Experiência e juventude se combinam em busca de medalhas na natação paralímpica em Tóquio

Foto de capa: Rebeca Doin

Por Thalis Nicotte

O Brasil tem 102 medalhas na natação paralímpica. São 32 de ouro, 34 de prata e 36 de bronze. É a segunda modalidade que mais deu medalhas aos brasileiros, atrás apenas do atletismo, que tem 142.  

As primeiras medalhas brasileiras da natação vieram dos Jogos Paralímpicos Nova York e Stoke Mandeville 1984. Foram sete medalhas: uma de ouro, cinco de prata e um bronze. Na última edição dos Jogos, na Rio 2016, o Brasil garantiu 19 medalhas: quatro de ouro (todos de Daniel Dias), sete de prata e oito de bronze. 

Especificações do esporte 

São feitas algumas adaptações para a natação nas Paralimpíadas. Os nadadores cegos são avisados quando estão se aproximando das bordas através de um tapper (bastão com ponta de espuma). Alguns atletas, de classes mais baixas, não conseguem sair do bloco de largada, dessa forma, ela acontece dentro da água. As baterias são desmembradas de acordo com o grau e tipo de deficiência. 

Momento em que o técnico Marcão usa o tapper para avisar o atleta Wendell Belarmino de sua chegada. Créditos: Buda Mendes/Getty Images. 

As provas 

As provas praticadas em Tóquio são variadas e de vários estilos, conforme a lista abaixo: 

  • 50 metros (livre, peito, costas e borboleta) 
  • 100 metros (livre, peito, costas e borboleta) 
  • 150 metros (medley – três estilos) 
  • 200 metros (livre e medley – quatro) 
  • 400 metros (livre) 
  • Revezamento 4×50 metros (livre e medley) 
  • Revezamento 4×100 metros (livre e medley) 

As classes 

As classes sempre começam com a letra S (swimming) para nado livre, nado costas e nado borboleta. O nado peito é representado pela sigla SB e o nado medley pela sigla SM. O atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM). A classificação também é feita através de numeração, que está ligada ao grau de deficiência do atleta.  

O atleta é submetido à equipe de classificação, que vai analisar resíduos musculares por meio de testes de força muscular; mobilidade articular e testes motores (realizados dentro da água). Quanto maior a deficiência, menor o número da classe. 

  • 1 a 10 – Atletas com limitações físico-motoras 
  • 11 a 13 – Atletas com deficiência visual 
  • 14 – Atletas com deficiência intelectual 

Das classificações surgem muitas polêmicas. André Brasil, um dos grandes nomes da nossa natação com 14 medalhas em Paralímpicos, ficou de fora dos Jogos por conta de uma polêmica reclassificação, que considerou o atleta inelegível para os padrões do esporte paralímpico. André tem sequelas de uma reação a uma vacina, que acarretou uma diferença de 5cm entre uma perna e outra. Por conta disso, ele sempre competiu na classe S10, para atletas com menor grau de deficiência. Em abril deste ano, o atleta entrou com recurso contra o Comitê Paralímpico Internacional (IPC), mas perdeu.  

André Brasil está fora do esporte paralímpico. Crédito: Blog do Esporte.

“Já estou há quase dois anos nesse processo, e o que mais machuca é a espera. Uma profunda tristeza quanto à notícia de hoje. É uma vida dedicada a isso. A natação não é só meu trabalho, é a minha vida. Tenho 36 anos, faço 37 a pouco mais de um mês. Meus planos foram tomados sem ao menos um entendimento. Seriam os meus últimos Jogos Paralímpicos. Mataram os meus sonhos”

André, em entrevista ao ge.

Daniel Dias 

Outro brasileiro que reclamou demais das reclassificações do IPC foi Daniel Dias. Com as mudanças, Daniel teve seis recordes mundiais batidos por adversários inéditos (que antes competiam em outras classes para deficiências consideradas menores que as do atleta brasileiro). 

“Estou sendo afetado em todas as provas, essa é a grande verdade. Mesmo que eu seja otimista, é preciso usar a razão nesse caso. Sendo bem sincero, tirou todas as minhas chances de ouro em Tóquio”

Daniel Dias em entrevista ao jornal O Globo. 
‘Danielzinho’ é o maior atleta da natação paralímpica. Créditos: Daniel Zappe/CPB/MPIX.

Apesar dos pesares, Daniel ainda mantém um recorde mundial na prova dos 100m nado peito, classe SB4, com tempo de 1m32s27. Para Tóquio 2020, Danielzinho vem para nadar as provas dos 50m e 100m nado livre, 50m nado borboleta e 50m nado costas na classe S5, além do revezamento misto 4x50m nado livre junto com Joana Maria Silva, Patrícia Pereira e Talisson Glock.

Crédito: Clara Flávio.

Confira todos os recordes mundiais do Brasil na natação paralímpica: 

  • 50m nado borboleta (S2) – Gabriel Geraldo (1m01s65) 
  • 50m nado livre (S10) – André Brasil (23s16) 
  • 100m nado livre (S10) – André Brasil (50s87) 
  • 50m nado livre (S12) – Maria Carolina Gomes (26s72) 
  • 100m nado peito (SB4) – Daniel Dias (1m32s27) 

Delegação brasileira 

Além de Daniel Dias, o Brasil conta com bons nomes para os Jogos de Tóquio. Maria Carolina Santiago, de 36 anos, foi campeã mundial de duas provas em 2019 (50m e 100m nado livre na classe S12). Apesar da experiência, Maria vai para a sua primeira Paralimpíada.  

Wendell Belarmino, Phelipe Rodrigues, Joana Maria Silva, Edênia Garcia e Cecília Araújo são outros grandes nomes da modalidade. No Mundial de Londres em 2019, o Brasil conquistou 17 medalhas, sendo cinco de ouro, seis pratas e seis de bronze, e vem com grandes expectativas para Tóquio. 

CALENDÁRIO

Local e datas 

As provas serão realizadas no Centro Aquático de Natação. A braçada inicial será dada no dia 24 de agosto a partir de 21h e o fechamento da natação será na manhã do dia 3 de setembro. 

Centro Aquático de Tóquio. Créditos: Atsushi Tomura/Getty Images. 

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