Joaquim Cruz: o único brasileiro campeão olímpico em provas de pista

Foto de Capa: Rafael Cruz e Octavio Neto.

Por Matheus Carvalho

As vésperas de mais uma edição de Jogos Olímpicos, vale lembrar de um feito inigualável por qualquer outro atleta do Brasil até os dias de hoje. Trata-se de Joaquim Cruz, o único brasileiro campeão olímpico em provas de pista. O corredor subiu no lugar mais alto do pódio nas Olimpíadas de Los Angeles – EUA em 1984 após vencer a prova dos 800m e quebrar o recorde mundial que permaneceria intacto por 12 anos. 

Joaquim Carvalho Cruz nasceu em 12 de março de 1963, em Taguatinga, no Distrito Federal, cidade-satélite a cerca de 20 quilômetros de Brasília. A sua história tem um enredo atípico em comparação a de outros atletas olímpicos. Joaquim não iniciou no atletismo, mas no basquete. Jogava pelo SESI de Taguatinga após seu amigo indicá-lo ao técnico sem o seu consentimento. Quando estava convicto de que pertencia ao esporte da bola laranja, o mesmo amigo, Carlos Menezes ou “Wandeco,” aprontou novamente e o indicou para completar a equipe de atletismo da escola. 

Nas pistas, Joaquim Cruz não demorou para se convencer que aquele era o seu verdadeiro lugar. Alcançou resultados expressivos em pouco tempo. Aos 17 anos foi Campeão Mundial Juvenil no Troféu Brasil de Atletismo de 1981, estabelecendo o recorde mundial com 1’44’’3 nos 800m. Em 1983, recebeu uma bolsa de estudos da Universidade de Oregon, nos EUA, e no mesmo ano conquistou o bronze no Campeonato Mundial de Atletismo, em Helsinque, na Finlândia. 

 Joaquim Cruz (em primeiro plano) celebra vitória em Los Angeles 1984. – Foto: COI.

O ano olímpico 

O Brasil foi para os Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) com 151 atletas, entre eles, Joaquim Cruz, esperança de medalha devido aos resultados obtidos nos anos anteriores. O brasileiro tinha como principais adversários os britânicos Sebastian Coe, prata nos 800m e ouro nos 1500m, e Steve Ovett, ouro nos 800m e bronze nos 1500m, ambos nos Jogos de Moscou (1980). 

Ninguém foi capaz de parar o brasiliense. Venceu as três provas eliminatórias dos 800m e na grande final, não foi diferente. Registrou a marca de 1’43’’00, novo recorde mundial na época, a frente de Coe e do queniano Edwin Coech que completaram o pódio. 

Joaquim Cruz, aos 21 anos, se tornou o primeiro e único brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em provas de pista na história do país nos Jogos Olímpicos. E mais, interrompeu um período de 28 anos do Brasil sem um campeão olímpico no atletismo desde Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico no salto triplo em Helsinque (1952) e Melbourne (1956). 

Joaquim Cruz (ao centro) com a medalha de ouro no peito em Los Angeles (1984). 
                                                          Foto: Arquivo/Rede Nacional do Esporte. 

Após o ouro olímpico, Joaquim continuou provando que era um atleta de primeira linha no atletismo. No mesmo ano das Olimpíadas, quebrou o recorde brasileiro nos 800m com 1’44’77 em uma competição em Colônia, na Alemanha. Alguns anos depois, foi medalhista de ouro na prova dos 1500m nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987). 

No ano seguinte, Cruz disputou o seu segundo Jogos Olímpicos. Dessa vez em Seul (1988), apesar da expectativa de conquistar mais um ouro olímpico, foi prata nos 800m após ser ultrapassado nos metros finais pelo queniano Paul Ereng. 

Além do sucesso e das conquistas, o meio-fundista – atleta que compete as provas entre 800m e 3000m –  conviveu com lesões. Ao todo foram oito, a principal no tendão de aquiles, o que lhe impediu de competir nas Olimpíadas de Barcelona (1992). Sua última medalha foi dourada, novamente nos 1500m nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata (1997). 

Honrarias ao Campeão Olímpico 

Joaquim Cruz ainda disputou mais uma Olimpíada. Em Atlanta (1996), o brasileiro, já com 33 anos, não conquistou nenhuma medalha. Entretanto, o que ficou marcado foi a sua escolha como o Porta-Bandeira da delegação brasileira na Cerimônia de Abertura do evento, honraria que somente 28 atletas na história do país puderam ter. 

O meio-fundista encerrou a carreira onde tudo começou, sua última participação em campeonatos foi no Troféu Brasil de Atletismo em 1997. Já em 2019, foi homenageado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) a compor o Hall Da Fama da entidade, se juntando a outros seletos 12 nomes, por todo o legado e conquistas que entregou para o atletismo, o esporte e o Brasil. 

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