A primeira rodada da Eurocopa reserva fortes emoções com o colapso de Eriksen e a quebra de recordes de Cristiano Ronaldo

Foto de capa: Divulgação/Eurocopa.

Por Rodrigo Glejzer 

O Campeonato Europeu de Futebol, a Eurocopa, começou no último dia 11 e as emoções ficaram por conta da boa estreia da Itália, do drama vivido pela equipe dinamarquesa e da expectativa dos confrontos pelo grupo H, responsável por reunir Portugal, Alemanha e França. Os dois melhores de cada grupo, junto com os quatro terceiro colocados mais bem colocados, se classificam para os mata-matas, marcados para acontecer entre os dias 26 de junho e 11 de julho.   

Grupo A 

Itália e Turquia se enfrentaram pelo Grupo A na primeira partida oficial da Euro 2020.  Ambas as seleções viviam ótimo momento, liderando invictas seus grupos nas Eliminatórias para a Copa de 2022, e esperava-se um bom duelo. No entanto, os italianos não deram chances para os turcos. A equipe de Roberto Mancini controlou com folga o jogo inteiro e venceu por 3 a 0, gols de Demiral (contra), Immobile e Insigne.  

A segunda partida ficou por conta de um confronto entre Suíça e País de Gales. Depois da ótima Euro 2016, em que chegou às semifinais, e com a possibilidade da aposentadoria do astro Gareth Bale ao fim da atual competição, esperava-se, por parte da crítica e das torcidas, que os galeses fizessem uma boa apresentação. No entanto, a Suíça não só controlou muito mais a posse de bola como também criou as melhores chances de marcar, chegando a abrir o placar com Breel Embolo aos 04 do segundo tempo. Quando o relógio bateu os 29 da segunda etapa, os galeses conseguiram o empate, em jogada do atacante Kieffer Moore, e a partida terminou em 1 a 1. 

Insigne comemora o terceiro gol italiano contra a Turquia. Foto: Mike Hewitt/Getty Images.

Grupo B 

O Grupo B foi o mais dramático da abertura da Euro, mas não pelas partidas e sim por causa de um incidente com o dinamarquês Christian Eriksen. Jogando contra a Finlândia, a Dinamarca era franca favorita ao confronto e controlou o primeiro tempo inteiro, não deixando os adversários chutarem a gol sequer uma vez. Todavia, aos 40 minutos da primeira etapa, em jogada de lateral, Eriksen recebeu a bola e logo depois colapsou, caindo duro no chão.  

A reação de todos os atletas foi chamar os paramédicos, que levaram mais de 20 minutos para conseguir ressuscitar o meia dinamarquês, alvo de uma parada cardíaca. O capitão dinamarquês Kjaer, que prestou os primeiros socorros quando Eriksen caiu, pediu que seus companheiros fizessem uma barreira em volta do colega enquanto o atendimento acontecia para que as imagens não fossem transmitidas. Consciente e com o auxílio de uma máscara de oxigênio, o meia da Inter de Milão-ITA foi levado ao hospital e o jogo entre Dinamarca e Finlândia foi suspenso por mais de 1 hora. Aos dinamarqueses foi dada a opção de adiar a partida, mas preferiram continuar no mesmo dia depois de receberem a certeza que Eriksen estava vivo.  

Retomado o duelo, a Dinamarca visivelmente ficou abalada e não conseguia se impor da mesma maneira. Tanto que aos 15 da segunda etapa, Joel Pohjanpalo abriu para os finlandeses ao cabecear para o gol e contar com a falha do goleiro Kasper Schmeichel. O gol foi histórico, pois foi o primeiro marcado pela Finlândia em todas as Eurocopas. Os dinamarqueses ainda teriam um pênalti quatorze minutos depois, mas Pierre Hojbjerg bateu mal e desperdiçou. No fim, a Finlândia conseguiu segurar o resultado e garantir um ótimo começo de competição.  

Bélgica e Rússia se enfrentaram pela outra partida do Grupo B. Uma das seleções cotadas a vencer a Euro, os belgas se imporam aos russos e aplicaram 3 a 0 depois de dominarem em todos os aspectos do jogo. Lukaku, em fase excelente, marcou dois gols, um deles dedicado a Eriksen, seu companheiro de Inter de Milão-ITA. Thomas Meunier ficou responsável pelo outro tento da partida.   

Jogadores da Dinamarca formam cordão de isolamento para proteger atendimento de Eriksen contra imagens. Foto: Wolfgang Rattay/AP Photo.

Grupo C 

O Grupo C, que conta com a presença da Holanda, foi aberto pela disputa entre Áustria e Macedônia do Norte, seleção estreante no campeonato europeu. Apesar dos austríacos serem os favoritos a levar os três pontos, tanto que abriram o placar com Stefan Lainer aos 18 do primeiro tempo, os macedônios fizeram frente o jogo todo, ainda mais depois de empatarem aos 28 da primeira etapa com Pandev aproveitando lambança da defesa da Áustria.  

Somente no final da partida a Áustria conseguiu se impor com Gregoritsch, aos 33, e Arnautovic, aos 45, marcando os gols da vitória no segundo tempo. Contudo, o confronto ficou marcado por acusações da Federação macedónia de futebol de racismo por parte de Arnautovic, que ao escorar para as redes vociferou bastante e fez alguns gestos estranhos com as mãos. A UEFA ficou por investigar o incidente e optou por dar uma suspensão de um jogo ao atacante.  

A Holanda vem de um processo de reformulação, depois de perder o técnico Ronald Koeman em 2020 e ter que chamar Frank de Boer para seu lugar. Sem seu principal jogador, o zagueiro Virgil van Dijk está em fase final de recuperação depois de uma contusão grave no joelho, os holandeses tiveram pela frente a Ucrânia, treinada a cinco anos pela lenda Andriy Shevchenko.  

Os holandeses começaram se impondo com gols de Wijnaldum e Weghorst, respectivamente aos 13 e 19 da segunda etapa. Sem deixar-se abater, os ucranianos foram atrás do resultado com um golaço de fora da área de Yarmolenko, aos 30, e em cabeceio de Yaremchuk, três minutos depois. Coube ao lateral Denzel Dumfries garantir a vitória holandesa aos 39 depois de aproveitar cruzamento do zagueiro Nathan Aké em direção à área ucraniana.  

Comemoração controversa de Arnautovic lhe custou 1 jogo de suspensão. Foto: Justin Setterfield/Reuters, Daniel Mihailescu/Reuters. 

Grupo D  

Lideradas pelo craque Harry Kane, artilheiro e líder de assistência da última Premier League, a Inglaterra ainda tem em seu plantel atletas do quilate de Jadon Sancho, Marcus Rashford, Harry Maguire, Mason Mount e Jack Grealish. Com um time estrelado, os ingleses tiveram pela frente a Croácia, seus algozes no último mundial. Desde o vice-campeonato na Copa de 2018, os croatas não vêm de bons resultados, mas ainda tem em seu elenco jogadores de excelente nível como Modric, Perisic, Brozovic, Kramaric e Rebic.  

Interessados em dar o troco pela eliminação nas semifinais na Copa da Rússia, a Inglaterra veio com tudo pra cima da Croácia e restringiram ao máximo o jogo adversário. Tanto que os ingleses abriram o placar aos 12 do segundo tempo, com Raheem Sterling, sem que os croatas conseguissem ameaçar muito. Depois do gol, a partida se equilibrou e a Croácia passou a tentar mais o ataque, mas sem conseguir ser muito efetiva e criar chances reais de empatar. No fim, vitória magra por 1 a 0 dos “Três Leões”.  

Fora da Eurocopa desde 1996, a Escócia voltou a competição tendo que encarar a República Tcheca. Em um dos confrontos mais equilibrados da primeira rodada, os tchecos conseguiram se sobressair em noite inspirada do atacante Patrick Schick. O centroavante do Bayer Leverkusen-ALE abriu o placar aos 42 da primeira etapa. No segundo tempo, Schick marcou o segundo em uma jogada antológica. Ao perceber o goleiro escocês David Marshall adiantado, o tcheco chutou quase do meio campo e escorou no fundo das redes. Vitória importante para a República Tcheca tentar se garantir na próxima fase.  

Schick fez história contra a Escócia. Foto: Reprodução/Twitter UEFA.

Grupo E 

O Grupo E foi marcado pelas atuações decepcionantes de Polônia e Espanha, até então favoritas a se classificarem por boa parte da crítica. Os poloneses, do atual melhor do mundo Robert Lewandowski, encarou a Eslováquia, de Marek Hamsik e Milan Skriniar. Os eslovacos saíram do primeiro tempo com a vantagem depois de jogadaça de Robert Mak aos 17 da primeira etapa. O esloveno driblou Berezynski com uma caneta e chutou na trave, mas a bola acabaria voltando na cabeça do goleiro Szczęsny e morreria dentro do gol.  

Apesar de dominar a posse de bola, a Polônia não conseguia encaixar muitas jogadas até o início do segundo tempo. Em troca de passes perto da área eslovaca, o lateral Rybus achou Linetty sozinho e o meio teve apenas o trabalho de deslocar o goleiro adversário para empatar no primeiro lance do segundo tempo. No entanto, aos 16, Krychowiak colocaria tudo a perder ao receber o segundo amarelo e ser expulso. Cinco minutos depois, a Eslováquia bateu escanteio para dentro da área e o zagueiro Skriniar acertou o chute no canto de Szczęsny. Os poloneses até tentaram, mas pararam no ótimo goleiro Dubravka e cederam a derrota.  

Já a Espanha enfrentou a Suécia e teve absurdos 80% de posse de bola quase a partida toda. Os suecos conseguiram dar algumas boas escapadas para o ataque, principalmente com o jovem e promissor atacante Aleksandr Isak, mas ficaram quase a partida inteira no seu campo defensivo. Os espanhóis também criaram boas chances, porém a falta de pontaria do centroavante Morata, bastante criticado pela imprensa espanhola pelo seu mau posicionamento e pelas chances claras desperdiçadas, contribuiu para o empate em 0 a 0 no primeiro tempo. 

No segundo, o técnico Luis Enrique promoveu as entradas de Pablo Sarabia, Gerard Moreno e Mikel Oyarzabal que colocaram fogo no jogo. Moreno, inclusive, se mostrou muito mais perigoso que Morata, que deu lugar a Sarabia, no comando do ataque, e fez o goleiro Robin Olsen, em tarde inspirada e o melhor jogador sueco em campo, fazer boas defesas. No fim, placar zerado e um ponto pra cada lado.  

Morata tem sido bastante visado pela impresa espanhola por causa dos gols perdidos. Foto: AFP.

Grupo F 

Considerado o grupo da morte por ter a atual campeã europeia, Portugal, e os dois últimos campeões mundiais, França e Alemanha, concorrendo às duas vagas diretas às oitavas de final. A Hungria, em sua segunda Eurocopa seguida, é o grande azarão.  

Jogando em Budapeste, os hungaros, sem Dominik Szoboszlai, principal jogador da equipe e fora da competição por causa de uma entorse no tornozelo, receberam a seleção de Portugal de Cristiano Ronaldo, Diogo Jota, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Rubén Dias. Os portugueses tinham o desfalque do lateral João Cancelo, fora de pelo menos duas rodadas por ter contraído COVID-19 e precisar passar por quarentena em Lisboa.  

Com Cristiano Ronaldo batendo o recorde de maior número de participações em Euros, o “Robozão” está na sua quinta seguida, os portugueses começaram a partida em cima dos húngaros. Todavia, a Hungria teve excelente primeiro tempo com o goleiro Péter Gulácsi, assim como a participação sólida dos zagueiros Orbán, Botka e Attila Szalai. A péssima atuação de Diogo Jota junto a falta de criatividade do meio campo de Portugal contribuíram para um placar zerado na primeira etapa.  

O segundo tempo parecia terminar igual ao primeiro, quando o treinador Fernando Santos promoveu as entradas de Renato Sanches e Rafa Silva aos 30 minutos. Ambos melhoraram o jogo coletivo português, que passou a criar mais até o lateral Rafael Guerreiro aproveitar uma sobra na área e abrir o placar. A seleção húngara se abriu em busca da igualdade e deu espaços para Rafa Silva invadir a área em contra-ataque, terminado em pênalti cometido por Orbán. Ronaldo bateu, aumentou o placar e tornou-se o maior artilheiro de todas as Euros, passando Michel Platini. Nos acréscimos, CR7 tabelou com Rafa, apareceu livre na pequena área, driblou Gulácsi e fechou o placar.  

Partida mais aguardada da primeira rodada, Alemanha e França fizeram um dos maiores clássicos europeus em busca das oitavas da Euro 2020. De um lado, os alemães começaram a se preparar para a despedida do técnico Joachim Low, campeão mundial em 2014, a mais de uma década no comando da equipe. Ele dará lugar a Hansi Flick ao final da competição. Já os franceses puderam ver a volta do atacante Karim Benzema, fora das convocações por cinco anos depois de ser acusado de chantagear o meia Mathieu Valbuena devido a um escândalo sexual envolvendo o meio campista. 

Eliminada na fase de Grupos da Copa da Rússia e rebaixada na última Liga das Nações, resultado revertido depois da UEFA ampliar o número de países na competição, a Alemanha vem em baixa nos últimos dois anos e teve pela frente uma das melhores equipes, tanto individualmente como coletivamente, no futebol mundial. Em campo, Kylian Mbappe deu muito trabalho à defesa alemã com suas escapadas rápidas assim como Benzema conseguia se desvencilhar da marcação e aparecer em boas condições de marca diversas vezes. Pelo lado alemão, Serge Gnabry também conseguiu boas escapadas pelo lado enquanto Kimmich e Kroos disputavam o controle do meio contra um iluminado Paul Pogba.  

Apesar dos nomes estrelados de cada lado, o gol marcado na partida foi contra. Depois de lançamento de Pogba para Hernandez, o lateral tentou cruzar na área e o zagueiro Hummels acabou jogando contra o próprio patrimônio ao tentar afastar errado a bola ainda no primeiro tempo. Benzema e Mbappe ainda marcaram no segundo tempo, mas ambos em posição de impedimento. A Alemanha ainda teve uma boa oportunidade de empatar na segunda etapa, porém Gnabry não conseguiu chutar em cheio depois de receber cruzamento na área francesa. No final, “Os Azuis” ficaram com a vitória.  

Cristiano Ronaldo marcou duas vezes e tornou-se o maior artilheiro de todas as Euros. Foto: Hugo Delgado/EPA.

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