A luta contra o bullying nas escolas

Por Barbara Ballerini. Foto de capa, Legenda: Monumento em homenagem às vítimas do atentado na escola Tasso da Silveira em Realengo, no ano de 2011. Divulgação: Agência Brasil. 

A origem da palavra “bullying” vem do inglês e surge a partir do termo “bully” que traduzindo significa brigão ou valentão. Apesar da expressão ter sido originada na língua inglesa e não ter uma tradução específica para o português, no Brasil os casos de discriminação, preconceito, repressão e violência nas escolas infelizmente se mantêm presentes. Segundo o programa internacional de avaliação de estudantes, um em cada dez brasileiros é vítima de bullying, que de acordo com a lei nº 13.185 em atividade desde 2016, o termo é classificado como uma intimidação sistemática decorrente de violências físicas ou psicológicas, além de ataques físicos, ameaças e insultos.  

De certa forma a sociedade foi ensinada quase de maneira inconsciente que não se deve revidar as provocações recebidas pelos demais, o que ao longo dos anos gera pessoas retraídas e com medo de relatar as dificuldades que vêm enfrentando. Esse problema só começou a receber determinada atenção a partir da década de 1970, e no Brasil o alerta ganhou mais força nos anos 1990. Cleo Fante é uma das brasileiras pioneiras no estudo, doutora em ciências da educação, com dez anos de estudo sobre o bullying, ela afirma que esse fenômeno cresceu de forma exponencial e assustadora. Muitas pesquisas relatam a gravidade e o aumento de atitudes brutais nas instituições, e como essa repressão pode ser altamente perigosa no futuro.  

O Dia Nacional do Combate ao Bullying e Violência nas Escolas, comemorado no dia 7 de abril, foi decretado em 2016, e a escolha da data foi decorrente à tragédia que aconteceu no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, em 2011, 12 crianças foram mortas e outras 12 ficaram feridas por um jovem de 23 anos, ex-estudante da escola, que afirmava ter sofrido agressões psicológicas quando era um aluno da instituição. A psicóloga Maria Aparecida do Carmo, atuante na área há 27 anos, afirma que “não existe um ser humano igual ao outro, cada um tem suas subjetividades, vivências e dificuldades próprias. E em função disso podem desenvolver diferentes comportamentos por consequência do bullying sofrido”. Ela ainda destaca que algumas vítimas procuram ajuda na área da saúde mental, outras desenvolvem transtornos psiquiátricos sérios e tem aqueles que carregam traumas de vitimização para a vida adulta, tornando-se ansiosos, inseguros ou até mesmo agressivos, tendendo a reproduzir a violência que sofreram no ambiente escolar. Ela destaca casos de pacientes com quem trabalha que sofreram com o bullying na infância e procuraram o acompanhamento psicológico com problemas de autoestima, autodepreciação e para socializar-se. 

 Nesse dia, deve-se destacar as evoluções sociais relacionadas ao assunto, e como as escolas já começaram a investir na saúde mental dos alunos e na melhor socialização no ambiente escolar. Um exemplo desses investimentos é a atuação do MEC com a especialização dos professores tanto na formação não especializada quanto nas licenciaturas universitárias já se encontram matérias de ética obrigatórias que auxiliam em como lidar com a coação praticada no ambiente escolar. Em contrapartida, acontecimentos depreciativos continuam acontecendo, como o da aluna de 12 anos em uma escola de Novo Horizonte (SP) que foi pisoteada e xingada com expressões racistas além de agressões a sua integridade física por outros alunos, o caso ocorreu no dia 11 de março, com estudantes do ensino fundamental. A justiça já entrou com uma medida protetiva contra os atuantes dessas ações. 

Em 7 de abril, o objetivo é chamar a atenção para o problema e refletir qual é o papel social e governamental no combate a violências nas escolas para que seja fundamental a mudança e prevenção do bullying, destacando a necessidade de envolvimento direto na causa de pais, educadores e todos que compõe o ambiente escolar. Dessa forma será possível chegar em uma conscientização geral e em uma melhoria significativa na redução dos índices de violências escolares. 

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