Brasil vence Argentina e conquista mais um campeonato Sul-Americano

Em processo de renovação, seleção brasileira terminou invicta a competição e com apenas um set perdido em todo o torneio. Bruninho foi eleito o melhor jogador do campeonato 

Foto de capa: William Lucas/Inovafoto/CBV 

Por Rodrigo Glejzer 

A 34ª edição do Campeonato Sul-Americano de Voleibol Masculino, organizado bianualmente pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV), aconteceu entre os dias 1 e 5 de setembro em Brasília. A competição serviu para classificar as duas melhores seleções do continente para o próximo Mundial em 2022, na Rússia.  

Inicialmente, o torneio seria disputado com dois grupos, contendo três equipes cada, com os dois melhores de cada grupo se classificando para as semifinais. No entanto, no dia 27 de agosto, a seleção venezuelana pediu para não participar do campeonato devido a problemas envolvendo a pandemia de Covid-19. Com um time a menos, a CSV mudou o formato e realizou a disputa em turno único, com todos os times se enfrentando, e aquele que somasse o maior número de pontos ganharia a medalha de ouro.  

Mudanças na Seleção Brasileira 

Depois de disputar quatro finais olímpicas seguidas, vencendo duas delas, o Brasil ficou fora do pódio em Tóquio, algo que não acontecia desde Sidney 2000, quando o time verde e amarelo ficou na sexta posição. No Japão, os comandados de Renan Dal Zotto perderam nas semifinais para a Rússia por 3 a 1, após abrirem uma vantagem de mais de dez pontos no terceiro set e levarem a virada. E, em seguida, foram derrotados pela Argentina (3 a 2) na decisão do bronze.  

Brasil perde para a Argentina e fica fora do pódio olímpico pela primeira vez no século – Foto: Jung Yeon-je/AFP 

Devido ao resultado bem abaixo do esperado, o Brasil viu alguns nomes de peso, como o oposto Wallace e o central Maurício Borges, darem adeus à seleção. Ao mesmo tempo, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) começou um processo de renovação no elenco. Promovendo a estreia de garotos talentosos na equipe principal, como Adriano Xavier, e voltando com jovens promessas, a exemplo de  Cledenílson Souza, Dal Zotto conseguiu baixar a média de idade de 30,75 (Olimpíadas) para 25,7 (Sul-Americano).  

Brasil nas Olimpíadas 2020/2021 – Levantadores: Bruno Rezende (35) e Fernando “Cachopa” Kreling (25). Ponteiros: Maurício Borges (32), Yoandy Leal (32), Douglas Souza (26) e Ricardo Lucarelli (29). Opostos: Wallace de Souza (34) e Alan Souza (27). Centrais: Isac Santos (30), Maurício Souza (32) e Lucão (35). Líbero: Thales Hoss (32). 

Brasil no Sul-Americano 2021 – Levantadores: Bruno Rezende (35) e Fernando “Cachopa” Kreling (25). Ponteiros: João Rafael (28), Gabriel Vaccari (24), Adriano Xavier (19) e Ricardo Lucarelli (29). Opostos: Aboubakar Neto (27) e Alan Souza (27). Centrais: Isac Santos (30), Cledenílson Souza (23), Flávio Gualberto (28) e Lucão (35). Líbero: Thales Hoss  (32) e Maique Nascimento (24).

Nova seleção brasileira reunida para o Sul-Americano 2021 – Foto: Reprodução/Instagram/Adriano Xavier 

Sul-Americano 2021 

Atual campeã e maior vencedora do torneio, a equipe do Brasil levou o primeiro lugar nas outras trinta e duas edições. Em 1964, os brasileiros não disputaram a competição por problemas políticos e viram os argentinos sagrarem-se campeões. Em 2021, a seleção canarinho começou vencendo as primeiras partidas com tranquilidade. Na estreia, não deu chances ao Peru e venceu por 3 a 0 (25/12, 25/19 e 28/18). Contra Colômbia (25/20, 25/22 e 25/21) e Chile (25/22, 25/18 e 25/19), repetiu os 3 a 0 e isolou-se na liderança.

A última partida, e que garantiu mais um título aos brasileiros, foi contra a arquirrival Argentina. Quem vencesse levaria o primeiro lugar, pois os hermanos também estavam com três vitórias em três partidas (com um set perdido para os chilenos). Para o confronto decisivo, os tricampeões olímpicos (1992, 2004 e 2016) iniciaram a partida com Bruninho, Lucão, Lucarelli, Vaccari, Isac, Alan e Maique. No lado da Argentina, o técnico Marcelo Méndez botou para jogo seis atletas medalhistas de bronze no Japão (Sanchez, Loser, Palácios, Ramos, Lima, e Danani) ao lado do promissor ponta Luciano Palonsky.  

Brasil x Argentina 

No primeiro set, a Argentina começou sacando, mas quem abriu o placar foi o Brasil em bloqueio de Alan Souza. A primeira etapa foi equilibrada somente até os 04/04. A partir deste momento, a seleção brasileira abriu dois pontos e foi ampliando cada vez mais a vantagem. Perto do final, a diferença chegou a ser de sete pontos (20/13), e com os brasileiro saindo na frente ao fecharem o set em 25 a 17. 

O super clássico sul-americano decidiu o campeão. – Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV 

Mais atentos, os hermanos voltaram melhor para a partida e mantiveram-se na liderança do placar, praticamente, pelo segundo set inteiro. Com a diferença máxima sendo de apenas três pontos a favor dos argentinos, o Brasil ainda conseguiu salvar um set point e deixar a partida empatada em 24/24. Porém não foi o suficiente, e a Argentina conseguiu fechar o set a favor (24/26) e deixar tudo igual no jogo.  

Todavia a reação argentina parou por aí.  Os brasileiros voltaram a se impor no terceiro e quarto sets. Aplicando duplo 25/18, a equipe de Renan Dal Zotto fechou o placar e levou o título sul-americano. Aos argentinos sobrou levar a prata e comemorar a conquista de uma das duas vagas para o próximo Mundial.  

Jogadores comemoram mais um título para o Brasil – Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV 

Pós-jogo 

No confronto que decidiu o campeão, o oposto Alan Souza foi o maior pontuador da partida com 24 acertos, enquanto Maique foi escolhido o melhor da decisão. Ao SporTV, emissora responsável por transmitir o torneio, o líbero falou um pouco sobre a sensação de vencer o arquirrival em uma partida decisiva.  

“É uma sensação indescritível estar na seleção. É muito emocionante porque a gente se dedica muito para chegar neste momento. Ganhar um clássico contra a Argentina é muito bom. Procuro botar minha alegria dentro de quadra para a energia não cair”, declarou o jogador do Minas Tênis Clube.  

Maique foi eleito o melhor da partida – Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV 

Eleito o jogador mais valioso (MVP) do Sul-Americano, Bruninho não escondeu a importância do título neste início de renovação da seleção. 

“Sabemos da responsabilidade de vestir a camisa da seleção brasileira e nos dedicamos muito a isso, buscando a vitória sempre que possível. Foi uma conquista muito importante para dar ânimo a jovens como Vaccari e Adriano, que se saíram muito bem. Começamos um novo ciclo com o pé direito. O Brasil sempre chega para vencer, e, quando o fazemos, é muito bom ”, disse o levantador ao site oficial da CSV. 

Bruninho terminou como o melhor jogador do torneio – Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV  

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