Foto capa: “Dans la véranda”, de Berthe Morisot
Por Júlia Cândido
O Dia Internacional da Menina, celebrado dia 11 de outubro, é uma data dedicada à valorização dos direitos das meninas e à reflexão sobre os desafios que enfrentam para crescerem com liberdade e autonomia. Além disso, a data também nos convida a pensar sobre como elas são vistas e representadas ao longo da história. Na arte, por exemplo, essa reflexão pode nos direcionar para um nome particular: Berthe Morisot, uma das principais artistas do movimento impressionista.
Nascida em 1841, na França, Berthe construiu sua carreira em uma época na qual as mulheres enfrentavam muitas limitações para conquistar reconhecimento no mundo artístico. Apesar das barreiras, a pintora participou da primeira exposição impressionista, em Paris, em 1874, ao lado de nomes como Claude Monet e Edgar Degas. Assim, sua trajetória foi fundamental para ampliar a presença feminina na arte e demonstrar que as mulheres também poderiam integrar os movimentos artísticos de seu tempo.
A artista desenvolveu uma linguagem própria, marcada por pinceladas livres, uso de cores suaves, valorização da iluminação natural e atenção à vida cotidiana. Em suas obras, mulheres e meninas ocupam o centro da composição, aparecendo, principalmente, em ambientes domésticos e jardins. Nesse sentido, a artista encontrava significado em cenas simples, revelando a beleza e a complexidade de experiências do dia-a-dia.
As meninas nas pinturas de Berthe Morisot
Na maioria das obras de Berthe Morisot, a infância ocupa um lugar importante. Entre suas maiores inspirações estava sua filha, Julie Manet, retratada em diferentes momentos da vida. Por meio dessas representações, Berthe registrava a aparência das crianças e a espontaneidade de seus gestos.
Em “Fillette au jersey bleu” (1886), a artista retrata uma menina por meio de pinceladas soltas e tons de azul que evidenciam sua linguagem impressionista. A obra permite refletir sobre a infância como uma experiência que merece atenção própria, sem que a criança precise estar envolvida em um acontecimento extraordinário para despertar interesse.

Já em Julie Manet et sa levrette Laërte (1893), Berthe retrata a filha acompanhada de sua cadela, aproximando a pintura de sua experiência familiar. A cena transforma um momento cotidiano em registro artístico e convida o observador a perceber a infância de uma forma diferenciada.

Uma arte que inspira novas perspectivas
O trabalho de Berthe Morisot permite refletir sobre a experiência feminina e a importância de valorizar as vivências de mulheres e meninas. No Dia Internacional da Menina, sua história reforça a necessidade de garantir que todas tenham liberdade para fazer suas próprias escolhas, desenvolver seus interesses sem limitações impostas por estereótipos de gênero.
Como uma das principais representantes do impressionismo, Berthe retratou mulheres e meninas em diferentes situações do cotidiano, dando visibilidade a experiências que nem sempre recebiam atenção no meio artístico de sua época. Sua trajetória também demonstra as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conquistar reconhecimento profissional em uma sociedade que oferecia poucas oportunidades para elas.
Conhecer sua obra nos permite compreender como a arte pode contribuir para ampliar a representação feminina e questionar padrões sociais. Essa reflexão se relaciona diretamente com o Dia Internacional da Menina, que destaca a importância de garantir acesso à educação e à participação social. Afinal, oferecer condições para que meninas possam escolher seus próprios caminhos é fundamental para construir uma sociedade mais justa e igualitária.
