Adhemar Ferreira, o primeiro herói olímpico

Destinado à grandeza, o atleta marcou época no atletismo com dois títulos olímpicos 

Foto de capa: Rafael Cruz e Octavio Neto

Por Augusto Vieira

Caros leitores, é com muita alegria e satisfação que estamos encerrando mais esta página da editoria de esporte do Em todo Lugar. Gostaria de agradecer a todos os meus colegas em especial aos meus editores pela horaria que me reservaram de escrever o primeiro e o último capítulo desta série que tem como objetivo rememorar grandes nomes do esporte nacional. E nada melhor, neste período, quando estamos possuídos pelo espírito olímpico do que falar de uma verdadeira lenda do atletismo com L maiúsculo. 

O nosso personagem de hoje é, ninguém mais ninguém menos, Adhemar Ferreira da Silva. Nascido em São Paulo, no dia 29 de setembro de 1927, Adhemar Ferreira é um desses eleitos pelos deuses olímpicos para se sentar à mesa do banquete dos grandes heróis do esporte.    

Adhemar defendendo as cores do Brasil em mais um de seus saltos – Foto: Reprodução/Olimpíada Todo Dia 

Já em 1950, quando saltou 16 metros e igualou o recorde mundial de Naoto Tajima, em vigor desde 1936, todos conseguiam ver o seu futuro promissor no atletismo. Dois anos depois, Adhemar estava aterrissando na Finlândia não só para conquistar o ouro olímpico, mas para quebrar o recorde mundial no salto triplo por quatro vezes seguidas.   

Quatro anos depois, em Melbourne, Adhemar sagrou-se o primeiro bicampeão olímpico brasileiro, ao derrotar o islandês Vihjálmur Einarsson. Pela vitória na Austrália, Adhemar conquistou, além de mais um ouro para o Brasil, a alcunha de canguru brasileiro.  

Fora das pistas Adhemar era dono de uma vida cultural multifacetada. Poliglota, estudou escultura na Escola Técnica Federal de São Paulo, cursou Educação Física na Escola do Exército, além de direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero. Participou também como ator da peça Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes e de sua adaptação para o cinema Orfeu Negro de 1959, filme ganhador do Oscar.  

Os saltos de Adhemar inauguraram uma mitológica tradição brasileira em provas de salto triplo. Entre os nomes que sucederam sua lenda estão os de Nelson Prudêncio, prata na Cidade do México (1968) e bronze em Munique (1972), João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, bronze em Montreal (1976) e Moscou (1980) e mais recentemente Jadel Gregório. 

Adhemar Ferreira ao lado de mais uma marca histórica de seus saltos – Foto: Reprodução/CBAt 

Em 2021, completamos duas décadas desde que o nosso primeiro herói olímpico deu seu último salto para a eternidade. Mas seu legado pode ser visto até hoje nas estrelas douradas do escudo do São Paulo Futebol Clube, agremiação que defendeu orgulhosamente ao longo de sua trajetória no esporte.    

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