendo por 25 a 15, para forçar o tie-break. Com os jogadores mais cansados e sem a mesma imposição física dos primeiros sets, o time de Minas não conseguiu conter o melhor jogo dos adversários e acabou cedendo a primeira partida para os paulistas com o derradeiro set terminando em 15 a 11 para Taubaté.  

Time do Taubaté comemora a vitória na primeira partida pela final da Superliga Masculina de Vôlei – Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV 

Segundo Jogo 

Motivados depois de um bom primeiro jogo, Minas veio novamente disposto a dificultar a vida dos atuais campeões brasileiros. Tanto que o primeiro set começou super equilibrado com nenhuma das equipes conseguindo abrir mais de dois pontos de vantagem. A situação virou depois de o ponteiro Douglas Souza, após boa levantada de Bruninho, marcar 16 a 13 no placar a favor dos paulistas. O time do Minas até conseguiu encostar de novo no placar, voltando a deixar a vantagem adversária em apenas um ponto, 18/17, mas não foi o suficiente para vencer o set. O Taubaté, mais uma vez  impôs seu jogo, abriu cinco pontos de vantagem e fechou a primeira etapa em 25 a 20. 

O segundo set não começou diferente do anterior, e as equipes disputavam ponto a ponto a liderança no marcador. Mais experiente, o time de Taubaté aos poucos se aproveitava das falhas mineiras, com os adversários não conseguindo finalizar de forma precisa suas jogadas, e passava a construir certa vantagem no placar, chegando a deixar o set em 20 a 15 a favor. Um belo ace de William botou o Minas de volta ao jogo, reduzindo a diferença para apenas dois pontos, 23/21. Porém, novamente, não o bastante para garantir a virada no set. Após saque forçado do ponta Henrique Honorato na rede, os mineiros viram seus adversários abrirem 2 a 0 na final e ficarem a apenas um set do bicampeonato.  

O Minas começou, visivelmente, nervoso o set derradeiro, tanto que cedeu os cinco primeiros pontos para os adversários e viu-se forçado a pedir tempo para acalmar a garotada. Nada feito. Os paulistas se aproveitavam das falhas e, cada vez mais, distanciavam-se no placar, conseguindo manter quase seis pontos de vantagem ao longo de todo o terceiro set. Coube ao oposto Felipe Roque fechar a partida depois de belo ponto de bloqueio. Com parciais a favor de 25/20, 25/22 e 25/17, o Taubaté consagrou-se novamente campeão brasileiro e fez jus ao elenco estrelado que montou ao longo da temporada.  

Os mineiros até que tentaram, mas não foram capazes de levar o título para casa – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV 

Eleito Craque da Partida, o levantador multicampeão Bruninho deu entrevista ainda em quadra. Se, por um lado, estava feliz por mais uma conquista, também estava triste por ter sido longe da torcida. 

“Sinceramente, não mudou nada (na preparação). Treinamos ontem, malhamos. O time que trabalha o ano inteiro colhe os frutos. Os caras falam que temos medalhões, mas nosso negócio é trabalho. Sacrificamos muito. Por isso conquistamos esse título. Queria ter aproveitado mais. Torcida muito apaixonada. Não tive oportunidade de jogar no Abaeté lotado. Mandar um grande abraço para eles. Queria poder ter tido esse calor, receber energia positiva”, desabafou.  

Campeão olímpico em 2016 e principal nome do atual elenco do Minas, William, ao final do jogo, não só reforçou a evolução do elenco, muito mais jovem e inexperiente do que o adversário, como também sua felicidade por conseguir se manter ativo mesmo aos 42 anos e depois de a temporada 2019/2020 ter sido cancelada devido à pandemia de Covid-19.  

“Momento difícil de falar. Ninguém gosta de perder, muito menos eu. Mas mérito total de Taubaté. Pressionou bastante. Muito orgulho do que foi construído aqui. A gente trabalha, dedicação total desse grupo, evolução dos jovens. A parada da pandemia, foi difícil voltar depois de tanto tempo. Por muitos momentos, achei que não conseguiria. Estar em pé, jogando o melhor, é bom demais. Agradeço demais à comissão médica. Agradeço demais a todos, minha família… Emoção grande vestir essa camisa. Triste por não conseguir o título, mas orgulho por esse time”, celebrou.  

Elenco do Taubaté reunido para a foto com a taça de campeão nacional – Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV 

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