Fase de grupos da Euro 2020 termina com todas as principais seleções classificadas às oitavas

Dinamarca conseguindo classificação heroica, seleção espanhola desencantando e aplicando a maior goleada do torneio, além da definição do grupo da morte: confira as principais novidades da última rodada classificatória 

Foto de capa: Reprodução/Eurocopa

Por Rodrigo Glejzer

Grupo A 

Já classificada em primeiro lugar, a Itália mudou, praticamente, o time inteiro para o último jogo da fase de grupos. Com Insigne, Immobilie e Locatelli no banco e contando com a volta de Marco Verratti, há mais de um mês afastado dos campos, a Squadra Azzurra voltou a dominar seu adversário e venceu Gales por 1 a 0, gol de Matteo Pessina. Depois de grande atuação contra a Turquia, Bale não conseguiu repetir a performance e viu sua seleção ser sufocada, ainda mais depois da expulsão de Ethan Ampadu no segundo tempo.  

Conhecidos pela excelente defesa, os suíços vinham de uma derrota acachapante por 3 a 0 contra os italianos. Já a Turquia via-se quase que eliminada após perder os dois primeiros confrontos sem demonstrar qualquer poder de reação. Ambas as seleções jogaram por sua sobrevivência, e melhor para os suíços. Xherdan Shaqiri, até então com atuações pouco inspiradas na Euro, assumiu o protagonismo na partida decisiva e marcou duas vezes para garantir a vitória por 3 a 1. O outro tento foi marcado por Haris Seferovic. Aos turcos, valeu apenas pelo gol de Kahveci, o único do país na atual edição do campeonato europeu.  

Apenas duas seleções ficaram invictas na fase de grupos, e a Itália foi uma delas. Garantidos em primeiro, os italianos tiveram a companhia dos suíços em segundo. Com quatro pontos, Gales conseguiu se garantir como uma das melhores terceiras colocadas, enquanto a Turquia deu adeus à Euro.  

Shaqiri foi eleito o melhor da partida depois de levar a Suiça às oitavas – Foto: Reprodução/UEFA 

Grupo B 

Derrotada nas suas duas primeiras partidas e sem seu principal armador, Christian Eriksen, a Dinamarca parecia já ser carta fora do baralho. No entanto, movidos não só pelo povo dinamarquês, que a todo tempo se manteve junto aos jogadores, mas também pela solidariedade dos adversários, com diversas homenagens a Eriksen durante as partidas dos outros grupos, a seleção renasceu junto com seu camisa 10, já recuperado do infarto e fora do hospital.  

Após grande atuação contra os belgas, quando perderam por causa do talento individual de Kevin De Bruyne, a “Dinamáquina” não deu chances para os russos. O lateral Maehle estava inspirado e foi um dos principais vetores do ataque dinamarquês. O resultado de 4 a 1 foi essencial para puxar a Dinamarca da última posição para o segundo lugar e, assim, garantir uma das vagas para as oitavas.  

Uma das principais seleções candidatas para vencer a Euro 2020, a Bélgica não teve muitas dificuldades em bater a Finlândia e firma-se no primeiro lugar. Hrádecký, contra, e Lukaku marcaram os gols da partida. Com o 2 a 0 contra, os finlandeses se despediram junto aos russos da competição, cada um com três pontos e sem chances de pegar uma das quatro vagas de terceiro lugar.  

Mahle comemora junto a Delaney e Norgaard seu gol contra a Rússia – Foto: Hannah McKay/AP Photo 

Grupo C 

A Macedônia do Norte, uma das estreantes do torneio, entrou para a última partida virtualmente eliminada. Precisava somar os primeiros pontos contra a Holanda, líder da chave e, até então, 100% no torneio. Em ritmo de treino, os holandeses bateram os adversários por 3 a 0, gols de Depay e Wijnaldum (duas vezes), e garantiram, junto à Itália, uma das únicas campanhas invictas da Euro até agora. Aos macedônios, coube ver a despedida de Goran Pandev, maior artilheiro e jogador com maior número de partidas pelo país, que, oficialmente, se aposentou da seleção.  

Já Áustria e Ucrânia jogaram por suas continuidades no torneio. Quem vencesse marcava passagem para a próxima fase, enquanto o perdedor teria que cruzar os dedos e torcer pelos resultados dos demais grupos a fim de obter uma das vagas de terceiro lugar. Com melhores talentos individuais, os austríacos conseguiram arrancar a vitória por um magro 1 a 0, marcado por Baumgartner. Melhor para Alaba e companhia, que ficaram com o segundo lugar, enquanto a seleção treinada por Shevchenko teve que contar com a sorte e conseguir se classificar apenas com três pontos em terceiro (teve saldo de gols melhor que os demais postulantes à vaga nas oitavas).  

A seleção holandesa fez uma homenagem para Pandev em seu último jogo pela Macedônia do Norte

Grupo D 

Favoritos para a classificação no grupo, Inglaterra e Croácia, até então, faziam uma Eurocopa bem abaixo das expectativas que a crítica colocou em seus plantéis. Os ingleses principalmente, pois contam com o que há de melhor na Premier League e mal conseguem finalizar contra adversários de nível técnico bem inferior.  

Com o artilheiro Harry Kane sem conseguir sequer chutar a gol na Euro, os ingleses enfrentaram a República Tcheca da sensação Patrick Schick, um dos goleadores da competição com três tentos marcados. Novamente sem impressionar, “Os Três Leões” conseguiram arrancar sua segunda vitória na competição e ficar com o primeiro lugar ao baterem os tchecos por apenas 1 a 0. Ficou a cargo de Raheem Sterling, o único a conseguir balançar a rede pelo “English Team” na competição, marcando seu segundo gol na fase de grupos.  

Vinda do vice-campeonato mundial e com uma geração já mais envelhecida, a Croácia contou com o talento de Modric para retomar o caminho das vitórias. Depois de perderem para os ingleses e empatarem com os tchecos, os croatas venceram por 3 a 1 a Escócia. Pelo lado vencedor, Modric, Vlasic e Perisic marcaram, enquanto os escoceses conseguiram fazer seu primeiro e único gol na Euro, Callum McGregor.  

Com quatro pontos cada, Croácia, em segundo, e República Tcheca, terceiro, conseguiram lugar nas oitavas, enquanto a Inglaterra marcou sete pontos e ficou com a ponta da chave. 

Sterling marca seu segundo gol e é o artilheiro inglês na Euro 2020 – Foto: Laurence Griffiths/AFP 

Grupo E 

Outra seleção abaixo da média, a Espanha teve seu momento de redenção contra a Eslováquia. “La Fúria” precisava vencer depois de empatar os dois primeiros jogos, ao mesmo tempo que os eslovacos precisavam apenas empatar para se garantirem na próxima fase.  

Mais ofensivos, com Pablo Sarabia, que entrou no time titular no lugar de Dani Olmo, caindo bem pela direita, os espanhóis quase marcaram três vezes no início da partida. Primeiro com um pênalti perdido por Morata e depois com Pedri e Sarabia não conseguindo alcançar lançamentos dentro da pequena área. Coube ao goleiro Dubravka, em lance bizarro, abrir o placar. O arqueiro eslovaco tentou cortar um rebote depois de chute de Sarabia na trave e acabou jogando para o próprio gol. Tendo que ao menos empatar, a Eslováquia foi para o ataque e permitiu que a “Fúria” aproveitasse os espaços. Com mais quatro marcados por Torres, Laporte, Sarabia e Kucka (contra), a equipe comandada por Luis Enrique garantiu o segundo lugar e a vaga para as oitavas. 

Dubravka faz gol contra bizarro na derrota da Eslováquia para a Espanha

A ponta da chave ficou com a Suécia, que derrotou e eliminou a Polônia após um 3 a 2. Depois de um primeiro tempo morno, em que os suecos abriram o placar logo aos dois minutos de partida, gol de Forsberg, e passaram a retrancar-se contra uma equipe polonesa pouco criativa, não era esperada muita ação. Todavia, após a Suécia ampliar, novamente com Forsberg, aos nove do segundo tempo, a Polônia pareceu ter acordado e, no talento de Robert Lewandowski, empatou a partida com dois gols do atual melhor do mundo. Quando tudo dava a crer que o empate parecia ser o resultado da partida, coube a Viktor Claesson escorar para as redes no último minuto dos acréscimos, garantir a vitória sueca e selar o destino de ambos os países na Euro.  

Grupo F 

Considerado o grupo da morte e com os jogos mais aguardados da primeira fase, o Grupo F viu França, Alemanha e Portugal se classificarem no sufoco. Vindos de duas atuações fracas, com os franceses empatando com os húngaros, e os portugueses sendo goleados pelos alemães, Pogba e Cristiano Ronaldo tiveram que dar o seu melhor para classificarem suas seleções. 

Com um pênalti marcado aos 31 minutos do primeiro tempo, imediatamente depois de o goleiro Hugo Lloris acertar sem querer um soco em Danilo Pereira durante um cruzamento, e CR7 abrir o placar, Portugal passou a dominar as ações contra uma França visivelmente nervosa. Os nervos franceses só voltaram ao normal quando Benzema, também de pênalti, empatou o jogo nos acréscimos da etapa inicial.  

Logo após retornarem do vestiário e darem o pontapé para o segundo tempo, Paul Pogba conseguiu dar um belo passe, que cortou todo o lado esquerdo da defesa adversário e achou Benzema livre para virar o jogo aos dois minutos. O meia do Manchester United-ING já havia feito jogada parecida no primeiro tempo, desperdiçada por Mbappé cara a cara com Rui Patrício. Agora eram os portugueses que precisavam mostrar criatividade ofensiva, já que a derrota os deixava em último na chave e eliminados da Euro 2020.  

A defesa dos “Le Bleus” conseguia contar bem o ataque de CR7 e companhia, até que o zagueiro Koundé, aos 15 minutos, tentou parar a jogada do oponente e cometeu novo pênalti. Cristiano Ronaldo foi, novamente, para a batida e deixou tudo igual mais uma vez. A França quase voltou à frente quando Pogba acertou a trave, e Griezmann chutou o rebote para defesa de Rui Patrício com 22 minutos no relógio. A partir deste momento, ambas as seleções pareciam satisfeitas com o empate, e nenhuma grande chance apareceu para dar a vitória a um dos lados.  

Eliminados na fase de grupos da Copa de 2018, algo que não acontecia desde 1938, por pouco os alemães não repetiram o vexame nesta Eurocopa. A Alemanha precisava de uma vitória simples contra a Hungria, a equipe mais fraca do grupo, para ficar com uma das vagas diretas às oitavas. Ficando duas vezes atrás do placar, com o segundo gol húngaro sendo uma falha da defesa na saída de bola, a Die Mannschaft teve que esperar até os 39 para Leon Goretzka empatar a partida, novamente, e levar a seleção de Joachim Low para a próxima fase.  

O confronto também ficou marcado por diversas manifestações a favor do movimento LGBT. Durante o jogo entre Portugal e Alemanha, o governo alemão foi proibido pela UEFA de acender luzes coloridas, lembrando um arco-íris, para iluminar o Allianz Arena, localizado em Munique. Em resposta ao ato considerado homofóbico, os alemães trouxeram diversas bandeiras LGBT para as arquibancadas, e uma torcedora chegou a invadir o gramado para protestar perto dos jogadores. O autor do gol da classificação germânica, Goretzka, inclusive fez um coração com as mãos em direção à torcida da Hungria, país conhecido por ser intolerante com as minorias, durante a comemoração do empate.  

Em termos de tabela, os húngaros, que precisavam vencer para ficar com o terceiro lugar, acabaram eliminados, enquanto os alemães asseguraram o segundo lugar, atrás apenas da França. Portugal se classificou entre os quatro melhores terceiros lugares, mesmo resultado que conseguiu na Euro de 2016, quando acabou campeão.  

Goretzka quis “espalhar o amor” em direção à torcida húngara – Foto: Getty Images 

Confrontos das Oitavas

Gales x Dinamarca  
Itália x Áustria 
Holanda x República Tcheca 
Bélgica x Portugal 
Croácia x Espanha 
França x Suíça 
Inglaterra x Alemanha 
Suécia x Ucrânia 

A seleção da primeira fase segundo a UEFA

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